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Empatia é possível com gente preconceituosa?

2017/05/25 | Nenhum comentário | |

Empatia e preconceito... tem jeito?

Lembro-me de quando ainda era criança. 

Viajei para um sítio no interior com a família de um amigo. O lugar era um pouco isolado e toda noite íamos pra fora fazer uma fogueira, ver as estrelas no céu aberto e contar histórias.

Em uma dessas noites, começaram as histórias de terror. Um dos tios do meu amigo era especialista. Fazia tudo parecer real, tamanha a riqueza de detalhes. Subia e descia o tom de voz e fazia pequenas pausas, tudo para nos fazer mergulhar em seus relatos.

Eu ficava apavorado.

Numa certa hora da noite, veio o causo que mais me marcou, de um jovem que posicionava a cama com os pés virados pra janela, fazendo atrair espíritos ruins. Ele afirmava conhecer pessoalmente o menino, recheando o conto minuciosamente e eu, mais do que assustado, querendo fugir para não ouvir, ficava preso pela curiosidade característica de uma criança.

Hoje me pergunto da onde vinha tanta criatividade, compreendo que ele não estava falando sério e não acredito nesse tipo de coisa, não faz sentido lógico pra mim.

Porém, ainda assim, quase 20 anos depois, às vezes me pego sentindo certo receio e desconforto quando tenho que deitar em uma cama com os pés virados pra janela. Internalizei aquela história em um nível emocional.

Empatia e supertisção


E com o preconceito a coisa não é muito diferente.

Segundo o psiquiatra Dr. Vamik, o preconceito é um aprendizado emocional que ocorre e se enraíza na infância.

Depois, na fase adulta, é fácil, numa pegada racional, entender que se trata de algo abominável. Ninguém quer ser lembrado como alguém preconceituoso. Assim como eu não quero ser lembrado como alguém que carrega superstições de histórias de terror infantis.

Ser – como se fosse um traço de personalidade – preconceituoso é algo que todos afastam ao máximo de si. Ninguém se acha reprodutor de tais condutas. Ninguém logicamente quer reproduzi-las. E ninguém se definiria assim.

Ora, mas se todos sabem que é errado e ninguém quer reproduzir, por que, então, o preconceito continua vivo, atravessando gerações e causando tantos problemas?

Porque preconceito é sentir. Um sentimento de aversão desenvolvido, na maioria das vezes, quando o cérebro nem sequer estava pronto. Um sentimento extremamente difícil de ser quebrado.

Ainda mais difícil quando não estamos conscientes que ele se faz presente em nós.


Ninguém quer ser preconceituoso, mas todo mundo o é.


A verdade é que categorizar as coisas é a forma como cérebro trabalha e fazer isso, através das emoções, foi e ainda é fundamental para a sobrevivência e perpetuação da nossa espécie. Foi categorizando que, ao perceber a diferença de uma corda e uma cobra, colocamos a primeira na categoria “ferramenta” e a segunda na categoria “perigo”, tendo assim respostas rápidas e efetivas ao se deparar com uma delas.

Entendemos que essa categorização no âmbito social, contra seres humanos, é um erro. Mas entender não é suficiente, o aprendizado emocional continua lá e para ele nós racionalizamos desculpas.

Racionalizar é buscar justificativa lógica para sentimentos e emoções e, assim, se manter confortável com a parte pensante do cérebro, evitando um possível – e necessário – autoconfronto.

preconceito velado


É por isso que muitas pessoas, mesmo sem perceber, agem de maneira sutilmente preconceituosa. Como quando, em uma entrevista, por exemplo, um chefe desqualifica uma mulher por seu currículo, mas contrata um homem com o mesmo grau de experiência. Se perguntado, ele dirá que isso não diz respeito a nenhum tipo de preconceito, uma vez que ele é radicalmente contra uma postura sexista.

Nesse caso, ele estaria embasado e seguro em uma racionalização baseada em níveis de experiência profissional, sem perceber que carrega um aprendizado emocional – que é falso – de que as mulheres são seres mais frágeis e talvez não dariam conta do trabalho.

Assim, com justificativas e justificativas, o ego fica intacto para agir livremente e o preconceito nebuloso permanece causando muitos prejuízos.


Ser desconstruídão para se sentir virtuoso é autoengano e só atrapalha


É preciso que sejamos inteligentes em cortar o mal pela raiz, com assertividade e paciência. Sabendo que o que foi construído leva tempo para se desconstruir.

Quando você se depara com uma atitude discriminatória, se enfurece e ataca o caráter do outro, você, então, está se inundando de um sentimento muito semelhante ao dele, porém com, provavelmente, maior intensidade.

Do tipo:

Você é nojento.
Tenho nojo de você.
Tenho nojo de gente preconceituosa.

A aversão criada é basicamente a mesma. Porém agora com um respaldo racional que te permite se sentir justo com tal emoção. O outro que é o sem caráter e não eu.

Isso, além de ser ineficaz, é uma massagem ao próprio ego. Significa atacar o ego de alguém para se sentir massageado como alguém combativo e cheio de virtudes.

O resultado disso é colocar o outro inevitavelmente na defensiva, ativando os alertas emocionais de perigo mais primitivos e colocando a pessoa na chamada posição de “lutar-ou-fugir”. Ela vai negar ou devolver a acusação num processo desgastante e gerador de altas doses de ressentimento.

Ora mas isso foi só uma brincadeira, quanto moralismo! Seria a resposta no cenário mais ameno possível.

Pode ser que, dessa maneira, você a silencie num primeiro momento, no entanto nenhuma sementinha de reflexão será plantada, ao contrário, o sentimento de segregação estará vivo e reforçado e o terreno ainda mais infértil as mudanças: um ego ameaçado jamais considera o que vem daquele que o fere.

Assim, no longo prazo, a crítica violenta é contraproducente. O que era pra ser desconstruído agora é silenciado e reforçado. Está sempre a espreita, esperando a oportunidade de se colocar de maneira velada – nas microagressões do dia-a-dia.

o ego do virtuoso


Vivemos um recente período de intolerância aos intolerantes, em que o preconceito foi enfrentado de maneira veemente, mas pouco eficaz. Muitos ataques desmoralizantes, pessoais e que partem de pessoas que não são invulneráveis. Afinal, quem tem plena consciência de todos os sentimentos marcados na mais tenra idade, podendo garantir uma vivência livre de preconceito?

O resultado? Rejeição em larga escala a todo esse enfrentamento, uma espécie de contrarreforma que traz distorções bizarras. Hoje, quem se coloca disposto a defender minorias que sofrem com a discriminação, recebe a bandeira de ser “politicamente correto” e precisa carregar também o seu peso negativo.

O que só fortalece uma polarização - já muito grave - entre os “corretinhos, moralistas e hipócritas” contra os “preconceituosos, nojentos e ignorantes”.

Um maniqueísmo lamentável.


A saída não é fácil, mas está na empatia.


Falar de preconceito é muito delicado. Nesse momento, me exponho em um campo no qual os ânimos estão sempre exaltados e é compreensível que assim o seja. Não estou aqui para avaliar o seu comportamento, mas sim para oferecer um caminho diferente a quem se identifique e se sente disposto a percorrê-lo.

Se esse não é o seu caso, entendo perfeitamente. Só você sabe do quepassou e do que viveu. Só você sabe as dores que já sentiu e as alternativas que mais fazem sentido na sua experiência.

Não é o meu objetivo te entregar uma fórmula mágica, não seria irresponsável a esse ponto. Mas sim de entregar uma opção diferente às reações já naturalizadas por nós. Uma opção que pode funcionar dentro das suas vivências ou não. Uma opção que, adaptada a sua realidade, pode se tornar congruente ao seu modo de ser e de agir.

Uma opção muito difícil e que se for completamente distante e impossível pra você, eu entendo, respeito e me coloco disponível para conversamos. Acredito nas suas experiências e imagino que elas tenham sido duras.

O que proponho é algo que precisamos, enquanto sociedade, fortalecer com urgência: empatia. Separo em duas partes:

1) Trabalhando a minha própria empatia


Como dissemos aqui, empatia não é qualidade de pessoas boazinhas, não é caridade, não é sentimento e, principalmente, não é “fazer com o outro o que gostaria que se fizesse a mim”.

Empatia é a habilidade de se colocar no lugar do outro, como se fosse o outro.

Uma habilidade humana, natural e autêntica de se criar conexão.

Empatia não é compaixão. A compaixão pode vir como consequência, mas isso não é regra. O que significa que buscar compreensão empática por um agressor não significa amá-lo, abraçá-lo, concordar com ele ou levá-lo pra casa.

Na realidade, buscar empatia é buscar maior entendimento, adicionar mais variáveis a equação e assim ser capaz de uma resposta mais refinada, ainda que firme.

 O Exercício diário de se autoquestionar


Se quero transformação, então que comece comigo. É preciso questionar-se, num primeiro momento, os próprios preconceitos. Julgar e categorizar é inevitável, como dissemos. Mas o que fazemos com julgamento depois é escolha. Desconstruí-lo ou racionalizá-lo?

- Sinto-me combativo contra as injustiças do mundo, mas consigo olhar pra dentro? 
- De que maneira reforço o status-quo
- Talvez eu carregue algum tipo de aprendizado emocional contra grupos dominantes e privilegiados? 
- Isso resulta em desumanização e me afasta deles? 

Sem acessá-los, não consigo partilhar experiências e promover construção mútua, a interação só se dá por confronto.

Devo também questionar meu ego: 

- O que eu quero?
- Mudar alguma coisa ou apenas sentir que estou ajudando a promover mudanças? 
- Quero me sentir virtuoso e
- Talvez queira me sentir parte de um grupo que considero mais sábio, mais interessante, mais atraente? 
- Ou talvez quero me sentir distante de um grupo que considero burro, estúpido ou de má-fé? 
- Será que é tudo por querer desenhar uma identidade? 
- Ou é vontade real de transformação? Sendo vontade real de transformação, que tipo de resultados estou conseguindo?

O questionamento diário traz autoconhecimento e domínio de si próprio, abrindo passagem para empatia, maturidade emocional e frieza para a melhor ação.

2) Promovendo empatia ao mundo


Uma pessoa que demonstra preconceito é uma pessoa que também está em um processo único de transformação. No seu próprio tempo, dentro da sua própria história, à sua própria maneira. Reconhecer nossas mazelas nos faz perceber que estamos todos caminhando e que esse problema não é questão de virtude x não-virtude. É cultura, herança, aprendizado e desconstrução.

Ao presenciar discriminação, é preciso ser objetivo. Substituir a violência contra a pessoa, o seu ego e caráter, pela refutação de sua atitude ou ideia. Precisamos parar de vestir o outro em características imutáveis, ora, se tudo o que ele representa é repugnante e inexorável, então não há nada o que se possa fazer.

Evitar a violência não significa apatia. Entre o preto e o branco há tons de cinza. Precisamos, sim, de força, energia e autoridade. Não para reduzir alguém, mas para denunciar o preconceito.

É importante denunciar a atitude, inibi-la e tomar todas as medidas cabíveis. Isso não apaga o sentimento, mas reduz a sua manifestação e os eventuais estragos que ela causa.

• No entanto, para efetivamente mudarmos, é preciso promover empatia.


Estudos mostram que a reincidência de crimes violentos contra a mulher cai por mais da metade quando os agressores passam por tratamento no qual são colocados no papel das vítimas e são estimulados a pensar em como elas se sentem. No Brasil, já existe uma MP que apresenta esse solução para a lei Maria da Penha.

Alguns países na Europa e Oriente Médio são pequenos e multiculturais. Lá, cientistas já perceberam que quando a educação promove empatia entre grupos étnicos/religiosos, através de diálogo e trabalho em equipe, a segregação desaparece. O problema é que na maioria das vezes acontece o contrário: uma educação nacionalista facilitadora da desumanização do outro.

--

É fundamental que estimulemos empatia, não para evitar reincidência, mas para eliminar a ocorrência. Rodas de conversa, palestras, grupos de estudo, depoimentos, vídeos, documentários, conversas, fala, escuta, estudos, apoio profissional, enfim... Você pode contribuir com uma experiência mais rica para aquele que está do seu lado e está precisando dela.

Se já superou essas barreiras, então abandone o ego e estenda a mão para o que alguém mais o faça. Não precisamos falar de cima pra baixo. A sensação de superioridade é temporária e cega e quando a gente a abandona, estamos ajudando, antes de tudo, a nós mesmos.


Grande abraço!
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Como controlar a ansiedade em 4 passos

2017/05/18 | Nenhum comentário | |


Como controlar a ansiedade em 4 passos foi um texto escrito originalmente para a Segundinha do O Espaço, nosso bate-papo semanal que acontece via e-mail. Trata-se da edição de número #25 e foi escrita pelo psicólogo e nosso amigo Lúcio Cecílio.

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como controlar a ansiedade


Olá!

Me chamo Lúcio, sou psicólogo e considero um privilégio estar participando desse projeto que acredito ter potencialidade para mudar o mundo. Mas vamos ao que interessa: fui convidado para conversar um pouco com você sobre ansiedade e fiquei ansioso com o convite haha. 


Começando com um pequeno exercício mental. Pense em alguma vez que você passou por uma experiência que era novidade, uma a qual você saia de sua zona de conforto. Uma escola nova, emprego novo, conversar com aquela pessoa que você admirava de longe por algum tempo... Em alguma dessas situações você sentiu algum nível de ansiedade? Se a resposta for sim, parabéns! Você é um ser humano!

Em nosso dia a dia é comum sentirmos ansiedade ao nos colocar em situações a qual não estamos acostumados, ao absorver o que está fora de nós. O problema acontece quando essa sensação nos impede de ir adiante. Para ajudar a evitar que isso aconteça irei descrever os 4 passos que damos quando fazemos qualquer ação e os cuidados que devemos ter para não ficarmos ansiosos.


1º Passo - Tomada de decisão


O primeiro passo acontece quando elencamos, entre as infinitas possibilidades, o que queremos e/ou precisamos fazer naquele momento.

Exemplos:


“Quero ler aquele livro”,
“Quero assistir aquele jogo”,
“Preciso falar com aquela pessoa”
.

Um problema que pode acontecer nesse passo é não conseguir eleger o que se quer ou precisa, fazendo assim uma confusão:“Quero ler aquele livro e assistir aquele jogo e preciso falar com aquela pessoa”.

Caso não consiga escolher sua ação o sentimento de ansiedade certamente aparecerá. Tome seu tempo e escolha com calma o que fazer.


2º Passo - Tomada de ação


No segundo passo quando decidimos o que fazer e nos mobilizamos para tomar aquela ação.

Exemplos:


“Vou ler aquele livro". – Estende a mão e pega o livro,
“Vou assistir aquele jogo". – Liga a televisão e coloca no canal do jogo,

“Vou falar com aquela pessoa". – Pega o telefone e liga para a pessoa.

O que pode ocorrer de errado nesse passo é você, após ter decidido o que fazer, não tomar essa ação.

Exemplos:


“Vou ler aquele livro". – Continua vendo televisão,
“Vou assistir aquele jogo". – Continua conversando com alguém
.

Se você escolheu o que fazer, se energizou para tomar tal ação e simplesmente não faz, seus pensamentos ficarão presos naquilo e certamente lhe causará sensações de ansiedade. Se decidiu o que fazer, apenas faça. Conclua aquilo que começou.


3º Passo - Troca com o ambiente


Depois de decidirmos o que fazer e nos mobilizarmos para tal, chega o momento de troca com o ambienteAlcançamos algo que está fora de nós e absorvemos.

Assim nos exemplos que temos usado teríamos:


“A aquisição de conhecimento pela leitura”,
“Observar o jogo, seu resultado e consequências”,
“Falar com aquela pessoa”. 


Nesse passo temos uma ansiedade inerente, pois, como disse no início de nossa conversa, o contato com o que está fora de nós gera esse desconforto. Mas, sabendo desse desconforto, não podemos fugir e talvez repetir o erro do passo anterior certo?


4º Passo - Voltando a homeostase


Finalmente, depois de desbravar nosso interior e conseguir aquilo que queríamos, nosso corpo volta a homeostase para que então possamos voltar ao primeiro passo e realizar uma nova ação.

Talvez você já tenha reparado, mas o grande problema da ansiedade é o tempo. Querer fazer tudo simultaneamente ou deixar para depois o que se decidiu que era importante agora.

Em resumo, o que é mais importante para lidar com a ansiedade é estar presente de corpo e alma naquela tarefa que você se propôs e naquele momento que está acontecendo. Aprenda com o que se passou, mas se já passou não há nada que você possa fazer agora. Como também se prepare para o futuro, entretanto não há nada que você possa fazer com que ainda está por vir.
 

“O passado é história, o futuro é mistério, o hoje é uma dádiva. Por isso é chamado de presente! ” (Kung Fu Panda, 2008)


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Referências

Esse texto foi escrito com base na Gestalt Terapia ou Psicologia da Gestalt. O seguinte artigo usado como referência explica com mais profundidade e tecnicidade as patologias ligadas a ansiedade a partir da Gestalt terapia [link aqui].

Se quiser se aprofundar na Gestalt terapia, sugiro que pesquise pela obra de Perls (Friederich Salomon Perls), Erving Polster e Miriam Polster.

Acrescento que dentre as inúmeras ciências que estudam o ser humano, dentro da psicologia em suas diversas vertentes e até mesmo a respeito da própria Gestalt terapia existem variados conceitos de ansiedade e métodos para lidar com ela. Nesse momento abrangi apenas uma delas, em outro podemos conversar sobre diferentes, ok?!

E caso você acredite que está difícil prestar atenção nesses passos e que a ansiedade tem te atrapalhado em aspectos importantes da sua vida, procure um profissional, ninguém é obrigado a dar conta sozinho.

Aguardo respostas para podermos continuar a conversa.
Um grande abraço!

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O Lúcio atende em Belo Horizonte, mas também pode conversar com você que é de outra cidade.


Seu e-mail de contato é:
 lucio_cecilio@hotmail.com

No facebook, sua página: @luciopsicologo.

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Grande abraço!
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Como manter a casa organizada está ajudando pessoas na saúde mental.

2017/04/28 | Nenhum comentário | |

A neurociência comprova. Manter a casa organizada, com locais ordenados, arejados e cheios de energia é associado por nosso cérebro como bem-estar e equilíbrio.

Como manter a casa organizada


Foi durante o inverno de Budapeste que, por duas vezes, pensei que fosse morrer.

Um dos motivos de fazer intercâmbio era pra aprender a me virar. “Vou passar uns perrengues pra poder virar gente”. Só não sabia que esses perrengues me fariam perder a luz no fim do túnel. “Como vou virar gente, se não consigo sair dessa?”

A primeira vez foi numa sexta feira. Eu havia acabado de chegar de uma viagem muito cansativa e estava com uma sensação estranha. Tomei banho, arrumei o pijama e deitei na cama. Mais ou menos uma hora depois, dou um salto da cama. Respiração ofegante, o ar não entrava e forte dor no peito. Uma parada cardíaca? Tinha quase certeza que sim.

Ligo para a urgência, serviço em húngaro, não sei como, mas na hora me entenderam. Fui para o hospital de ambulância e com muito medo de morrer longe da família.

casa desorganizada, mente desorganizada

Eis que chego ao hospital, a dor passa, mas a sensação estranha não e a vontade de chorar é quase incontrolável. Os médicos olham tudo. Check-up geral. Viro a noite fazendo exames... E nada! “Tudo está ok”, eles diziam...

Da segunda vez não foi muito diferente. Era festa de aniversário da francesa que morava no quarto dos fundos. Gente de todo canto do mundo. Ambiente super agradável e eu apenas não conseguia estar presente. Não conseguia conversar, não conseguia ouvir, queria fugir, gritar... Fiquei 10 minutos na festa e tentei dormir. Mais ou menos uma hora depois, tudo se repetiu... Bateria de exames novamente... E nada.

A partir daí que fui me dando conta que meu problema talvez não fosse do coração. Só lá na frente descobri que esses ataques, na verdade, foram ataques de pânico.

Logo chegou a virada do ano. As ruas mais felizes, piscando e enfeitadas. O clima era muito bom, iríamos entrar em 2015.


Viajei com meus amigos por 20 dias e isso me fez muito bem. Conhecemos vários lugares e a atmosfera de natal era ótimo. Mas ainda assim continuava estranho, às vezes querendo chorar sem motivo. Sentia um vazio apertado no peito.

Na última noite, fui acometido por uma tristeza profunda. Era uma mistura de melancolia e aflição ao mesmo tempo e tão forte que não consegui dormir. O quarto em silêncio, todos apagados, exaustos e eu ali, sem pregar os olhos, sem saber se queria me entender ou se queria apenas sumir.

Aos poucos, tudo foi fazendo sentido... Eu não queria voltar pra casa! Não queria mesmo, rever aquele lugar palco de tanto sofrimento. Logo agora que estava esquecendo-me de tudo aquilo...

Desembarcando em Budapeste novamente, percebi como amava aquela cidade e como estava com saudades! Foi um pouco confuso, mas me sentia feliz com as pessoas, os lugares e até a voz da moça do metrô. Então, qual era o problema? Descobri rapidinho... Ao entrar em casa.

Quando coloquei o pé pra dentro, o peso do ambiente me invadiu. Senti medo. A casa, que já era triste, também estava vazia. Sentado na minha cama, só conseguia chorar. Pela segunda noite, insônia. E ali terminei de montar o quebra-cabeça. O ambiente da minha casa estava carregado!



Tem gente que vai dizer que é coisa de outro mundo.
Tem gente que vai dizer que é coisa da minha cabeça, afinal eu já estava doente.
Tem gente que vai dizer que é tudo uma questão de energia.

Mas no fim, isso pouco importa. A verdade é que um ambiente em harmonia, iluminado e organizado faz diferença, influencia e causa grande impacto emocional. Compreendi isso da pior forma e depois de muito sofrimento. Mas ainda não era tarde demais.

Passei o inverno sentindo a ansiedade viva em meu corpo e a depressão todos os dias batendo na porta. Cuidar do meu ambiente foi um passo fundamental para a recuperação. Caminhando lentamente no fundo do poço, recuperei o sentido das coisas, me relacionando melhor com o meu lar.

Organização emocional


Muitas pessoas, assim como eu, descobriram na relação com o ambiente, a oportunidade de se conhecer melhor, de reduzir o estresse, a ansiedade, a depressão... De encontrar paz.

A neurociência comprova: nosso cérebro associa nosso bem-estar e equilíbrio a locais ordenados, arejados e cheios de energia. Por isso, não é de se espantar que pessoas, assim como eu no passado, estejam com mente e emoções cheios de confusão e desordem, sem entender que o próprio lar pode estar diretamente ligado.

Também não é de se espantar que as pessoas estejam reassumindo o controle de suas vidas através do cuidado com o externo. A sensação de pertencimento, de dever cumprido, de harmonia e de paz é sem igual.

É por isso que eu quero dividir com você o curso Organização Emocional da Pati Penna. Pati é uma especialista que vem ajudando pessoas a reencontrar o equilíbrio através da otimização de seus ambientes.

organização emocional da pati penna


Sem a necessidade de comprar coisas novas, ela nos mostra, entre muitas outras coisas, como aproveitar melhor os nossos espaços com o que já possuímos, colocando personalidade nesses espaços e, como consequência natural, nos dando sensação de equilíbrio.

E nos mostra como, a partir disso, conseguimos organizar melhor os nossos espaços internos, valorizando também nossa sensação de harmonia e equilíbrio interno, reforçando nossa autoestima e paz de espírito.

Como manter o ambiente organizado

Objetivos de Organização Emocional:

Paz e harmonia
Como conquistar paz e harmonia dentro de casa.
Aconchego
Como transformar a sua casa no lugar mais acolhedor do mundo.
Zero Custo
Como transformar a energia da sua casa sem gastar dinheiro.
Descarte
Os 2 critérios essenciais para descartar o que está em excesso.
Organização
Aprenda qual a melhor forma de organizar na prática cada cômodo da casa.
Feng Shui
Aprenda como aplicar a técnica de maneira correta.

Conteúdos trabalhados:

> Sua casa ideal;
> Passo a passo para descartar com eficiência máxima;
> Guia completo para organizar cada cômodo;
> Os melhores Organizadores para cada cômodo;
> Guia da Rotina Organizada, leve e produtiva;
> Feng Shui para se aplicar sozinho;
> Como manter a casa energizada e harmônica;

Organizados em:

> Vídeo Aulas em 05 módulos;
> E-books exclusivos;
> Aulas em áudio;
> Suporte para dúvidas por email;
> Whatsapp direto com Pati Penna;
> Comunidade Fechada do Facebook <3

Garantia e bônus

Tenho muito apreço e respeito pela comunidade que criamos no O Espaço e por isso tomo cuidado ao oferecer algum material. Assim sendo, compartilho com você a oportunidade do curso Organização Emocional com muita responsabilidade.

Nele, Pati dá 30 dias de garantia incondicional, sem taxas de devolução, sem multas, e sem burocracias. Você transforma sua casa ou tem seu dinheiro de volta.

Pela parceria que fizemos, Pati disponibilizou dois bônus para nós aqui do blog.

> Planner da Pati Penna - Folha de Agenda dividida em horas e dias da semana para Organização Pessoal

> eBook - Os 3 Pilares da Rotina Organizada Para Muheres

Então caso você compre o curso por aqui, mande um email pra mim que eu disponibilizo os bônus de imediato, ok?

É possível reassumir o controle da nossa vida! 
Te desejo grandes transformações.

 Faça bom proveito de todo material.

como organizar casas


Os 3 principais erros de quem tenta manter a casa organizada.

Você é daqueles que sempre promete mudar de vida no fim do ano? Começar algo novo, abandonar velhos hábitos, fechar ciclos que nunca são fechados...

Ano após ano... E nunca dá certo... Já se perguntou porque isso acontece? Mudar de hábitos realmente não é fácil.

Segunda uma pesquisa americana:
> 30% das pessoas se prendem as coisas devido a economia.
> 56% das pessoas não gostam de jogar as coisas fora ou não sabem o que jogar.
> 70% das pessoas precisa de ajuda para se organizar.

Confira os 3 principais erros de quem busca manter o seu ambiente organizado:

1) Você está tentando organizar a bagunça.

Você nunca vai conseguir criar um sistema organizado em cima da bagunça. Tudo o que não tem utilidade e que ocupa espaço desnecessário precisa ser desfeito. Coisas velhas esperando conserto e reparos, coisas dos outros, coisas que não fazem mais parte da nossa realidade, mas estão sempre no caminho.

Livre do que não precisa mais, você vai entender o que tem mais valor pra sua experiência.

2) Você tem muita coisa pra organizar.

A onda do consumismo cada vez mais nos cria falsas necessidades e faz com que busquemos sempre novas coisas. O problema é que, apesar da vontade de aquisição ser ilimitado, nosso espaço tem um limite e devemos procurar trabalhar dentro dele.

Aprenda a dividir, praticar o desapego, ajudar alguém que está mais necessitado. Fará bem para você e para o outro.

3) Você não tem um grande objetivo.

Se você tentar se organizar apenas por organizar, já te adianto: não dará certo. Tenha em mente um objetivo. Mais harmonia? Mais praticidade? Mais equilíbrio? Paz de espírito? Economia?

Trace a sua grande meta e tenha ela sempre em mente. Você ficará feliz com a evolução de sua caminhada.

Eu acredito que o curso Organização Emocional vai te dar o apoio necessário para superar esses três itens.


Como manter a casa organizada



Grande abraço!
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