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Destaques do mês

Comunicação não-violenta, Capítulo 5: assumindo a responsabilidade por nossos sentimentos

2017/12/05 | Nenhum comentário | |


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 “As pessoas não são perturbadas pelas coisas, mas pelo modo que as veem”. Epicteto

Comunicação não violenta Capítulo 5: assumindo a responsabilidade pelos nossos próprios sementes

 Ouvindo uma mensagem negativa: 4 opções


Segundo Marshall, o que os outros fazem pode ser estímulo para nossos sentimentos, mas não a causa. No terceiro componente da CNV, reconhecemos e tomamos consciência da raiz desses sentimentos. Esse componente tem grande potencial transformador, nos traz autonomia e é muito importante.

Quando alguém nos envia uma mensagem negativa, seja verbal ou não, podemos receber de 4 maneiras.

Se alguém, com raiva, diz, por exemplo: “Você é a pessoa mais irresponsável que eu já vi”.

Podemos receber:

1. Culpando a nós mesmos

·         “Ah eu deveria ser mais cuidadoso”.
Aceitamos o julgamento pagando um preço caro, as custas de nossa autoestima.

2. Culpando os outros

·         “Você não tem o direito de dizer isso, estou sempre me esforçando por aqui”.
·         “Mas olha só quem está falando”.
Esse é um caminho que comumente traz um sentimento de raiva.

3. Escutar nossos próprios sentimentos

·         “Quando escuto você dizer que sou a pessoa mais irresponsável, fico magoado, porque preciso de algum reconhecimento de meus esforços em cuidar das coisas”.
Ao focarmos a atenção em nossos próprios sentimentos e necessidades, nos conscientizamos de que nosso atual sentimento de mágoa deriva da necessidade de que nossos esforços sejam reconhecidos

4. Escutar os sentimentos e necessidades dos outros.

·         "Você está magoado porque precisa de mais zelo ao seu redor”?
Virar o foco para os sentimentos e necessidades da outra pessoa, tais como expressos naquele momento e, assim, encontrar conexão.

QUatro formas de lidar com uma mensagem difícil
As duas últimas são mais interessantes.


Aceitamos a responsabilidade, em vez de culpar outras pessoas por nossos sentimentos, ao reconhecermos nossas próprias necessidades, desejos, expectativas, valores ou pensamentos. Observe a diferença entre as seguintes expressões de desapontamento:

EXEMPLO 1

A: "Você me desapontou ao não aparecer na noite passada."
B: "Fiquei desapontado quando você não apareceu, porque eu queria conversar a respeito de algumas coisas que estavam me incomodando."

Na frase A, a pessoa atribui a responsabilidade pelo desapontamento somente à atitude da outra pessoa. Em B, o sentimento de desapontamento é reconhecido no desejo da própria pessoa que fala, o qual não está sendo atendido

EXEMPLO 2

A: "Fiquei realmente irritado por eles terem cancelado o contrato."
B: "Quando eles cancelaram o contrato, senti-me realmente irritado, porque fiquei pensando que aquilo tinha sido de uma irresponsabilidade absurda."

Na frase A, a pessoa atribui sua irritação exclusivamente ao comportamento da outra pessoa, ao passo que, na frase B, ela aceita a responsabilidade por seus sentimentos, ao reconhecer o pensamento por trás deles. Ela reconhece que seu modo recriminatório de pensar havia gerado sua irritação.

Entretanto, a CNV encoraja a pessoa a ir além, identificando o que ela está querendo, qual desejo, expectativa ou necessidade não foi atendida? Quanto mais formos capazes de relacionar nossos sentimentos às nossas próprias necessidades, mais fácil será para os outros reagir compassivamente. Para relacionar seus sentimentos ao que ela estava querendo, a pessoa da frase B poderia ter dito:
 "Quando eles cancelaram o contrato, fiquei realmente irritado, porque eu tinha esperanças de recontratar os empregados que dispensamos no ano passado".

Fazer distinção entre doar de coração e ser motivado pela culpa


Atribuir o sentimento a outras pessoas é criar motivação pela culpa. Dizer: “mamãe fica triste quando você vai mal na escola”, significa inferir que a criança é a causa da felicidade da mãe. Isso pode ser confundido com preocupação positiva: parece que a criança se preocupa e se sente mal de ver a mãe sofrer, mas na verdade ela age, se agir, para evitar culpa.

Alguns padrões de linguagem ajudam a mascarar a responsabilidade por nossos sentimentos:

1. O uso de expressões e pronomes impessoais, como algo e isso:

·         “Algo que realmente me enfurece é quando erros de ortografia aparecem em nossos folhetos para o público"
·         “Isso me aborrece muito".

2. Afirmações que somente mencionam as ações de outros:

·         “Quando você não me liga em meu aniversário fico magoado";
·         "Mamãe fica desapontada quando você não termina de comer”.

 3. O uso da expressão "Sinto-me [uma emoção] porque" seguida de uma pessoa ou pronome pessoal que não eu.

·         “Sinto-me magoado porque você disse que não me amava".
·         "Sinto-me zangado porque a supervisora não cumpriu sua promessa".

 --- Expressaríamos melhor, no entanto, assumindo a responsabilidade, talvez assim:

1.      "Sinto-me realmente enfurecido quando erros de ortografia como esse aparecem em nossos folhetos para o público por que eu quero que nossa companhia projete uma imagem profissional.
2.      "Mamãe fica desapontada quando você não termina de comer, porque eu quero que você cresça forte e saudável"
3.      Sinto-me zangado por a supervisora não ter cumprido sua promessa, porque eu contava com aquele fim de semana para visitar meu irmão".


As necessidades na raiz dos julgamentos


Como já vimos, julgamentos, críticas, diagnósticos e interpretações dos outros são todas expressões alienadas e trágicas de nossas necessidades.
Quando uma esposa diz: "Você tem trabalhado até tarde todos os dias desta semana; você ama o trabalho mais do que a mim", ela está dizendo que sua necessidade de contato íntimo não está sendo atendida.

Quando expressamos nossas necessidades indiretamente, através do uso de avaliações, interpretações e imagens, é provável que os outros escutem nisso uma crítica e, por isso, tendem a investir sua energia na autodefesa ou no contra-ataque.

Se desejamos obter uma reação compassiva dos outros, expressar nossas necessidades interpretando ou diagnosticando o comportamento deles é jogar contra nós mesmos. Em vez disso, quanto mais diretamente conseguirmos conectar nossos sentimentos a nossas próprias necessidades, mais fácil será para os outros reagirem a estas com compaixão.

Infelizmente, a maioria de nós nunca foi ensinada a pensar em termos de necessidades. Estamos acostumados a pensar no que há de errado com as outras pessoas sempre que nossas necessidades não são satisfeitas. Assim, se desejamos que os casacos sejam pendurados no armário, por exemplo, podemos classificar nossos filhos de preguiçosos por deixá-los sobre o sofá.

Marshall nota em sua experiência que no momento em que as pessoas começam a conversar sobre o que precisam, em vez de falarem do que está errado com as outras, a possibilidade de encontrar maneiras de atender às necessidades de todos aumenta enormemente.

Eis algumas necessidades humanas universais:

Necessidades que todos nós compartilhamos.
Necessidades que todos nós compartilhamos.

A dor de expressarmos nossas necessidades versus A dor de não as expressarmos.


Se não valorizarmos nossas necessidades, os outros também podem não valorizá-Ias.

Num mundo onde somos frequentemente julgados severamente por identificarmos e revelarmos nossas necessidades, fazer isso pode ser bastante assustador.

As mulheres, em especial, estão sujeitas a críticas. Durante séculos, a imagem da mulher amorosa tem sido associada ao sacrifício e à negação de suas próprias necessidades, com o objetivo de cuidar dos outros. Devido ao fato de as mulheres serem socialmente ensinadas a considerar o cuidado com os outros como sua maior obrigação, elas muitas vezes aprenderam a ignorar as próprias necessidades.

Por ter medo de pedir o que precisa, uma mulher pode simplesmente deixar de dizer que ela teve um dia cheio, está cansada e gostaria de ter algum tempo à noite para si mesma; em vez disso, suas palavras saem como se fossem uma causa judicial: "Você sabe, não tive um momento para mim mesma o dia todo. Passei todas as camisas, lavei as roupas da semana toda, levei o cachorro ao veterinário, fiz o jantar, fiz a marmita do almoço e liguei para todos os vizinhos para avisar da reunião do bairro, então [implorando] ... que tal se você ... ?
Um pedido que reforça a crença de que elas não têm nenhum direito legítimo a suas necessidades e de que estas não são importantes.

mulher heropina
Amo, logo nego minhas necessidades.

"Não!", vem a resposta. O melancólico pedido provoca resistência de seus ouvintes, em vez de compaixão. Argumentar de um lugar em que ela “deveria” ou “mereceria” gera dificuldade em se ouvir e valorizar necessidades por trás dos pedidos.

No final, a mulher é novamente persuadida de que suas necessidades não importam, sem perceber que elas foram expressas de tal maneira que seria improvável obter uma reação favorável.

Da escravidão à libertação emocional.


No desenvolvimento em direção a um estado de libertação emocional, a maioria de nós parece passar, nos diz Marshall, por três estágios na maneira como nos relacionamos com os outros:

Estágio 1 - Escravidão emocional: vemos a nós mesmos como responsáveis pelos sentimentos dos outros.


Acreditamos que somos responsáveis pelos sentimentos dos outros. Achamos que devemos nos esforçar constantemente para manter todos felizes. Se eles não parecem felizes, sentimo-nos responsáveis e compelidos a fazer alguma coisa a respeito. Isso pode facilmente nos levar a ver as próprias pessoas que são mais próximas de nós como fardos.

Estágio 2 – Ranzinza: sentimos raiva, não queremos mais ser responsáveis pelos sentimentos dos outros.


Nessa fase, tomamos consciência do alto custo de assumir a responsabilidade pelos sentimentos dos outros e por tentar satisfazê-los em detrimento de nós mesmos. Quando percebemos quanto de nossa vida perdemos e quão pouco respondemos ao chamado de nossa própria alma, podemos ficar com raiva.

Às vezes reagimos e queremos ignorar totalmente tudo o que não seja nosso. Chutamos o balde. O que pode gerar sofrimento também, mas já é um passo adiante em relação a escravidão emocional.

Estágio 3 – Libertação emocional: assumimos a responsabilidade por nossas intenções e ações.


Na terceira etapa, a libertação emocional, respondemos às necessidades dos outros por compaixão, nunca por medo, culpa ou vergonha.

Aceitamos total responsabilidade por nossas intenções e ações, mas não pelos sentimentos dos outros. Nesse estágio, temos consciência de que nunca poderemos satisfazer nossas próprias necessidades à custa dos outros.

A libertação emocional envolve afirmar claramente o que necessitamos, de uma maneira que deixe óbvio que estamos igualmente empenhados em que as necessidades dos outros sejam satisfeitas.
Isso é CNV.

Exercício - Reconhecendo necessidades


Para praticar a identificação de necessidades, faça um círculo ao redor do número (ou memorize) em frente de todas as afirmações abaixo em que a pessoa estiver assumindo a responsabilidade por seus sentimentos.

  1. Você me irrita quando deixa documentos da empresa no chão da sala de conferências.
  2. Fico com raiva quando você diz isso, porque quero respeito e ouço suas palavras como um insulto.
  3. Sinto-me frustrada quando você chega atrasado.
  4. Estou triste por você não vir para jantar, porque eu estava esperando que pudéssemos passar a noite juntos.
  5. Estou desapontado porque você disse que faria aquilo e não o fez.
  6. Estou desmotivado porque gostaria de já ter progredido mais em meu trabalho.
  7. As pequenas coisas que as pessoas dizem às vezes me magoam.
  8. Sinto-me feliz porque você recebeu aquele prêmio.
  9. Fico com medo quando você levanta a voz.
  10. Estou grato por você ter me oferecido uma carona, porque eu precisava chegar em casa antes das crianças.

.
.
....

Respostas de Marshall Rosenberg para o exercício.


1. Se você circulou esse número, discordamos. Para mim, essa afirmação implica que o comportamento da outra pessoa é exclusivamente responsável pelos sentimentos de quem falou. Ela não revela as necessidades ou pensamentos que estão contribuindo para os sentimentos dessa pessoa. Para tanto, a pessoa poderia ter dito: "Fico irritado quando você deixa documentos da companhia no chão da sala de conferências, porque quero que nossos documentos sejam guardados em segurança e fiquem acessíveis':

2. Se você circulou esse número, concordamos em que a pessoa está assumindo a responsabilidade por seus sentimentos.

3. Se você circulou esse número, discordamos. Para expressar as necessidades ou ensamentos subjacentes a seus sentimentos, a pessoa poderia ter dito: "Sinto-me frustrada quando você chega atrasado, porque eu esperava que conseguíssemos poltronas na primeira fila”.

4 Se você circulou esse número, concordamos em que a pessoa está assumindo a responsabilidade por seus sentimentos.

5. Se você circulou esse número, discordamos. Para expressar as necessidades ou pensamentos subjacentes a seus sentimentos, a pessoa poderia ter dito: "Quando você disse que faria aquilo e depois não o fez, fiquei desapontada, porque eu gostaria de poder confiar em sua palavra':

6. Se você circulou esse número, concordamos em que a pessoa está assumindo a responsabilidade por seus sentimentos.

7. Se você circulou esse número, discordamos. Para expressar as necessidades ou pensamentos subjacentes a seus sentimentos, a pessoa poderia er dito."Às vezes quando as pessoas dizem algumas coisinhas, fico magoado, porque ser valorizado, não criticado”.

8.Se você circulou esse número, discordamos. Para expressar as necessidades e pensamentos subjacentes a seus sentimentos, a pessoa poderia ter dito'. "Quando você recebeu aquele prêmio, fiquei feliz, porque eu esperava que você fosse reconhecido por todo o trabalho que dedicou àquele projeto”.

9. Se você circulou esse número, discordamos. Para expressar as necessidades e pensamentos subjacentes a seus sentimentos, a pessoa poderia ter dito. "Quando você levanta sua voz, fico com medo, porque digo para mim mesma que alguém pode se ferir aqui, e preciso ter a certeza de que todos estamos seguros”

10. Se você circulou esse número, concordamos em que a pessoa está assumindo a responsabilidade por seus sentimentos.




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Com que profissão eu vou?

2017/11/28 | Nenhum comentário | |




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Vamos discutir um pouco sobre escolha profissional e adolescência;) 

Associar à escolha profissional a um projeto de vida e ao autoconhecimento são provocações pelas quais os adolescentes nem sempre estão preparados para enfrentar. É sempre um desafio! Cabe ressaltar, que a escolha profissional é um sintoma completamente saudável e diz do amadurecimento de cada um de nós. 

A escolha profissional, no Brasil, pode ser considerada precoce uma vez que, na maioria das vezes, é exigida ao final da conclusão do ensino médio, aos 17 anos. Mais que isso, o ambiente escolar tradicional nem sempre prepara os estudantes para realizar essa opção pelo futuro profissional e nem há orientação para a construção de um projeto de vida.



escolha profissional, como escolher?



A experiência em consultório indica a existência de um desconhecimento pueril sobre os cursos e opções de carreira pretendida, e, geralmente, os jovens chegam até os vestibulares mais movidos por idealizações de profissões ou cursos, do que propriamente por opções pautadas em análises mais criteriosas que os levem a maior assertividade no momento da escolha profissional.

A escolha profissional é um processo e ao adolescente cabe escolher uma profissão que orientará seu futuro em meio a inúmeras modificações sociais e hormonais que lhes são inerentes nesta fase da vida. 


Além disso, existem milhares de opções de escolha, cada dia surge uma nova profissão no mercado e este se modifica a todo instante. A volatilidade do mercado faz com em meio há infinitas possibilidades haja uma “desorientação profissional” e a economia do país não garante nenhuma solidez. Desse modo, é sempre preciso inovar, em qualquer área de atuação. 



No Brasil o trabalho ou a carreira estão intimamente ligados a um valor social e as pessoas são delimitadas, muitas vezes, pelo status social de sua escolha profissional. As crianças sempre escutam: O que você vai ser quando crescer? Neste momento já está girando a roleta da escolha profissional. 


Com o passar dos anos e o fim do ciclo escolar, o adolescente é convocado a um posicionamento e uma decisão final! Acabou o tempo! A cobrança social e familiar faz com que o adolescente se pergunte: E agora? Mesmo que exista um sonho de infância de seguir uma determinada carreira, há uma insegurança natural. 

E, além disso, qualquer que seja a situação monetária da família, neste momento o adolescente é convocado socialmente a responder pela sua escolha: Você já está na faculdade? Você vai trabalhar ou estudar? Você já arrumou um emprego? O que você quer para o seu futuro? Sua família não vai te sustentar pelo resto da vida, já pensou nisso?

E o adolescente, está preparado emocionalmente? 

Será que os adolescentes conseguem vislumbrar que a escolha profissional não é algo rígido como demanda a sociedade? As inúmeras possibilidades, quando encaradas com clareza, são a garantia de que é possível reinventar qualquer profissão e o próprio mercado de trabalho. Há, cada vez mais, uma exigência pela criatividade de qualquer profissional. Entretanto, é preciso ter clareza de que equívocos acontecem e que escolher o caminho errado não é o fim do mundo, a vida existe para sempre recomeçarmos. 

Na contemporaneidade, o processo de escolha profissional é um momento paralelo ao processo de construção da identidade do sujeito. Todos os elementos de seu mundo psíquico e sua história de vida, integram seu processo de escolha: suas expectativas em relação a si e aos outros, seus gostos, habilidades desenvolvidas, imagens registradas em seu mundo particular, seus limites, possibilidades e desejos, ou seja, todo o seu mundo interno é mobilizado neste momento. 

Diante disso, uma dica é ampliar os horizontes e deixar as pressões pessoais e sociais em segundo plano. O estresse é inimigo de uma boa escolha. Contar com a ajuda da família, dos amigos e de um profissional também são dicas importantes, pois as dificuldades se tornam mais leves quando podemos ampliar nossa visão de mundo através do outro. Se estiver difícil demais: procure ajuda! 

Uma dica: esteja sempre aberto(a) às novidades, uma profissão pode se desmembrar em vários caminhos. Informe-se: amplie seus conhecimentos com relação ao mercado de trabalho, às novas profissões e às tendências e tenha mais elementos para fazer sua escolha profissional com mais autonomia e assertividade.

Em todos os momentos da vida ela nos pede que façamos escolhas e que tenhamos posicionamento frente a nossas convicções. A profissão é apenas uma delas. E então: estamos prontos para encarar as consequências de nossas escolhas? O amadurecimento está vinculado à compreensão mínima do porquê de nossas vontades e desejos. Para isso, o autoconhecimento é fundamental e está intimamente ligado à decisões de sucesso. Na dúvida, sempre invista e aposte em você! 


Sobre o Autor:


Andressa do Carmo Pereira Sou Andressa do Carmo Pereira, 27 anos, Psicóloga, Coach, mineira e apaixonada pelos temas: empreendedorismo, adolescência, juventude, carreira e comportamento humano. Saiba mais >>>
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Como alimentar um camaleão racista?

2017/11/27 | Nenhum comentário | |



Tags: William Waack, Taís Araújo, racismo, meme, camaleão, homem aranha, senso comum, Day McCarthy, Bruno Gagliasso, Giovanna Ewbank

Ainda não sabe quem eu sou? Veja no primeiro link da bibliografia[1].

Bem, segunda-feira dia 20 de novembro de 2017, foi o dia da consciência negra. Um dia bastante importante para a história do povo negro. Um dia com bastante reflexões a serem tomadas.

Porém o que me motiva a escrever este texto não é apenas o dia, mas sim o mais recente ato de racismo na semana do dia 20 a 26 de novembro de 2017.

A atriz Taís Araújo foi uma palestrante no evento TedxSaoPaulo[2], e ela discutiu sobre como criar os filhos em um país como o Brasil. Uma das declarações foi ter dito que a cor do seu filho era motivo para as pessoas mudarem de calcada.

taís araújo é vítima de racismo

“No Brasil, a cor do meu filho é o que faz que as pessoas mudem de calçada, segurem suas bolsas, blindem o seus carros.”

Esta afirmação foi o motivo de diversos memes na internet de caráter RACISTA[3], com a justificativa de que a atriz estaria sendo vitimista. Muitos destes memes foram divulgados por pessoas famosas e influentes, como o Youtuber Nando Moura[4], o presidente da EBC e o secretário de Educação do Rio Cesar Benjamin[5]. E é engraçado que estas pessoas são contra o racismo (ou se declaram contra o racismo), mas acabaram de cometer um ato racista sem sua percepção. E ainda por cima ridicularizaram as falas da atriz, falando que ela não estava combatendo o racismo. Foi uma completa falta de empatia não só com a atriz, mas com todas as pessoas negras vítimas do racismo.

julgamentos


E você deve estar se perguntando o porquê do compartilhamento dos memes ser um ato racista.

Antes, se puderem dar uma lida no capitulo 2[6] e 3[7] da Comunicação não-violenta deste mesmo blog, eu recomendo porque tem a ver com o assunto.

Houve uma projeção de valores destas pessoas mencionadas em relação a Taís Araújo. Esta projeção é até mesmo em relação a sua forma de combater o racismo. Entenderam a frase na SUA maneira de combater o racismo, apenas no contexto deles de que qualquer um iria tratar o filho da Tais Araújo de forma igual. Mas isso não é verdade, uma vez que o Spartakus Vlog[3] exemplifica essa situação, até mesmo citando negros bem sucedidos que também sofrem racismo. 

Essa maneira de interpretar a fala da atriz como vitimismo permitiu que o assunto fosse humorizado, tanto que os memes surgiram a partir desta percepção do vitimismo. Um exemplo é compararem o filho da Tais Araújo com um extraterrestre ou um animal selvagem, segundo tais interpretações. Tal pratica foi o racismo. Em outras palavras, eles não sabem como combater o racismo, e ainda o propagam (com ou sem sua conscientização, mas isso dependeria de seu nível de malícia). É um pensamento muito típico de pessoas que pensam apenas no mundo ao seu redor, como se eles estivessem presos em uma bolha social[8].


Essa questão de não saber como combater o racismo (e ainda achar que é problematizado) tem reflexões também no recente caso do afastamento do jornalista William Waack pela Rede Globo pela sua declaração racista[9]. Isto pois apareceram pessoas para defender o jornalista dizendo que ele não foi racista[10], sendo que a fala dele foi gravada e tem cunho racista[11]. E a maior afirmação de defesa foram utilizar falácias, como a teoria da conspiração do “Politicamente Correto”, de as pessoas terem inveja do jornalista, de um golpe arquitetado pela militância da esquerda, dentre outros. E é notável que a gravação só foi ao ar UM ANO DEPOIS do ocorrido, no qual é necessário um debate amplo do porquê desta demora de denunciar. Isto pois muito reflete na realidade do racismo no Brasil.

Eu diria que o racismo é como se fosse um camaleão, que é um animal que muda de pele para poder se aproximar de sua presa. Um dos vilões do Homem Aranha se chama Camaleão, que consegue mudar de aparência para poder se misturar entre as pessoas. Só que neste caso, o racismo não é um ser vivo. São características sociais que o ser humano absorveu inconscientemente. Com o tempo, tais características foram mudando de face, de estilo, de forma a se manter na nossa sociedade sem que ela perceba. Existem muitos traços racistas que a sociedade herdou vindos desta troca de pele constante do racismo. Por isso, é muito difícil se dizer contra o racismo e ao mesmo tempo possuir influência do senso comum.

máscaras de um camaleão



Enfatizando esta ideia do camaleão, vejamos o caso do dia 26 de novembro de 2017, em que a Day McCarthy chamou Titi, filha do Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank de “macaca”, e ainda atacou a aparência da criança[12].
“A menina é preta. Tem o cabelo horrível de pico de palha. Tem o nariz de preto horrível. E o povo fala que a menina é linda”

Existem muitas pessoas como McCarthy que criticam os negros ao serem elogiados. Porém, ao contrário da socialite, eles não são fáceis de serem identificados (e não querem ser identificados) e fazem estes tipos de comentários abertamente (muitas vezes tomando cuidado para continuar com sua invisibilidade), sendo que em certas situações as pessoas ao redor fazem de conta que não viram o ato racista. Tais indivíduos, como McCarthy, se sentem ameaçados por um negro estar ganhando mais visibilidade do que a mesma[13].

Lembrando que estes indivíduos estão em um nível diferente das pessoas que não são racistas, mas que enxergam frescura e exagero em alguns pontos no combate ao racismo, e consequentemente dificultam esse combate (como a polêmica no caso da Taís Araújo, em que era aceitável os memes publicados em relação ao seu filho). Logo, é importante saber desta invisibilidade do racismo, pois identificando-o será mais fácil para encontrar uma maneira de combate-lo.

 ilha de bruno gagliasso e giovanna ewbank sofre racismo


Desta forma, penso que essa semana da Consciência Negra é essencial para a reflexão do porquê de ainda existir racismo no Brasil. É obvio que o combate ao racismo exige que a sociedade fique livre destes pensamentos comuns, e que ela realmente entenda as consequências do racismo na estrutura social do país. Muitas pessoas pensam que Morgan Freeman está correto sobre a consciência negra, mas não está[14]. Em sua fala, da mesma forma que Nando Moura e cia, houve juízos de valores, e não condiz com a realidade histórica que os negros passaram. E é claro que a história de Consciência Negra não tem absolutamente nada a ver com a forma que tratamos nossos semelhantes nos tempos atuais, sejam as pessoas que concordem com Freeman ou não concordam. 

Aceitar a Consciência Negra não é racismo, mas negar sua história abre as portas para o mesmo. Um racismo que está oculto por muito tempo, e que de forma alguma quer ser exposto.

Bibliografia:


 [2] Taís Araújo faz discurso forte sobre criar seus filhos no Brasil - https://claudia.abril.com.br/famosos/tais-araujo-discurso-criar-filhos-tedx/
[3] OS MEMES RACISTAS DA TAÍS ARAÚJO - Preconceito racial, social e lugar de fala – SpartakusVlog - https://www.youtube.com/watch?v=TI04ky3s48Y
[4] Taís Araújo e sua CONSCIÊNCIA NEGRA!!! - https://www.youtube.com/watch?v=eokS3qiCijM
[6] Comunicação não violenta, Capítulo 2: a comunicação que bloqueia a compaixão - http://www.oespaco.net/2017/10/cnv-comunicacao-que-bloqueia-compaixao.html
[7] Comunicação não-violenta, Capítulo 3: observar sem avaliar - http://www.oespaco.net/2017/11/cnv-observar-sem-avaliar.html
[8] Você está em uma BOLHA SOCIAL? Descubra! - https://www.youtube.com/watch?v=COgkI7GhFR0
 [9] Globo afasta William Waack após comentário racista vazar em vídeo - https://brasil.elpais.com/brasil/2017/11/09/politica/1510184872_072863.html
[11] 18 expressões racistas que você usa sem saber - https://www.geledes.org.br/18-expressoes-racistas-que-voce-usa-sem-saber/
[13] A FILHA DO BRUNO GAGLIASSO E A REAL DISCRIMINAÇÃO - Muito além de "macaca" – SpartakusVLOG - https://www.youtube.com/watch?v=4i4wpTN-4zA

Sobre o Autor:
Rafael Henrique Engenheiro de Energia pela PUC-MG, e fazendo mestrado em Planejamento de Sistemas Energéticos pela UNICAMP. Já fez intercâmbio em Flagstaff (EUA) pelo CsF, além de trabalhar por um ano na ONG Engenheiros sem Fronteiras Núcleo BH. Crê que a Engenharia pode criar uma grande transformação no mundo em aspectos econômicos, ambientais, políticos e sociais, da mesma forma que as demais ciências.
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Comunicação não-violenta, Capítulo 4: identificando e expressando sentimentos

2017/11/21 | Nenhum comentário | |


  

“Nosso repertório de palavras para rotular os outros costuma ser maior do que o vocabulário para descrever claramente nossos estados emocionais”.

comunicação não-violenta: identificando e expressando os sentimentos


Aos poucos vamos construindo e aprofundando o conceito de Comunicação não-violenta apresentado por Marshall, seus princípios, suas peças, propostas e objetivos.

O primeiro componente da CNV é observar sem avaliar; no capítulo 4, investigamos o segundo: expressar como nos sentimos.

“O psicanalista Rollo May afirma que a pessoa madura se torna capaz de diferenciar sentimentos em muitas nuanças: algumas experiências são fortes e apaixonadas, ao passo que outras são delicadas e sensíveis, tal qual os diferentes trechos de uma sinfonia. Entretanto, para muitos de nós, os sentimentos são, nas palavras de May, ‘limitados como as notas de um toque de clarim’”.

O alto custo dos sentimentos não expressos


Aqui no Brasil, tem-se uma longa trajetória na educação que vai da infância até, pelo menos, o fim da adolescência. Dentro dessa trajetória, você se lembra da última vez em que foi perguntaram como estava se sentindo? Em relação ao processo, suas vivências e tudo o que o cerca?

É provável que isso nunca tenha acontecido. Ao contrário, o estímulo costuma vir no sentido contrário.

Nossa cultura, assim como a americana de Marshall, valoriza uma “maneira certa de pensar” que nos leva a estar sempre “direcionados aos outros” em vez de em contato com nós mesmos. Aprendemos a focar sempre no que é externo:

"O que será que os outros acham que é certo eu dizer e fazer?"

O habitual é termos nossos sentimentos alienados:

·         “Menino grande não chora”.
·         “Você já é mocinha tem que se comportar”.

Marshall identifica um problema recorrente em casamentos: mulheres que nunca sabem o que os maridos estão sentindo. Casamentos onde não existem diálogo e a menor conexão.

“É como se estivesse vivendo com uma parede”.

O tema também é abordado de forma mais profunda no livro Inteligência Emocional, no capítulo Inimigos Íntimos, Daniel Goleman traz o contexto com mais detalhes:

Na infância, o homem tem a parte emocional completamente suprimida. É negado o acesso aos próprios sentimentos. Como se manter uma postura robótica fosse sinal de estabilidade, o que na verdade é só causa de muito sofrimento.

Isso acaba sendo motivo de dissonância em inúmeras relações matrimoniais. A mulher, que normalmente tem o aprendizado emocional um pouco mais refinado, espera, sem sucesso, uma presença mais sensível do seu par. Uma desconexão que vai, aos poucos, corroendo aquela união de dentro pra fora.

Goleman também mostra que o desconhecimento das próprias emoções pode ser até uma questão patológica. Alexitimia é um termo que diz respeito à marcante dificuldade em descrever emoções, sentimentos e sensações corporais.

Um dos principais sintomas é a confusão entre sensações e sentimentos. Outro principal sintoma reside na grande dificuldade em expressar os sentimentos através de palavras. O alexitímico costuma relacionar suas sensações físicas aos seus sentimentos. Por exemplo, após sofrer um duro golpe emocional, o alexitímico irá reclamar de dor de cabeça ou fadiga, mas não saberá relatar de forma clara o que realmente sentiu.

Remover

comunicação não violenta: alexitimia


É interessante quando a gente percebe que a não clareza dos sentimentos chega a ser uma patologia, mas antes disso, é uma deficiência que causa muito sofrimento à nós mesmos e à todas as pessoas que nos cercam. Nesse contexto, a ausência de um vocabulário adequado carrega um importante papel.

Sentimentos versus não-sentimentos


Abaixo, três vezes em que tentamos expressar sentimentos, mas estamos expressando outras coisas:

1 – Pensamentos e opiniões. 
“Sinto que não consegui um acordo justo”.

Uma das grandes confusões da nossa linguagem é o uso do verbo sentir sem expressar sentimento nenhum. A frase acima, por exemplo, poderia ter o “sinto” substituído por acho, penso, creio...

Via de regra, os sentimentos não estão sendo claramente expressos quando a palavra sentir vem seguida de:

A. Termos como que, como, como se:
·         "Sinto que você deveria saber isso melhor do que ninguém".
·         "Sinto-me como um fracassado".
·         "Sinto como se estivesse vivendo com uma parede".

B. Vocábulo que seguido de pronomes como eu, ele, ela, eles, isso, etc.:
·         "Sinto que eu tenho de estar constantemente disponível".
·         "Sinto que isso é inútil".

C. Vocábulo que seguido de nomes ou palavras que se referem a pessoas:
·         "Sinto que Lúcia tem sido bastante responsável".
·         "Sinto que meu chefe está me manipulando".

 


2 – Descrições a respeito de nós mesmos.


Também é importante diferenciar sentimentos genuínos de descrições e opiniões a respeito de nós mesmos.

A. Uma descrição do que pensamos que somos:
·         "Sinto que sou mau violonista".

Nessa afirmação, estou avaliando minha habilidade como violonista, em vez de expressar claramente meus sentimentos.

B. Expressões de sentimentos verdadeiros:
·         "Estou me sentindo desapontado comigo mesmo como violonista".
·         "Sinto impaciência comigo mesmo como violonista".
·         "Sinto-me frustrado comigo mesmo como violonista".


3 – Como eu acho que o outro se comporta.


Essa é bastante comum e bastante difícil de diferenciar. Confundimos facilmente o que sentimos com a nossa opinião a respeito do comportamento do outro:

A. "Sinto-me insignificante para as pessoas com quem trabalho".
A palavra insignificante descreve como acho que os outros estão me avaliando, e não um sentimento real, que, nessa situação, poderia ser "sinto-me triste” ou “sinto-me desestimulado."

B. "Sinto-me incompreendido."
Aqui, a palavra “incompreendido” indica minha avaliação do nível de compreensão de outra pessoa, em vez de um sentimento real. Nessa situação, posso estar me sentindo ansioso, ou aborrecido, ou estar sentindo alguma outra emoção.

C. "Sinto-me ignorado".
Mais uma vez, isso é mais uma interpretação das ações dos outros do que uma descrição clara de como estou me sentindo. Sem dúvida, terá havido momentos em que pensamos estar sendo ignorados e nosso sentimento terá sido de alívio, porque queríamos ser deixados sozinhos. Da mesma forma, terá havido outros momentos em que nos sentimos magoados por estar sendo ignorados, porque queríamos participar.

Outras palavras que expressam uma opinião à cerca do comportamento do outro:

palavras que não são sentimentos 


Construindo um vocabulário para os sentimentos.


É essencial que construamos um vocabulário rico capaz de representar emoções específicas no lugar de palavras genéricas e vagas, como por exemplo: “sinto-me bem com essa notícia”.

A palavra bem pode significar aliviado, alegre, empolgado...

Utilizar de termos vagos como bem ou mal pode bloquear a conexão, já que o interlocutor não se encontra de fato com o que estamos sentindo.

Para ajuda nessa construção, Marshall oferece uma gama de palavras que descrevem claramente uma ampla faixa de estados emocionais.

Quando nossas necessidades estão atendidas: 

quando nossa necessidade é atendida

Quando nossas necessidades não estão sendo atendidas:

quando a necessidade não é atendida


·    Exercício:

Para testar nosso alinhamento à cerca da verbalização dos sentimentos, o livro nos oferece 10 afirmações. Marque (guarde) aquelas que estão sendo expressadas verbalmente.

  1. Acho que você não me ama.
  2. Estou triste porque você está partindo.
  3. Fico com medo quando você diz isso.
  4. Quando você não me cumprimenta, sinto-me negligenciado.
  5. Estou feliz que você possa vir.
  6. Você é nojento.
  7. Sinto vontade de bater em você.
  8. Sinto-me mal interpretado.
  9. Sinto-me bem a respeito do que você fez por mim.
  10. Não tenho nenhum valor.

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 -------------------- Respostas:


1. Se você circulou esse número, discordamos. Não considero que "Você não me ama" seja um sentimento. Para mim, a frase expressa o que a pessoa acha que a outra está sentindo, e não o que ela mesma está sentindo. Quando a palavra sinto é seguida de pronomes como eu, você, ele, ela, eles, isso, que, como ou como se, o que se segue geralmente não é o que eu consideraria um sentimento.
Exemplos de expressões de sentimentos poderiam ser "estou triste" ou "estou me sentindo angustiado”':

2. Se você circulou esse número, estamos de acordo em que um sentimento foi expresso verbalmente.

3. Se você circulou esse número, estamos de acordo em que um sentimento foi expresso verbalmente.

4. Se você circulou esse número, discordamos. Não considero que negligenciado seja um sentimento. Para mim, essa palavra expressa o que a pessoa pensa que outra está fazendo a ela. Uma expressão de sentimento poderia ser "Quando você não me cumprimenta à porta, sinto-me solitário".

5. Se você circulou esse número, estamos de acordo em que um sentimento foi expresso verbalmente.

6. Se você circulou esse número, discordamos. Não considero que nojento seja um sentimento. Para mim, essa palavra expressa o que uma pessoa pensa da outra, e não como ela se sente. Uma expressão de sentimento poderia ser "Sinto-me enojado”.

7. Se você circulou esse número, discordamos. Não considero que ter vontade de bater em alguém seja um sentimento. Para mim, isso expressa o que uma pessoa se imagina fazendo, e não como ela está se sentindo. Uma expressão de sentimento poderia ser "Estou furioso com você”.

8. Se você circulou esse número, discordamos. Não considero que mal interpretado seja um sentimento. Para mim, essa expressão diz o que uma pessoa acha que a outra está fazendo. Nesse caso, uma expressão de sentimento poderia ser "Sinto-me frustrado", ou "Sinto-me desestimulado”.
9. Se você circulou esse número, estamos de acordo em que um sentimento foi expresso verbalmente. No entanto, a palavra bem é vaga quando utilizada para expressar um sentimento. Geralmente podemos expressar nossos sentimentos mais claramente usando outras palavras - por exemplo, nesse caso, aliviado, gratificado ou estimulado.

10. Se você circulou esse número, discordamos. Não considero que "Não tenho nenhum valor" seja um sentimento. Para mim, a frase expressa o que uma pessoa pensa de si mesma, e não o que ela está sentindo. Exemplos de uma expressão de sentimentos poderiam ser "Sou cético quanto aos meus próprios talentos" ou "Sinto-me digno de pena".

Até o próximo capítulo!




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