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Comunicação não-violenta, Capítulo 4: identificando e expressando sentimentos

2017/11/21 | Nenhum comentário | |


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“Nosso repertório de palavras para rotular os outros costuma ser maior do que o vocabulário para descrever claramente nossos estados emocionais”.

comunicação não-violenta: identificando e expressando os sentimentos


Aos poucos vamos construindo e aprofundando o conceito de Comunicação não-violenta apresentado por Marshall, seus princípios, suas peças, propostas e objetivos.

O primeiro componente da CNV é observar sem avaliar; no capítulo 4, investigamos o segundo: expressar como nos sentimos.

“O psicanalista Rollo May afirma que a pessoa madura se torna capaz de diferenciar sentimentos em muitas nuanças: algumas experiências são fortes e apaixonadas, ao passo que outras são delicadas e sensíveis, tal qual os diferentes trechos de uma sinfonia. Entretanto, para muitos de nós, os sentimentos são, nas palavras de May, ‘limitados como as notas de um toque de clarim’”.

O alto custo dos sentimentos não expressos


Aqui no Brasil, tem-se uma longa trajetória na educação que vai da infância até, pelo menos, o fim da adolescência. Dentro dessa trajetória, você se lembra da última vez em que foi perguntaram como estava se sentindo? Em relação ao processo, suas vivências e tudo o que o cerca?

É provável que isso nunca tenha acontecido. Ao contrário, o estímulo costuma vir no sentido contrário.

Nossa cultura, assim como a americana de Marshall, valoriza uma “maneira certa de pensar” que nos leva a estar sempre “direcionados aos outros” em vez de em contato com nós mesmos. Aprendemos a focar sempre no que é externo:

"O que será que os outros acham que é certo eu dizer e fazer?"

O habitual é termos nossos sentimentos alienados:

·         “Menino grande não chora”.
·         “Você já é mocinha tem que se comportar”.

Marshall identifica um problema recorrente em casamentos: mulheres que nunca sabem o que os maridos estão sentindo. Casamentos onde não existem diálogo e a menor conexão.

“É como se estivesse vivendo com uma parede”.

O tema também é abordado de forma mais profunda no livro Inteligência Emocional, no capítulo Inimigos Íntimos, Daniel Goleman traz o contexto com mais detalhes:

Na infância, o homem tem a parte emocional completamente suprimida. É negado o acesso aos próprios sentimentos. Como se manter uma postura robótica fosse sinal de estabilidade, o que na verdade é só causa de muito sofrimento.

Isso acaba sendo motivo de dissonância em inúmeras relações matrimoniais. A mulher, que normalmente tem o aprendizado emocional um pouco mais refinado, espera, sem sucesso, uma presença mais sensível do seu par. Uma desconexão que vai, aos poucos, corroendo aquela união de dentro pra fora.

Goleman também mostra que o desconhecimento das próprias emoções pode ser até uma questão patológica. Alexitimia é um termo que diz respeito à marcante dificuldade em descrever emoções, sentimentos e sensações corporais.

Um dos principais sintomas é a confusão entre sensações e sentimentos. Outro principal sintoma reside na grande dificuldade em expressar os sentimentos através de palavras. O alexitímico costuma relacionar suas sensações físicas aos seus sentimentos. Por exemplo, após sofrer um duro golpe emocional, o alexitímico irá reclamar de dor de cabeça ou fadiga, mas não saberá relatar de forma clara o que realmente sentiu.

Remover

comunicação não violenta: alexitimia


É interessante quando a gente percebe que a não clareza dos sentimentos chega a ser uma patologia, mas antes disso, é uma deficiência que causa muito sofrimento à nós mesmos e à todas as pessoas que nos cercam. Nesse contexto, a ausência de um vocabulário adequado carrega um importante papel.

Sentimentos versus não-sentimentos


Abaixo, três vezes em que tentamos expressar sentimentos, mas estamos expressando outras coisas:

1 – Pensamentos e opiniões. 
“Sinto que não consegui um acordo justo”.

Uma das grandes confusões da nossa linguagem é o uso do verbo sentir sem expressar sentimento nenhum. A frase acima, por exemplo, poderia ter o “sinto” substituído por acho, penso, creio...

Via de regra, os sentimentos não estão sendo claramente expressos quando a palavra sentir vem seguida de:

A. Termos como que, como, como se:
·         "Sinto que você deveria saber isso melhor do que ninguém".
·         "Sinto-me como um fracassado".
·         "Sinto como se estivesse vivendo com uma parede".

B. Vocábulo que seguido de pronomes como eu, ele, ela, eles, isso, etc.:
·         "Sinto que eu tenho de estar constantemente disponível".
·         "Sinto que isso é inútil".

C. Vocábulo que seguido de nomes ou palavras que se referem a pessoas:
·         "Sinto que Lúcia tem sido bastante responsável".
·         "Sinto que meu chefe está me manipulando".

 


2 – Descrições a respeito de nós mesmos.


Também é importante diferenciar sentimentos genuínos de descrições e opiniões a respeito de nós mesmos.

A. Uma descrição do que pensamos que somos:
·         "Sinto que sou mau violonista".

Nessa afirmação, estou avaliando minha habilidade como violonista, em vez de expressar claramente meus sentimentos.

B. Expressões de sentimentos verdadeiros:
·         "Estou me sentindo desapontado comigo mesmo como violonista".
·         "Sinto impaciência comigo mesmo como violonista".
·         "Sinto-me frustrado comigo mesmo como violonista".


3 – Como eu acho que o outro se comporta.


Essa é bastante comum e bastante difícil de diferenciar. Confundimos facilmente o que sentimos com a nossa opinião a respeito do comportamento do outro:

A. "Sinto-me insignificante para as pessoas com quem trabalho".
A palavra insignificante descreve como acho que os outros estão me avaliando, e não um sentimento real, que, nessa situação, poderia ser "sinto-me triste” ou “sinto-me desestimulado."

B. "Sinto-me incompreendido."
Aqui, a palavra “incompreendido” indica minha avaliação do nível de compreensão de outra pessoa, em vez de um sentimento real. Nessa situação, posso estar me sentindo ansioso, ou aborrecido, ou estar sentindo alguma outra emoção.

C. "Sinto-me ignorado".
Mais uma vez, isso é mais uma interpretação das ações dos outros do que uma descrição clara de como estou me sentindo. Sem dúvida, terá havido momentos em que pensamos estar sendo ignorados e nosso sentimento terá sido de alívio, porque queríamos ser deixados sozinhos. Da mesma forma, terá havido outros momentos em que nos sentimos magoados por estar sendo ignorados, porque queríamos participar.

Outras palavras que expressam uma opinião à cerca do comportamento do outro:

palavras que não são sentimentos 


Construindo um vocabulário para os sentimentos.


É essencial que construamos um vocabulário rico capaz de representar emoções específicas no lugar de palavras genéricas e vagas, como por exemplo: “sinto-me bem com essa notícia”.

A palavra bem pode significar aliviado, alegre, empolgado...

Utilizar de termos vagos como bem ou mal pode bloquear a conexão, já que o interlocutor não se encontra de fato com o que estamos sentindo.

Para ajuda nessa construção, Marshall oferece uma gama de palavras que descrevem claramente uma ampla faixa de estados emocionais.

Quando nossas necessidades estão atendidas: 

quando nossa necessidade é atendida

Quando nossas necessidades não estão sendo atendidas:

quando a necessidade não é atendida


·    Exercício:

Para testar nosso alinhamento à cerca da verbalização dos sentimentos, o livro nos oferece 10 afirmações. Marque (guarde) aquelas que estão sendo expressadas verbalmente.

  1. Acho que você não me ama.
  2. Estou triste porque você está partindo.
  3. Fico com medo quando você diz isso.
  4. Quando você não me cumprimenta, sinto-me negligenciado.
  5. Estou feliz que você possa vir.
  6. Você é nojento.
  7. Sinto vontade de bater em você.
  8. Sinto-me mal interpretado.
  9. Sinto-me bem a respeito do que você fez por mim.
  10. Não tenho nenhum valor.

.


 -------------------- Respostas:


1. Se você circulou esse número, discordamos. Não considero que "Você não me ama" seja um sentimento. Para mim, a frase expressa o que a pessoa acha que a outra está sentindo, e não o que ela mesma está sentindo. Quando a palavra sinto é seguida de pronomes como eu, você, ele, ela, eles, isso, que, como ou como se, o que se segue geralmente não é o que eu consideraria um sentimento.
Exemplos de expressões de sentimentos poderiam ser "estou triste" ou "estou me sentindo angustiado”':

2. Se você circulou esse número, estamos de acordo em que um sentimento foi expresso verbalmente.

3. Se você circulou esse número, estamos de acordo em que um sentimento foi expresso verbalmente.

4. Se você circulou esse número, discordamos. Não considero que negligenciado seja um sentimento. Para mim, essa palavra expressa o que a pessoa pensa que outra está fazendo a ela. Uma expressão de sentimento poderia ser "Quando você não me cumprimenta à porta, sinto-me solitário".

5. Se você circulou esse número, estamos de acordo em que um sentimento foi expresso verbalmente.

6. Se você circulou esse número, discordamos. Não considero que nojento seja um sentimento. Para mim, essa palavra expressa o que uma pessoa pensa da outra, e não como ela se sente. Uma expressão de sentimento poderia ser "Sinto-me enojado”.

7. Se você circulou esse número, discordamos. Não considero que ter vontade de bater em alguém seja um sentimento. Para mim, isso expressa o que uma pessoa se imagina fazendo, e não como ela está se sentindo. Uma expressão de sentimento poderia ser "Estou furioso com você”.

8. Se você circulou esse número, discordamos. Não considero que mal interpretado seja um sentimento. Para mim, essa expressão diz o que uma pessoa acha que a outra está fazendo. Nesse caso, uma expressão de sentimento poderia ser "Sinto-me frustrado", ou "Sinto-me desestimulado”.
9. Se você circulou esse número, estamos de acordo em que um sentimento foi expresso verbalmente. No entanto, a palavra bem é vaga quando utilizada para expressar um sentimento. Geralmente podemos expressar nossos sentimentos mais claramente usando outras palavras - por exemplo, nesse caso, aliviado, gratificado ou estimulado.

10. Se você circulou esse número, discordamos. Não considero que "Não tenho nenhum valor" seja um sentimento. Para mim, a frase expressa o que uma pessoa pensa de si mesma, e não o que ela está sentindo. Exemplos de uma expressão de sentimentos poderiam ser "Sou cético quanto aos meus próprios talentos" ou "Sinto-me digno de pena".

Até o próximo capítulo!

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Reclamar e desenvolver: duas coisas que não conseguem conviver

2017/11/20 | Nenhum comentário | |




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Blá, blá, blá...


Parece que trabalho foi feito pra gente reclamar dele, né? Só que não!

Quando alguém diz que está pleno e realizado no trabalho a gente assusta.

Quais valores você associa a uma pessoa realizada no trabalho? Pensou em dinheiro né?

Nós temos a mania de assimilar realização profissional ao dinheiro, posses e bens materiais, na maioria das vezes. Já parou para pensar que ser rico/milionário não é o sonho de todo mundo? Que tem pessoas que não sonham com grandes cargos e empregos?

A grande maioria das pessoas reclama do trabalho SIM. Não vamos mentir. E há uma variedade de fatores para a reclamação: o chefe, o colega, o salário, a cadeira, o ar condicionado... E às vezes até a formiga que passa por ali.

Tudo bem reclamar (mas, nem tanto), afinal somos seres humanos, mas e aí? O que você vai FAZER em relação a isso? Você sabe mensurar esse desconforto? É tão incomodo ao ponto de te tirar o humor, a vontade de seguir em frente? Ou você já está tão acostumado a reclamar que não para mais para pensar em soluções?

reclamar e desenvolver não dá pra fazer


As pessoas devem tomar para si a responsabilidade da condução de suas próprias carreiras. Neste sentido, é importante avaliarmos se a insatisfação com o trabalho é realmente pertinente, real, concreta, e, então o que fazer com isso? A insatisfação é com o que você faz ou com você mesmo? A reclamação já está crônica? Qual o seu posicionamento diante das dificuldades que encontra?

São muitas as questões.

Só que a mensagem é só uma: Você pode me dizer que o seu trabalho paga pouco, que seu chefe é truculento... Ok! Isso não está certo. Realmente às vezes sofremos abusos no mundo do trabalho.

Contudo, qual a sua ação frente a isso? É só reclamar?

Qual a sua responsabilidade para seguir na direção dos seus sonhos profissionais? Porque eu acredito muito que seu sonho não seja reclamar a vida toda. 


Sobre o Autor:


Andressa do Carmo Pereira Sou Andressa do Carmo Pereira, 27 anos, Psicóloga, Coach, mineira e apaixonada pelos temas: empreendedorismo, adolescência, juventude, carreira e comportamento humano. Saiba mais >>>
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Comunicação não-violenta, Capítulo 3: observar sem avaliar

2017/11/14 | Nenhum comentário | |


“Observem! Há poucas coisas tão importantes, tão religiosas, quanto isso”. Pastor Frederick Buechener

comunicação não violenta capitulo 3

Observar sem avaliar


O primeiro dos 4 componentes da CNV consiste em necessariamente separar a observação da avaliação.

Observar é uma forma importante e autêntica de expressar claramente a outra pessoa como estamos. No entanto, quando a observação traz junto a ela avaliação, diminuímos a possibilidade de que os outros ouçam a mensagem que desejamos lhe transmitir. Em vez disso, é provável que eles recebam como crítica e, assim, tentem se defender contra o que é dito.

Aqui mais uma vez, vale lembrar o caráter solucionador da CNV de se obter aquilo o que se necessita. Não-violência não é benevolência ou caridade, mas sim um caminho compassivo de enorme potencial na resolução de conflitos de todo tipo.

A CNV não nos obriga a permanecermos completamente objetivos, abrindo mão da ação de avaliar. Mas ela pede que mantenhamos essa separação entre avaliação e observação. Trata-se de linguagem dinâmica e que desestimula generalizações, isto é, quando a avaliação for necessária, que ela não seja estática e redutora, mas sim que privilegie o momento, se baseando nas observações específicas de cada contexto.

Exemplo:


·         Você é generoso demais. (Verbo ser empregado de maneira estática sem indicar que a pessoa que avalia aceita a responsabilidade pela avaliação).

Funcionaria melhor se:

·         Quando vejo você dar para os outros todo o dinheiro do almoço, acho que está sendo generoso demais. (Assumindo uma avaliação focada em um momento e contexto específico).

Observar sem avaliar na comunicação não violenta
Observar e DESjulgar

Durante o grupo de estudos, percebemos que esse capítulo oferece um conceito que, na maior parte das vezes, é razoavelmente simples de entender. No entanto, é extremamente difícil colocá-lo em prática. Misturar observação e julgamento é um comportamento naturalizado a nós, participantes, e acredito que também esteja enraizado na nossa cultura.

Nesse sentido, durante o capítulo, somos introduzidos ao pensamento do semanticista Wendell Johnson:

"Nossa linguagem é um instrumento imperfeito, criado por homens antigos e ignorantes. É uma linguagem animista, que nos convida a falar a respeito de estabilidade e constâncias, de semelhanças, normalidades e tipos, de transformações mágicas, curas rápidas, problemas simples e soluções definitivas. No entanto, o mundo que tentamos simbolizar com essa linguagem é um mundo de processos, mudanças, diferenças, dimensões, funções, relações, crescimentos, interações, desenvolvimento, aprendizado, abordagem, complexidade. E o desencontro entre este nosso mundo sempre em mutação e as formas relativamente estáticas de nossa linguagem é parte de nosso problema".

Outros exemplos em que temos a oportunidade de nos expressar melhor:


observar sem avaliar exemplos
Julgar é tão naturalizado que a gente nem se perguntar o porquê..

Exercício: Observação x Avaliação


Esse é um exercício que Marshall propõe no final do capítulo para “determinar sua habilidade de discernir entre observações e avaliações, faça o exercício a seguir”. Circule *anote* o número de qualquer afirmação que seja uma observação pura, sem nenhuma avaliação associada.

  1. Ontem, João estava com raiva de mim sem nenhum motivo.
  2. Ontem à noite, Lúcia roeu as unhas enquanto assistia à Novela.
  3. Marcelo não pediu minha opinião durante a reunião.
  4. Meu pai é um homem bom.
  5. Maria trabalha demais.
  6. Luís é agressivo.
  7. Cláudia foi a primeira da fila todos os dias desta semana.
  8. Meu filho freqüentemente deixa de escovar os dentes.
  9. Antônio me disse que eu não fico bem de amarelo.
  10. Minha tia reclama de alguma coisa toda vez que falo com ela. 

~~ Respostas

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.
1. Se você circulou esse número, discordamos. Considero "sem nenhum motivo" uma avaliação. Também considero uma avaliação inferir que João estava com raiva. Ele podia estar magoado, amedrontado, triste ou outra coisa. Exemplos de observações sem avaliação poderiam ser "João me disse que estava com raiva" ou "João esmurrou a mesa".

2. Se você circulou esse número, estamos de acordo em que se fez uma observação à qual não estava associada nenhuma avaliação.

3. Se você circulou esse número, estamos de acordo em que se fez uma observação à qual não estava associada nenhuma avaliação.

4. Se você circulou esse número, discordamos. Considero "homem bom" uma avaliação. Uma observação sem avaliação poderia ser "Durante os últimos 25 anos, meu pai tem doado um décimo de seu salário a obras de caridade".

5. Se você circulou esse número, discordamos. Considero "demais" uma avaliação. Uma observação sem avaliação poderia ser "Maria passou mais de sessenta horas no escritório esta semana”.

6. Se você circulou esse número, discordamos. Considero "agressivo" uma avaliação. Uma observação sem avaliação poderia ser "Luís bateu na irmã quando ela mudou de canal".

7. Se você circulou esse número, estamos de acordo em que se fez uma observação à qual não estava associada nenhuma avaliação.

8. Se você circulou esse número, discordamos. Considero "freqüentemente" uma avaliação. Uma observação sem avaliação poderia ser "Esta semana, meu filho deixou duas vezes de escovar os dentes antes de dorm ir".

9. Se você circulou esse número, estamos de acordo em que se fez uma observação à qual não estava associada nenhuma avaliação.

10. Se você circulou esse número, discordamos. Considero "reclama" uma avaliação. Uma observação sem avaliação poderia ser "Minha tia telefonou para mim três vezes esta semana, e em todas falou de pessoas que a trataram de alguma maneira que não a agradou".

Até o próximo capítulo!





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O que estou fazendo aqui?

2017/10/28 | Nenhum comentário | |




Por 
Rafa Henrique


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Gostaria de dividir meu espaço com vocês, leitores. Para começar, irei me apresentar.

Meu nome é Rafael, e sou graduado em Engenharia de Energia pela PUC Minas, e estou recentemente fazendo um mestrado em Planejamento em Sistemas Energéticos pela Unicamp.

Acompanho  O Espaço há bastante tempo e por isso decidi colaborar com o site, porque acredito que o mundo precisa desta transformação. Irei compartilhar a minha visão sobre esta necessidade.

Durante a minha trajetória acadêmica, aprendi bastante sobre a interdisciplinaridade. Da mesma forma que sua importância na engenharia, e em outros projetos na vida real. Logo, é importante a junção de vários conhecimentos para a consolidação de um grande projeto. Tanto que nos tempos atuais, a interdisciplinaridade é bastante reforçada. 

Um exemplo na engenharia é criar projetos que tenham não apenas ganhos econômicos, mas também sociais e ambientais. Eu inclusive sou muito instigado a ver e criar uma conexão nestes três pontos em meu mestrado.

A Interdisciplinaridade, neste caso, seria forma de conectar várias disciplinas em um único tópico. Ela é, em si interessante por ter um desafio ao trabalhar nestas conexões. Quanto maior este número de conexões, maior o fluxo de informações adquiridos para um trabalho mais solido.

Na formação humana, estas conexões tem esse mesmo objetivo. Aumentando este número de conexões, aumenta-se as possibilidades de uma melhor construção no caráter humano. Juntando determinados valores, como as emoções, a comunicação, a escuta, a empatia e o ego, é possível utilizar os mesmos para auxílio na moldagem de sua formação. E até mesmo facilita a pessoa a encontrar uma melhor e mais eficiente saída sobre determinada situação. É como se diz: é preferível escolhas mais complexas porem eficientes, do que escolhas mais simples porém ineficientes.

Resposta fácil e errada ou complexa e certa
Respostas: simples e erradas ou complexas e certas?

Porém, mesmo que eu tenha obtido uma melhor visão de como utilizar essas conexões, vejo muitas pessoas ao meu redor que ao meu ver, não sabem utiliza-las direito. Em filosofia, por exemplo, os alunos são ensinados a abandonar o “Senso Comum”. O senso comum é visto na ciência como uma visão limitada, cheia de preconceitos, além de conservadora. Isso é devido a forma que as pessoas ainda o usam, ao invés de refletir em torno do mesmo.


Apesar disto, vejo muitas pessoas que ainda utilizam este “senso comum”, não só na Engenharia, mas também em sua formação humana. Isso é possível devido aos julgamentos prévios, ao Fla-Flu político, dentre outros. É uma situação triste, mas felizmente hoje consigo ter uma visão mais ampla e racional. 

E é claro, não só na Engenharia, mas também em outros cursos, e até mesmo pessoas fora da Universidade estão sujeitas a utilizar este senso comum. Com isso, percebi que existe um senso comum na vivência social, pelas respostas “prontas” das pessoas em determinado tema. Como por exemplo, o famoso bordão de “bandido bom é bandido morto”.

Desta forma, venho a propor aqui em meu espaço, minha visão sobre vários assuntos, além de contar algumas das minhas experiências. Sobre minha vivência, sobre o que eu penso sobre um tema. É claro, nunca fugindo desta temática que é o uso destas conexões para moldar uma visão mais concreta.

Confesso que já tive minha visão limitada sobre determinados assuntos. Porém, foi com o uso destas conexões em minha formação humana que pude alterar minha opinião, até mesmo me arrependendo de algumas coisas que já fiz ou até falei. Apesar destes erros, sinto feliz pois parece que eu fui liberto de uma prisão na qual parecia que não existia saída. Isso ajudou até mesmo em meu amadurecimento. E já adianto que não é fácil sair desta bolha que limita a nossa visão.

Espero que tenham gostado.


Sobre o Autor:
Rafael Henrique Engenheiro de Energia pela PUC-MG, e fazendo mestrado em Planejamento de Sistemas Energéticos pela UNICAMP. Já fez intercâmbio em Flagstaff (EUA) pelo CsF, além de trabalhar por um ano na ONG Engenheiros sem Fronteiras Núcleo BH. Crê que a Engenharia pode criar uma grande transformação no mundo em aspectos econômicos, ambientais, políticos e sociais, da mesma forma que as demais ciências.
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Se conselho fosse bom...

2017/10/25 | Nenhum comentário | |

Texto originalmente publicado na Escola de Empatia.

só preciso de alguém que espere comigo...

Você já se sentiu atropelado quando tentou se abrir com alguém?


Acontece quando alguém tenta nos ajudar sem entender essencialmente o que estamos passando e o que estamos sentindo. As pessoas trazem rapidamente uma associação qualquer e uma resposta solucionadora, entregando alguma espécie de aspirina emocional.

E é natural que seja assim. É comum, por exemplo, que crianças, ao verem um coleguinha chorando, peçam ajuda as próprias mamães para que se aproximem e aliviem a dor do amigo.

Ou seja, esse incômodo em relação à dor do outro vem antes mesmo de entendermos exatamente que a relação com nossos papais e mamães é única e que o coleguinha não faz parte daquele universo.

Nós não gostamos de ver quem a gente gosta em posição de sofrimento. E, por isso, a reação primeira de alguém que se abre conosco é a tentativa de alívio rápido. Reduzindo a experiência do outro, forçando comparações e oferecendo conselhos... 

Veja só, às vezes parece que estamos querendo ajudar, mas acabamos por ser um tanto egoístas, não é? Queremos aliviar para o outro para que o alívio venha até a nós.

  • “Isso é bobagem, a sua vida é ótima”.
  • “Pelo menos não aconteceu aquilo outro, poderia ser bem pior”.
  • “Mas sua vida é ótima, não venha com esses dramas”.
  • “Já passei por coisas muito piores, daqui a pouco você nem se lembra disso”.

obrigado pelo conselho incrível
Obrigado pelo conselho incrível!

São algumas das frases prontas às quais recorremos na hora de acudir aquela pessoa em dificuldade.

Quando isso acontece, a outra pessoa se sente incompreendida. Julgada e encurralada, ela perde em autoestima e encontra uma menor motivação para buscar soluções.

Então, sendo assim, como poderíamos agir realmente em favor daquele que busca o nosso apoio? A melhor maneira se dá através de uma comunicação empática genuína, mas isso não é nada fácil. É preciso que respeitemos o outro, e a sua relação com a experiência partilhada, e que confiemos na sua capacidade de encontrar o melhor caminho dentro dessa experiência, que é única e particular.

Nesse sentido, separei três atitudes que facilitam esse processo:

1) Aceitar a experiência do outro.


Por mais que tenhamos passado por alguma coisa parecida, o que o outro vive é só dele. E se ele reclama de dor é porque dói. Mesmo que não faça sentido para nós, mesmo que pareça pequeno. Aceitá-lo verdadeiramente é fundamental. Ele se sentirá compreendido, adequado e motivado a buscar respostas para si.

2) Confiança e respeito.


No momento em que alguém se abre conosco, dividindo vivências e revelando sentimentos, essa pessoa está se expondo e ela só faz isso porque confia em nós. Temos que fazer dessa confiança, uma recíproca. É importante acreditar que ela é capaz de escolher os melhores caminhos para si e que para isso, talvez ela precise passar por esse processo dolorido. É importante que respeitemos também o seu processo, sendo um lugar de apoio e carinho.

3) A comunicação empática.


É aqui que tudo se materializa. Aceitar, respeitar e confiar começam com a escuta honesta. Interessar-se pelo outro, procurar por sua perspectiva e tentar se colocar no lugar dele, como se fosse ele próprio, comunicando todo o processo. Comunicando a busca pelo outro, com paráfrases, com confirmações e afirmações da percepção, para finalmente comunicar a compreensão.


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Grande abraço!



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