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Destaques do mês

Internet é revolução. Mas não de qualquer de maneira. #parte2

2017/09/24 | Nenhum comentário | |

internet é revolução

Continuando a discussão sobre os hábitos nocivos adquiridos com o advento da internet, vamos conversar sobre como a Infomania afeta a nossa convivência enquanto comunidade do ambiente digital.
Acredito muito no potencial da web como ferramenta de revolução e estou certo de que nossa época será estudada no futuro como a primeira a se utilizar dessa ferramenta para promover transformações políticas, econômicas e sociais.
Nasce, agora, a possibilidade de se reduzir a dependência dos veículos de comunicação de massa brasileiros, um oligopólio tão forte e influente que recebe, muitas vezes, o título de Quarto Poder, tendo o peso e a autoridade comparados aos Três Poderes do Estado Democrático (Legislativo, Executivo e Judiciário).
internet é revolução. fora tv

Na verdade, esse nome surge com uma conotação positiva: um quarto poder forte, independente e investigador é peça importante de uma democracia plena, de instituições que funcionam corretamente e são integralmente respeitadas.

Isso é, uma mídia que usa a sua influência para investigar, analisar e denunciar, levando a conhecimento público, atos ilegais e ilícitos, corretos e incorretos dos setores poderosos, entre eles, o meio político.

No entanto, na prática, não é bem isso que acontece, não é verdade? A Grande Imprensa Brasileira é fisiológica e trabalha, historicamente, isenta de qualquer responsabilidade e compromisso em favor de interesses escusos e muito particulares, barganhando com os que deveriam fiscalizar.

>> Mas, e se pudéssemos, então, resgatar e democratizar toda a potência desse chamado Quarto Poder? Tirando-a das mãos de algumas famílias dominantes e o diluindo em todas as camadas da sociedade? Devolvendo a autonomia e o protagonismo do povo frente à uma democracia já esgotada?


É exatamente aqui que se faz morada todo o potencial da Internet.


Eu acredito demais nessa perspectiva e enxergo já a forte presença e influência das redes em todo tipo de evento político e social, seja ele de qualquer porte. Parece-me que uma nova forma de construir o futuro vem emergindo em grande velocidade.

Contudo, nossa relação com a nova possibilidade que a tecnologia nos traz ainda é imatura e precisa ser pensada de modo a tirar o seu máximo proveito. Caso contrário, a ferramenta que deveria ser auxílio, pode se transformar num grande transtorno.

Como tentar usar um martelo para apertar um parafuso, coisas como a Infomania fazem da internet um lugar que, apesar de ter nascido para a construção, promove o extermínio de ideias.

Quero destacar com você cinco dos comportamentos que precisam ser repensados a fim de darmos o próximo passo na convivência da comunidade virtual:

1) Perdemos o hábito da leitura.
Semana passada falamos da dificuldade de concentração pra quem vive conectado. A internet abre o leque de informações e nos dá acesso infinito, porém não conseguimos mais ler um texto na sua integralidade. Passamos pelos títulos, subtítulos e pulamos para a próxima coisa, mas não antes, claro, de deixar uma crítica pesada em cima daquilo.

É nesse sentido que um site norueguês passou a pedir provas de que o texto foi lido antes de liberar o comentário.

2) Extraímos informação de peças rasas.
Pelo dinamismo das redes, pela infomania e a necessidade de consumir o máximo de dados possível o tempo inteiro, acostumamo-nos a extrair informações e moldar nossas opiniões através de tirinhas, gifs e vídeos curtos. Quando o assunto é delicado, dificilmente procuramos nos aprofundar naquilo, compartilhar sem verificar é a ação mais comum.

Isso favorece pessoas mal-intencionadas, robôs, publicações sensacionalistas, forçadas, carregadas de meias verdades, etc.. Estabelecendo um ciclo de ideias sem consistência e consolidando um debate pobríssimo.


3) Criamos bolhas sociais maniqueístas.
Com a dependência da mídia tradicional, consumimos o que escolhem para nós. Online, podemos nos conectar com as mais diversas ideias, visões e posicionamentos, mas não é o que acontece. A tendência é acumular mais e mais conteúdo que nos agrada e nos reforça, bloqueando e excluindo o que nos incomoda.

Quando não de forma manual, os algoritmos das redes sociais fazem por nós, mostrando tudo aquilo que achamos legal e que interagimos mais, a fim de nos manter navegando naquela rede.

Assim criamos bolhas sociais seguras e alienantes nas quais o nosso modo de pensar, sempre validado por nossos semelhantes, pareça o único correto, lúcido e de boa fé.

4) Julgamos rápido demais.
Consumindo sem parar conteúdo de baixo nível mergulhados em uma bolha social alienante, nós não perdemos tempo em julgar quando em contato com o diferente. A possibilidade de se expressar, ter um espaço e ser ouvido - que é uma conquista enorme -, de repente vira arma nas mãos de pessoas perdidas. O bang-bang nas redes tem o nível cada vez menor e o debate de ideias fica sempre em último plano.

Não dá tempo para reflexão, análise, consideração ou pesquisa. A arma das críticas anda sempre carregada e o dedo nunca se desprende do gatilho da tecla ‘enter’.

5) Praticamos desumanização.
Como se não bastasse, é comum que o julgamento venha com altas doses de violência. A proteção de se conectar com alguém dentro do seu quarto, protegido pela tela somada ao fato de que o interlocutor não parece ser nada mais que um nome escrito e uma foto estática dificulta a compreensão de que quem está do outro lado é um ser humano e merece ser respeitado como tal.

Empatia, escuta, compreensão e respeito estão passando longe nesse momento!
------------------------------------ O que você acha respeito? Partilhe a sua experiência!
Grande abraço!

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Vício de internet e informania na era da distração. #parte1

2017/09/11 | Nenhum comentário | |

Vício de internet na era da distração

O vício de internet é algo mais comum do que a gente imagina... Veja se você, assim como eu, se identifica com Larissinha:

“Larissinha ao acordar, ainda com areia nos olhos, estica a mão e pega o celular em algum canto da cabeceira da cama ou da mesinha. Ainda sem ver como está o dia. Sem sair das cobertas. Sem saber se está quente ou frio, ou chovendo. Sem mexer o resto do corpo, sem acordá-lo, alongá-lo ou ver se tá tudo bem. Todo dia é sempre assim. 17 notificações no Whats, uma passadinha no Face e um confere no Snapgram do Insta. O mundo lá fora só vem depois”.

E não é exatamente desse jeito? A gente fica online assim... até a hora de dormir. Celular na cama, do ladinho. Navegar é sempre a última coisa antes do sono. Isso quando não acordamos de madrugada e dá aquela vontade de matar de ver se aconteceu algo novo por ali.

Viciados em internet e em informação: um caminhão de dados a cada minuto.


Alguns segundos rolando o feed de uma rede social é suficiente pra se obter um volume enorme de dados. Cada postagem traz título, foto/vídeo, comentários, reações, relacionados, sugestões, barra lateral... Nomes de quem interagiu, amigos em comum...

Ao mesmo tempo nesse feed, se no celular, notificações uma atrás da outra: mensagens de textos, Snap, Whatsapp, e-mail... Se no desktop, 16 abas do Google Chrome...

É tanta coisa que fica impossível processar, digerir...

O que eu sinto é que nossa atenção está ficando permanentemente difusa. Se concentrar em algo importante é cada vez mais difícil. Se manter focado em uma coisa, significa estar perdendo outras milhares e a sensação de não saber o que está acontecendo é horrível. A gente não quer ficar pra trás.

Isso pode e traz profundas consequências, tanto no modo de vida particular das pessoas, quanto na nossa convivência enquanto comunidade no ambiente digital.



Ter a possibilidade de estar online, assim, recebendo o mundo na palma da mão em tempo integral é uma conquista realmente incrível, porém imatura e percebo que ainda é preciso que nos adaptemos de maneira mais saudável, para aí sim conseguir tirar o máximo proveito desse avanço revolucional.

A infomania no vício de internet


O vício de estar conectado 24/7 em uma necessidade incessante de consumir dados é um comportamento disfuncional e tem nome: infomania. Definido como “desejo compulsivo de checar ou acumular notícias e informações, comumente via celular ou computador”.

Infomaníacos – eu incluso – são propensos a sentirem os efeitos da sobrecarga de informação, uma espécie de overdose. Essa sobrecarga é uma condição mental e fisicamente desgastante. Os sintomas incluem pensamento lento, cabeça rodando e criatividade reprimida.

Depois de passar um dia inteiro no vício de internet, acumulando o máximo de informação possível, me sinto gasto e pouco produtivo. Mas não importa o quão exausto eu me sinta, continuo voltando para mais conhecimento, mais atualizações, mais menes, mais conteúdo... Sem reter nada. Acumulo, mas não dou conta de absorver. Não seria nem humanamente possível.

Todo dia é uma luta para achar o equilíbrio certo entre informação e vida.

As consequências são trágicas, tanto dentro de uma questão pessoal, quanto no nosso ambiente coletivo de comunidade digital. Estou certo deque você vai se identificar com algumas delas.

Quero ressaltar com você três perdas particulares que estão causam cada vez mais sofrimento em quem sofre com o vício de internet:


1) Falta de foco/dificuldade de concentração.

Lembro que, na infância, lia os livros da Coleção Vagalume de maneira fluida e rápida. Me imergia na história e a imaginação tomava conta. Hoje, ler um artigo médio sequer é uma batalha.

Estudando técnicas de escrita para internet, descobri que ninguém lê um texto realmente, só o escaneia, isto é, passa o olho, vê as palavras em destaque e os subtítulos para, depois, se gostar, voltar e ler mais um pouco.

(Inclusive, é o que você provavelmente está fazendo neste preciso texto. Aliás, caso tenha passado por essa linha, deixe um comentário ali embaixo)

Um áudio de mais de um minuto, um texto com mais de 500 palavras são as novas ferramentas de tortura do nosso tempo.

Nesse exato momento, ao escrever esse texto, faço inúmeras interrupções procurando por novidades nas minhas redes e isso, certamente, acarreta em uma perda significativa de qualidade, não só do texto, mas da minha vida, experiência e aprendizado.

Acontece que a gente, infomaníacos, se acostuma a interrupção constante e, por isso, se concentrar totalmente é muito difícil. Sabendo que essa interrupção virá a qualquer momento, nos apressamos em fazer as tarefas de forma rápida e afobada para compensar.

Quando a interrupção não vem, nós a criamos. Toda hora uma checadinha no celular (é como ficar abrindo a geladeira nos momentos de tédio sabendo que não tem nada).

Isso é vício de internet que afeta produtividade, qualidade tão demanda também nessa contemporaneidade.

2) Ausência e distração eterna

Para Gustavo Gitti: “É como se estivéssemos permanentemente distraídos, como se vivêssemos qualquer experiência sempre com pelo menos 20% da atenção voltada a uma lista lateral de vídeos relacionados, pensamentos relacionados, insights incríveis, posts relacionados, músicas, livros, notificações, bips, mensagens, emails, comentários... Alguns não desligam o celular nem mesmo em retiros fechados de silêncio no meio do mato”.

E ele diz mais:

“Se nossa cultura fosse uma pessoa (impulsiva, desligada, entretida), ela não seria um adulto, ela seria um adolescente”.

Estar no momento presente, se relacionar, construir empatia.... Tudo isso também requer concentração. Requer entrega, atenção e energia. É na troca, nessa capacidade de afetar e ser afetado que a gente constrói a vida, constrói boas lembranças e vivências e essa construção se torna, cada vez mais, um grande desafio.

video
Nem lá.... Nem lá! 
Quem está em vários lugares ao mesmo tempo, 
não está em lugar nenhum...

O infomaníaco não quer, de jeito nenhum, sentir que está deixando alguma coisa pra trás. Concentrar-se algo, mesmo que seja na construção de uma relação, significa deixar pra trás milhares de outras coisas (como a nova receita com bacon no Tasty Demais).

A distração muitas vezes é o caminho mais fácil. Sempre tem aquela situação constrangedora, aquelas pessoas chatas, aquele momento que você quer que passe logo (lembro-me do clássico Click) e ter o celular na mão é um alívio. Mas quais aprendizados estamos abrindo mão fugindo dos momentos desagradáveis?

Essas situações incômodas podem ser assim por estar justamente além de uma zona confortável e segura para nós. Ampliar os horizontes dessa zona vivendo experiências diferenciadas ou cair na distração para retornar ao pequeno “safe-place” de antes?

3) Memória de um peixinho dourado

Além da dificuldade de se registrar uma memória que se constrói sobre nenhum enfoque, ainda podemos piorar:



Imagina que toda vez que você começa uma tarefa nova, um pequeno ciclo se inicia em sua mente e só se fecha quando aquela tarefa é concluída. No contexto atual da sociedade moderna, com a sensação de tempo escasso sempre martelando, somos inclinados a abrir esses ciclos o tempo todo, inúmeras vezes.

Agora imagina o quanto isso se intensifica para quem está a todo momento procurando dados para consumir? Quantos ciclos mais são abertos em cima da carga infinita de informação e quantos deixam de ser fechados pela falta de concentração e distração?

O fato é que o cérebro humano tende a se lembrar de ciclos abertos. Tarefas a se fazer. Pontas soltas. E elas são sempre muitas. Aquela atividade concluída se perde na multidão.

E, assim, coisas como:
  • Esquecer o que disse ou fez, minutos depois ter feito ou dito. “Será que tranquei a porta”? Essa sempre me vem.
  • Repetir a mesma história várias vezes como se nunca tivesse contado.
  • Perder o fio da meada no meio de uma conversa.

São alguns dos sintomas dessas pontas soltas martelando na cabeça sem parar.
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Esses são alguns dos principais problemas, num âmbito pessoal, da infomania e do vício de internet. Nos próximos textos, vamos falar sobre como isso afeta a nossa convivência dentro mesmo dentro do ambiente digital. É quase catastrófico e é essencial que a gente se torne consciente disso.

Ah, não se esqueça de trazer o seu ponto de vista para a discussão! Os comentários estão abertos.

Grande abraço!


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O Caminho da Comunicação Autêntica, porque se relacionar dói.

2017/08/15 | Nenhum comentário | |

A gente não sabe muito bem como se relacionar. É natural, afinal dificilmente aprendemos alguma coisa nesse sentido. Aí vai na tentativa e erro mesmo, aprendendo na marra.

O problema é que o erro machuca e, às vezes, dói demais. Deteriora as relações e nos coloca a quilômetros de distância emocional das pessoas que amamos.

Alguém querido e próximo pode, rapidamente, se tornar um estranho.



A gente finge que o relacionar é óbvio, como comer ou dormir. Mas, no fundo, sabemos que não é. A verdade é que é muito difícil se conectar com alguém e trocar experiências genuínas. Não somos preparados para buscar a compaixão, a empatia e a autenticidade.


egoísmo e abismos na comunicação
Abismos...
Temos a ingenuidade de achar que é só colocar um monte de gente que se ama para morar junto (família), ou um monte de gente talentosa para trabalhar junto que tudo vai dar certo.

Só que não é bem assim...            

No nosso processo de educação formal, não aprendemos a nos relacionar. Grande parte das conversas, tanto nas mídias quanto na vida real, são pautadas no "jogo dos culpados e inocentes". Ou seja, eu te julgo pelo seu comportamento e você me julga pelo meu.

Se o outro presta mais atenção nos detalhes do que eu, então ele é “chato e perfeccionista”. Porém, se dou aquele que dá mais atenção aos detalhes, então ele é “relaxado e desleixado”.

Se meu companheiro demanda mais atenção do que eu, então ele é “grudento e pegajoso”, porém se eu sou aquele que demanda mais atenção, então ele é “frio e insensível”.

É como se a gente vivesse projetando nossos valores e vivências nos outros e extraindo disso julgamentos moralizadores. E assim, esperando que eles mudem para só então sermos felizes.

Quando paro pra pensar nisso, percebo que a nossa cultura é um tanto narcisista e egoísta. E que somos induzidos a buscar a satisfação de nossas necessidades através do controle, do medo, da ameaça, da culpa e da barganha.

De alguma forma, isso faz sentido pra você também? Te soa familiar em algum momento.




Mas pode ser diferente, mais leve, autêntico e mais gostoso.


O problema cultural e coletivo de comunicação é realmente muito triste. Mas eu me sinto alegre e cheio de esperança quando entendo que começamos a ficar presente pra ele. Começamos a visita-lo, tentando entende-lo e fazer dele menos impactante em nossas vidas.

Muitas pessoas dedicam suas vidas ao desenvolver das humanidades. Pessoas que buscam um relacionamento mais humano do eu com ele mesmo, com o outro e com o mundo. Profissionais das mais diversas áreas que se envolvem sonham a construção de um mundo em que a compaixão dita as regras do jogo.

É nesse sentido que eu gostaria de apresentar à você a Carol Nalon e a Tiê Coaching.

Bióloga de formação, a Carol mudou o rumo da carreira para trabalhar com desenvolvimento humano e Comunicação Não Violenta e tornou-se uma eterna inquieta que acredita no poder da empatia. Ela percebeu que poderia impactar o mundo apostando no poder da autenticidade para construção de relações mais humanas.

O projeto que conduz, chamado Caminho da Comunicação Autêntica, já impactou milhares de pessoas no Brasil e ao redor do mundo.

Hoje - é com imensa alegria que divido isso com você - foi ao ar a primeira aula do mini-curso gratuito do Caminho da Comunicação Autêntica. Uma ótima maneira de você conhecer o trabalho da Carol e refletir e aprender temas relevantes do nosso contato e conexão humanos.


O caminho da comunicação autentica


A Carol ajuda várias pessoas a adquirir ferramentas pra um processo humano mais leve e gostoso. Espero que possa, de alguma forma, te ajudar também. Seja na sua área de estuda ou na sua vida pessoal.

Certo?

Obrigado por ter chegado até aqui e grande abraço!
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Afinal, é possível ter uma Vida Equilibrada na prática?

2017/06/01 | Nenhum comentário | |

Equilíbrio é utopia?


Sempre me fiz essa pergunta. Seria essa uma promessa de gente que só quer vender fórmulas mágicas e soluções instantâneas? Mais uma das várias ondas new-age-zen-paz-e-amor? Ou é realmente alcançável a um ponto em que se possa dizer: “Pronto! Agora está tudo em perfeita harmonia!”.

Quanto mais procurava por um lugar de estabilidade, mais a dúvida crescia dentro de mim. Como ter equilíbrio na vida com tantas coisas acontecendo?

Tantas responsabilidades. Contas pra pagar. Pessoas que contam comigo. Que precisam de mim. Vida social. Vida profissional. Problemas. Estudos. Lazer. Atividade física. Alimentação. Sono...

Política. Comunidade. Sociedade. Violência. Guerra. Fome. Desigualdade. Desemprego. Discriminação. Ódio...

Chega uma que você pensa: “Cara... Não dá. Apenas não dá”. Fiquei assim um tempo. Pensando que esse negócio de Equilíbrio na Vida era um sonho comercial para vender livros (e às vezes é mesmo).

Num segundo momento, eu comecei a enxergar que algumas pessoas realmente pareciam estáveis. Realmente em paz. Mas aquilo estava tão distante. Pensava: “puts... essa deve ser uma vida chata. Esse não é o meu estilo e não combina comigo”.


Mas eu tava era de preconceito


Só depois, com o tempo, com vivências, com estudos, trocas, partilhas e, principalmente pela necessidade, fui me abrindo às novas perspectivas. Até finalmente entender o que era de fato o equilíbrio, e como era possível alcançá-lo.

Hoje posso afirmar com tranquilidade: uma vida equilibrada é humanamente tangível. E não precisa ser chata, pacata ou lenta. Ao contrário muitas vezes.

Diferente do que muitos gurus vendem por aí, a base do equilíbrio está na saúde mental.

E, felizmente, dentro disso avançamos bem coletivamente. Até pouco tempo, saúde mental era no 8-80. Separados por uma linha tênue, você era louco ou normal. Finalmente, estamos descobrindo o vasto e o rico que mora entre os dois extremos.

Vamos percebendo que, cuidar da saúde mental, não é coisa de doido. É coisa necessária a todos nós. Uma área que merece atenção.

E que continuemos assim, derrubando os paradigmas em torno do tema e caminhando para uma vida mais estável em um mundo mais estável.

É na saúde mental que se encontra o ponto de convergência de toda a complexidade do ser humano.


Uma caminhada multidimensional.


A busca pelo equilíbrio é uma busca multidimensional, assim como é o ser humano. Quando negligenciamos uma das áreas, empobrecemos nossa experiência e comprometemos a saúde mental.

o ser humano e suas várias facetas
Conhece o Janeiro Branco? Saiba mais aqui.

Um lugar que não recebe o devido cuidado acaba puxando todo o resto pra baixo. Às vezes, sem querer, caímos num ciclo vicioso, tentando consertar às coisas, sem entender que, na verdade, negamos uma parte importante de nós.

É nesse sentido, que quero compartilhar com você um trabalho maravilhoso feito por minha amiga Ju Goes. Um trabalho feito com muito carinho e cuidado (dá pra ver logo na primeira navegada pela página).

A Ju divide tudo o que aprendeu, na sua caminhada pessoal, para alcançar o equilíbrio que precisava, com atenção e respeito às diversas áreas da vida.

São dicas valiosas e podem, quem sabe, te ajudar de alguma forma:


Saúde mental é equilíbrio que é paz.
Ou vice-versa? =)


Aceitar-se a si mesmo: o primeiro e mais fundamental passo.


Esse é um erro que cometi e que vejo quase todo mundo cometendo: procurar pelo equilíbrio de maneira obsessiva, de maneira... Desequilibrada. Isso é, por si só, caminhar no sentido oposto.

O primeiro e mais importante passo é simples, mas não fácil: a autoaceitação. Significa estar ok com a posição atual, com o lugar que se ocupa.

E eu entendo porque a gente se rejeita. Todos cobram demais. A sociedade é apressada. Nós nos cobramos demais também. A gente precisa de tudo pra ontem, mas não conseguimos e tentamos com mais força... Até cairmos no mar da frustração.

Os gurus pioram tudo. Falam que é só pensar positivo. Que só depende de nós. Que basta querer... "Então eu não estou querendo o suficiente? Não penso positivo o suficiente? Caramba... Sou pior do que imaginei!"... Depois de pequena euforia, frustração dobrada.

A gente precisa é de colocar os pés no chão e olhar pra frente com serenidade.

Respeitando os próprios limites, a própria história, as dificuldades, as qualidades, os valores, enfim... Respeitando o eu em sua integralidade, em suas nuances e complexidade. O lado que se tem orgulho e o lado que se quer esconder.

Esse passo representa, no mínimo, 80% da transformação. E os outros 20% vêm, de maneira quase que natural.

Depois você descobre que esses outros 20, na verdade, vão acontecendo ao longo da vida. Pois viver é fluir. Não é estático. E o equilíbrio está na caminhada, nas transformações. Nas construções e desconstruções. Na eterna moldagem do ser. E aí você percebe que é justamente isso que faz da nossa experiência tão bela.

Mas ninguém é obrigado a conta dar conta sozinho. Às vezes a gente não consegue. Às vezes dói. Ficamos presos, encurralados. Nessa hora, procurar ajuda já é reconhecer a limitação, já é uma inclinação corajosa em direção à aceitação de si. É nobre, forte e bonito.

Reforço aqui a indicação do trabalho da Ju Goes. Lá você poderá estar em contato com outras pessoas que também estão batalhando todos os dias, aprenderá a olhar sob novas perspectivas e internalizará excelentes práticas.


Ainda assim, se você precisa de algo mais pessoal, com mais atenção. Procure um profissional na sua região. Um psicólogo pode ser de grande ajuda.

Também me coloco disponível para conversamos, ok?


Grande abraço!
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Empatia é possível com gente preconceituosa?

2017/05/25 | 2 comentários | |

Empatia e preconceito... tem jeito?

Lembro-me de quando ainda era criança. 

Viajei para um sítio no interior com a família de um amigo. O lugar era um pouco isolado e toda noite íamos pra fora fazer uma fogueira, ver as estrelas no céu aberto e contar histórias.

Em uma dessas noites, começaram as histórias de terror. Um dos tios do meu amigo era especialista. Fazia tudo parecer real, tamanha a riqueza de detalhes. Subia e descia o tom de voz e fazia pequenas pausas, tudo para nos fazer mergulhar em seus relatos.

Eu ficava apavorado.

Numa certa hora da noite, veio o causo que mais me marcou, de um jovem que posicionava a cama com os pés virados pra janela, fazendo atrair espíritos ruins. Ele afirmava conhecer pessoalmente o menino, recheando o conto minuciosamente e eu, mais do que assustado, querendo fugir para não ouvir, ficava preso pela curiosidade característica de uma criança.

Hoje me pergunto da onde vinha tanta criatividade, compreendo que ele não estava falando sério e não acredito nesse tipo de coisa, não faz sentido lógico pra mim.

Porém, ainda assim, quase 20 anos depois, às vezes me pego sentindo certo receio e desconforto quando tenho que deitar em uma cama com os pés virados pra janela. Internalizei aquela história em um nível emocional.

Empatia e supertisção


E com o preconceito a coisa não é muito diferente.

Segundo o psiquiatra Dr. Vamik, o preconceito é um aprendizado emocional que ocorre e se enraíza na infância.

Depois, na fase adulta, é fácil, numa pegada racional, entender que se trata de algo abominável. Ninguém quer ser lembrado como alguém preconceituoso. Assim como eu não quero ser lembrado como alguém que carrega superstições de histórias de terror infantis.

Ser – como se fosse um traço de personalidade – preconceituoso é algo que todos afastam ao máximo de si. Ninguém se acha reprodutor de tais condutas. Ninguém logicamente quer reproduzi-las. E ninguém se definiria assim.

Ora, mas se todos sabem que é errado e ninguém quer reproduzir, por que, então, o preconceito continua vivo, atravessando gerações e causando tantos problemas?

Porque preconceito é sentir. Um sentimento de aversão desenvolvido, na maioria das vezes, quando o cérebro nem sequer estava pronto. Um sentimento extremamente difícil de ser quebrado.

Ainda mais difícil quando não estamos conscientes que ele se faz presente em nós.


Ninguém quer ser preconceituoso, mas todo mundo o é.


A verdade é que categorizar as coisas é a forma como cérebro trabalha e fazer isso, através das emoções, foi e ainda é fundamental para a sobrevivência e perpetuação da nossa espécie. Foi categorizando que, ao perceber a diferença de uma corda e uma cobra, colocamos a primeira na categoria “ferramenta” e a segunda na categoria “perigo”, tendo assim respostas rápidas e efetivas ao se deparar com uma delas.

Entendemos que essa categorização no âmbito social, contra seres humanos, é um erro. Mas entender não é suficiente, o aprendizado emocional continua lá e para ele nós racionalizamos desculpas.

Racionalizar é buscar justificativa lógica para sentimentos e emoções e, assim, se manter confortável com a parte pensante do cérebro, evitando um possível – e necessário – autoconfronto.

preconceito velado


É por isso que muitas pessoas, mesmo sem perceber, agem de maneira sutilmente preconceituosa. Como quando, em uma entrevista, por exemplo, um chefe desqualifica uma mulher por seu currículo, mas contrata um homem com o mesmo grau de experiência. Se perguntado, ele dirá que isso não diz respeito a nenhum tipo de preconceito, uma vez que ele é radicalmente contra uma postura sexista.

Nesse caso, ele estaria embasado e seguro em uma racionalização baseada em níveis de experiência profissional, sem perceber que carrega um aprendizado emocional – que é falso – de que as mulheres são seres mais frágeis e talvez não dariam conta do trabalho.

Assim, com justificativas e justificativas, o ego fica intacto para agir livremente e o preconceito nebuloso permanece causando muitos prejuízos.


Ser desconstruídão para se sentir virtuoso é autoengano e só atrapalha


É preciso que sejamos inteligentes em cortar o mal pela raiz, com assertividade e paciência. Sabendo que o que foi construído leva tempo para se desconstruir.

Quando você se depara com uma atitude discriminatória, se enfurece e ataca o caráter do outro, você, então, está se inundando de um sentimento muito semelhante ao dele, porém com, provavelmente, maior intensidade.

Do tipo:

Você é nojento.
Tenho nojo de você.
Tenho nojo de gente preconceituosa.

A aversão criada é basicamente a mesma. Porém agora com um respaldo racional que te permite se sentir justo com tal emoção. O outro que é o sem caráter e não eu.

Isso, além de ser ineficaz, é uma massagem ao próprio ego. Significa atacar o ego de alguém para se sentir massageado como alguém combativo e cheio de virtudes.

O resultado disso é colocar o outro inevitavelmente na defensiva, ativando os alertas emocionais de perigo mais primitivos e colocando a pessoa na chamada posição de “lutar-ou-fugir”. Ela vai negar ou devolver a acusação num processo desgastante e gerador de altas doses de ressentimento.

Ora mas isso foi só uma brincadeira, quanto moralismo! Seria a resposta no cenário mais ameno possível.

Pode ser que, dessa maneira, você a silencie num primeiro momento, no entanto nenhuma sementinha de reflexão será plantada, ao contrário, o sentimento de segregação estará vivo e reforçado e o terreno ainda mais infértil as mudanças: um ego ameaçado jamais considera o que vem daquele que o fere.

Assim, no longo prazo, a crítica violenta é contraproducente. O que era pra ser desconstruído agora é silenciado e reforçado. Está sempre a espreita, esperando a oportunidade de se colocar de maneira velada – nas microagressões do dia-a-dia.

o ego do virtuoso


Vivemos um recente período de intolerância aos intolerantes, em que o preconceito foi enfrentado de maneira veemente, mas pouco eficaz. Muitos ataques desmoralizantes, pessoais e que partem de pessoas que não são invulneráveis. Afinal, quem tem plena consciência de todos os sentimentos marcados na mais tenra idade, podendo garantir uma vivência livre de preconceito?

O resultado? Rejeição em larga escala a todo esse enfrentamento, uma espécie de contrarreforma que traz distorções bizarras. Hoje, quem se coloca disposto a defender minorias que sofrem com a discriminação, recebe a bandeira de ser “politicamente correto” e precisa carregar também o seu peso negativo.

O que só fortalece uma polarização - já muito grave - entre os “corretinhos, moralistas e hipócritas” contra os “preconceituosos, nojentos e ignorantes”.

Um maniqueísmo lamentável.



A saída não é fácil, mas está na empatia.


Falar de preconceito é muito delicado. Nesse momento, me exponho em um campo no qual os ânimos estão sempre exaltados e é compreensível que assim o seja. Não estou aqui para avaliar o seu comportamento, mas sim para oferecer um caminho diferente a quem se identifique e se sente disposto a percorrê-lo.

Se esse não é o seu caso, entendo perfeitamente. Só você sabe do quepassou e do que viveu. Só você sabe as dores que já sentiu e as alternativas que mais fazem sentido na sua experiência.

Não é o meu objetivo te entregar uma fórmula mágica, não seria irresponsável a esse ponto. Mas sim de entregar uma opção diferente às reações já naturalizadas por nós. Uma opção que pode funcionar dentro das suas vivências ou não. Uma opção que, adaptada a sua realidade, pode se tornar congruente ao seu modo de ser e de agir.

Uma opção muito difícil e que se for completamente distante e impossível pra você, eu entendo, respeito e me coloco disponível para conversamos. Acredito nas suas experiências e imagino que elas tenham sido duras.

O que proponho é algo que precisamos, enquanto sociedade, fortalecer com urgência: empatia. Separo em duas partes:

1) Trabalhando a minha própria empatia


Como dissemos aqui, empatia não é qualidade de pessoas boazinhas, não é caridade, não é sentimento e, principalmente, não é “fazer com o outro o que gostaria que se fizesse a mim”.

Empatia é a habilidade de se colocar no lugar do outro, como se fosse o outro.

Uma habilidade humana, natural e autêntica de se criar conexão.

Empatia não é compaixão. A compaixão pode vir como consequência, mas isso não é regra. O que significa que buscar compreensão empática por um agressor não significa amá-lo, abraçá-lo, concordar com ele ou levá-lo pra casa.

Na realidade, buscar empatia é buscar maior entendimento, adicionar mais variáveis a equação e assim ser capaz de uma resposta mais refinada, ainda que firme.

 O Exercício diário de se autoquestionar


Se quero transformação, então que comece comigo. É preciso questionar-se, num primeiro momento, os próprios preconceitos. Julgar e categorizar é inevitável, como dissemos. Mas o que fazemos com julgamento depois é escolha. Desconstruí-lo ou racionalizá-lo?

- Sinto-me combativo contra as injustiças do mundo, mas consigo olhar pra dentro? 
- De que maneira reforço o status-quo
- Talvez eu carregue algum tipo de aprendizado emocional contra grupos dominantes e privilegiados? 
- Isso resulta em desumanização e me afasta deles? 

Sem acessá-los, não consigo partilhar experiências e promover construção mútua, a interação só se dá por confronto.

Devo também questionar meu ego: 

- O que eu quero?
- Mudar alguma coisa ou apenas sentir que estou ajudando a promover mudanças? 
- Quero me sentir virtuoso e
- Talvez queira me sentir parte de um grupo que considero mais sábio, mais interessante, mais atraente? 
- Ou talvez quero me sentir distante de um grupo que considero burro, estúpido ou de má-fé? 
- Será que é tudo por querer desenhar uma identidade? 
- Ou é vontade real de transformação? Sendo vontade real de transformação, que tipo de resultados estou conseguindo?

O questionamento diário traz autoconhecimento e domínio de si próprio, abrindo passagem para empatia, maturidade emocional e frieza para a melhor ação.

2) Promovendo empatia ao mundo


Uma pessoa que demonstra preconceito é uma pessoa que também está em um processo único de transformação. No seu próprio tempo, dentro da sua própria história, à sua própria maneira. Reconhecer nossas mazelas nos faz perceber que estamos todos caminhando e que esse problema não é questão de virtude x não-virtude. É cultura, herança, aprendizado e desconstrução.

Ao presenciar discriminação, é preciso ser objetivo. Substituir a violência contra a pessoa, o seu ego e caráter, pela refutação de sua atitude ou ideia. Precisamos parar de vestir o outro em características imutáveis, ora, se tudo o que ele representa é repugnante e inexorável, então não há nada o que se possa fazer.

Evitar a violência não significa apatia. Entre o preto e o branco há tons de cinza. Precisamos, sim, de força, energia e autoridade. Não para reduzir alguém, mas para denunciar o preconceito.

É importante denunciar a atitude, inibi-la e tomar todas as medidas cabíveis. Isso não apaga o sentimento, mas reduz a sua manifestação e os eventuais estragos que ela causa.

• No entanto, para efetivamente mudarmos, é preciso promover empatia.


Estudos mostram que a reincidência de crimes violentos contra a mulher cai por mais da metade quando os agressores passam por tratamento no qual são colocados no papel das vítimas e são estimulados a pensar em como elas se sentem. No Brasil, já existe uma MP que apresenta esse solução para a lei Maria da Penha.

Alguns países na Europa e Oriente Médio são pequenos e multiculturais. Lá, cientistas já perceberam que quando a educação promove empatia entre grupos étnicos/religiosos, através de diálogo e trabalho em equipe, a segregação desaparece. O problema é que na maioria das vezes acontece o contrário: uma educação nacionalista facilitadora da desumanização do outro.

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É fundamental que estimulemos empatia, não para evitar reincidência, mas para eliminar a ocorrência. Rodas de conversa, palestras, grupos de estudo, depoimentos, vídeos, documentários, conversas, fala, escuta, estudos, apoio profissional, enfim... Você pode contribuir com uma experiência mais rica para aquele que está do seu lado e está precisando dela.

Se já superou essas barreiras, então abandone o ego e estenda a mão para o que alguém mais o faça. Não precisamos falar de cima pra baixo. A sensação de superioridade é temporária e cega e quando a gente a abandona, estamos ajudando, antes de tudo, a nós mesmos.


Grande abraço!
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