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Comunicação não-violenta, capítulo 8: o poder da empatia

2018/02/16 | Nenhum comentário | |



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O poder da empatia em curar e conectar


“A empatia nos permite ‘perceber’ nosso mundo de uma maneira nova e ir em frente”. Carl Rogers

Nesse capítulo, aprendemos como buscar empatia pode nos ajudar nas mais diversas e inusitadas situações.


Empatia que cura


Marshall conta que uma de suas amigas, Laurence, descreveu como ficou aborrecida quando o filho de 6 anos saiu correndo enraivecido enquanto ela ainda falava com ele. Isabelle, sua filha de 10 anos, que a havia acompanhado a um seminário recente de CNV, observou: "Então você está com muita raiva, mamãe. Você gostaria que ele conversasse quando está com raiva, e não que fosse embora correndo". Laurence ficou maravilhada de como, ao ouvir as palavras de Isabelle, ela sentiu uma imediata diminuição da tensão e, mais tarde, conseguiu ser mais compreensiva com o filho, quando ele voltou.

“Um dos aspectos mais gratificantes de meu trabalho é ouvir como as pessoas usaram a CNV para fortalecer sua capacidade de se conectar com empatia aos outros”.

No entanto, ele ressalta que, quando estamos inseridos em uma estrutura hierarquizada, como acontece em alguns ambientes de trabalho, por exemplo, há uma tendência a ouvir ordens e julgamentos daqueles que estão em posições superiores. E, por isso, é preciso um esforço maior para ter empatia para com essas pessoas e não receber tudo no pessoal.


Empatia e a capacidade de ser vulnerável


A CNV realmente pode ser desafiadora pra muitos de nós. Ela nos pede o expressar de nossos sentimentos e necessidades em momentos que, por vezes, são delicados. Situações que, por exemplo, temos medo de perder o controle ou a autoridade e tentamos passar uma imagem rígida.

Contudo, essa tarefa pode se tornar menos pesada, quando nos conectamos em empatia com o outro. Nesse momento, percebemos sua humanidade e estamos em contato com qualidades que temos em comum.

Quanto maior a empatia que temos com a outra pessoa, mais seguros nos sentimos para partilharmos.

Quando a pessoa tem em seu histórico situações em que ouviu sentimentos como “isso me magoou” apenas para sinalizar desaprovação, pode ser que, num primeiro momento, ela relute em aceitar a nossa vulnerabilidade, por receio de isso ser usado com o intuito de desaprová-la.

Nesse momento, podemos receber essa desconfiança como a necessidade que ela representa e nos aproximar empaticamente.

“Nós ‘dizemos muita coisa’ ao escutarmos os sentimentos e necessidades das outras pessoas”.


Usando a empatia para afastar o perigo


A capacidade de oferecer empatia a pessoas em situações tensas pode afastar o risco potencial de violência.

Aqui, temos o exemplo de uma professora num decadente centro urbano que escolheu deliberadamente ficar depois da aula para ajudar um aluno, embora os outros professores a tivessem alertado do perigo de ficar até tarde no edifício. Quando um estranho entrou em sua sala e o seguinte diálogo se seguiu:

usando a empatia para afastar o perigo


Ela entregou a bolsa aliviada. Mais tarde descreveu como, a cada vez que oferecia empatia ao rapaz, ela podia senti-lo menos determinado a prosseguir com o estupro.

Aqui também, Rosenberg conta que, em um centro de recuperação química, uma de suas alunas foi agredida por um usuário que estava sob efeito de drogas que a derrubou no chão exigindo um quarto.

Ela, então, segurou o impulso de dizer: “mas não temos nenhum quarto”. E, em vez disso, usou o que aprendeu no seminário de CNV:

“Parece que você está realmente com raiva e quer ter um quarto”.

Ele respondeu gritando: “Posso ser viciado, mas, por Deus, mereço respeito! Estou cansado de ninguém me respeitar. Meus pais não me respeitam. Eu vou ser respeitado!”

Ela concentrou-se em seus pensamentos e necessidades e disse: Você está farto de não obter o respeito que deseja?”

A conversa se seguiu por mais 35 minutos, nos quais, a mulher não via mais o agressor como monstro, mas como um ser humano cuja linguagem e comportamento às vezes escondem sua natureza humana. Ela conseguiu o guiar a outro centro, o qual havia quartos disponíveis.

Ofereça sua empatia, em vez de falar “mas ...” para uma pessoa com raiva.

O curioso é que a mulher depois voltou aos seminários para tentar incorporar CNV junto à sua família. Marshall chama este de um caso poderoso para ilustrar o quanto pode ser difícil responder com empatia aos membros da nossa própria família!


Empatia ao ouvir um “Não!” de alguém


Buscar empatia diante do não de alguém nos protege de toma-lo como pessoal.

Existe uma tendência de entender como rejeição quando alguém nos diz não. Se isso acontecer, é provável que nos sintamos magoados e sem entender realmente o que se passa com a outra pessoa.

Mais uma vez, vale lembrar, a CNV nos tira da alienação que a nossa linguagem nos coloca. Entender que o não do outro carrega um sim para seus próprios sentimentos e necessidades, faz com que tenhamos clareza do que ele está precisando quando nos diz “não”.

Como ousa a me dizer não?!



Empatia para reanimar uma conversa morna



Você com certeza já esteve também em uma conversa daquelas meio mornas. Acontece quando estamos ouvindo palavras sem sentir nenhuma conexão com quem fala ou quando alguém começa a falar sem parar e sem dar chance aos outros de participar da conversa.

“A vitalidade se esvai da conversa quando perdemos a conexão com os sentimentos e necessidades que ocasionaram as palavras de quem fala, e com as solicitações associadas a essas necessidades. Isso é comum quando as pessoas conversam sem ter consciência do que estão sentindo, necessitando ou pedindo. Em vez de nos envolvermos numa troca de energia vital com outros seres humanos, percebemos que nos tornamos cestas de lixo para suas palavras”.

E qual seria o momento certo para interromper uma conversa e trazê-la de volta a vida? O mais rápido o possível.

Quanto mais esperarmos em uma conversa sem vida, mais difícil fica de sermos educados na intervenção.

Mas é importante que saibamos claramente qual é a nossa intenção nesse momento. Não se trata de querer dominar a conversa, mas sim de ajudar quem fala a se conectar a energia vital por trás das palavras que estão sendo ditas.

“Assim, se uma tia está repetindo a história de como vinte anos atrás o marido a abandonou com dois filhos pequenos, podemos interromper dizendo: ‘Então, tia, parece que a senhora ainda está magoada e gostaria de ter sido tratada de modo mais justo’.”

As pessoas não têm consciência de que frequentemente é de empatia que elas precisam. Elas também não percebem que a maneira que é mais provável se receber empatia quando se expressa sentimentos e necessidades, em vez de remoer histórias antigas de suas dificuldades no passado.

Outra maneira de reanimar uma conversa é expressar abertamente o desejo de nos conectar mais profundamente com a outra pessoa.

Parece estranho e inadequado interromper alguém. Mas é mais respeitoso que elas saibam o que estamos sentindo do que fingir um falso interesse, além de também ser um sinal de consideração. A gente prefere palavras que enriquecem a vida do outro e não que sejam um fardo pra eles, não é verdade?

Além do mais, se a conversa que ouvimos nos é tediosa, a chance de ela estar sendo tediosa para quem fala é muito grande. Um teatro social desgastante que não precisa acontecer.


Empatia pelo silêncio


Ter empatia pelo silêncio escutando os sentimentos e necessidades por trás dele.

O silêncio diz muita coisa e a gente pode e deve tentar entender qual a necessidade por trás de quem o faz. Concentrando no que se passa dentro dela. Ao nos concentrarmos nos possíveis julgamentos por trás daquele silêncio, podemos criar monstros horríveis dentro de nós, nos alienando para a realidade que ali está posta.

Certa vez, Marshall recebeu em seu consultório uma paciente de 20 anos que estava há três meses muda, depois de passar por tratamentos psiquiátricos com remédios fortes e choques. Nos dois primeiros encontros, ele tentou fazer observações empáticas, intercalando as com a expressão de seus próprios sentimentos e preocupações. Mas não conseguia nenhuma resposta.

No terceiro dia, ele fez o mesmo, porém dando a mão para a menina. Sentiu uma leve reação. Já no quarto dia, ela o trouxe um bilhete escrito:

"Por favor, ajude-me a dizer o que tenho por dentro".

A partir daí, as coisas começaram a caminhar vagarosamente. Depois de um ano ela enviou uma cópia do seu diário com os dizeres:



Impressionante depoimento. Impressionante também o poder curativo da empatia, você também não acha?

Até o próximo capítulo!

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O que o sistema binário tem a ver com a empatia?

2018/02/02 | Nenhum comentário | |





Palavras-chave: Polarização, Pensamento binário, Revista Fórum, Irmandade Muçulmana, Egito, Leon, Nilce, Cadê a Chave, Coisa de Nerd, Leon Trotsky, Comunilce, Empatia, CNV, Comunicação Não Violenta

Uma das coisas discutidas nestes últimos tempos é a chamada polarização [1]. Esta polarização vem sendo bastante abrangente nas redes sociais, seja na política, como na religião, futebol, dentre outros assuntos. Considerando isto, está sendo muito fácil julgar uma pessoa, a partir do momento que ela opina sobre um determinado evento político. Se a pessoa elogia um programa político, ela se transforma num apoiador de tal partido. Se um indivíduo elogia uma atitude de um time de futebol, ela é automaticamente torcedora deste time. Se um cristão se posiciona contrário a uma atitude de sua igreja, ela se transforma em um ateu. E por aí vai.

Resumindo, se você se posiciona a favor de uma situação para um lado, automaticamente você é encaixado como apoiador deste lado. E quando você se posiciona criticando este lado, você automaticamente é encaixado como apoiador de um outro lado. Isto se deve por conta de uma maneira de pensar bem simplicista, denominado “pensamento binário”.

o pensamento binário

Para entender melhor o pensamento binário, basta rever o conceito do sistema binário [2]. O conceito é muito amplo. Mas, para este texto, já é suficiente o conceito de reescrever números com diversos algarismos, de uma forma que é utilizado apenas dois algarismos (0 e 1). Por exemplo, o número 1234, segundo o sistema binário, é reescrito em 10011010010 [3]. Em outras palavras, um número com vários algarismos é reescrito de uma forma que é utilizado uma quantidade maior de algarismos, porem com menor variância uma vez que é utilizado apenas o 0 e o 1.

números binários, cabeças polarizadas


Pressupõe-se que o pensamento binário, vindo desta ideia, limita apenas a 2 ideias. Neste texto, estas ideias são representadas pelo 0 e pelo 1, para demonstrar o porquê de tentar evitar este tipo de pensamento. Pois este acaba ignorando os demais algarismos após o 0 e o 1, que representam o infinito número de ideias a serem pensadas.

Um detalhe importante é que os números reescritos em código binário tendem a crescer em numero de algarismos, apesar de possuírem apenas 2 dígitos diferentes. Logo, este pensamento binário é prevalecente em termos de quantidade, mas perde fortemente em termos de variedade. Infelizmente, o cérebro humano acaba optando pelo caminho da quantidade, enxergando apenas os algarismos 0 e 1 em sua mente.

Primeiro exemplo do pensamento binário:


Este exemplo é da Revista Fórum [4]. Ela cita um exemplo em relação a uma sentença de mortes em relação a manifestantes no Egito. Diversas ONGs denunciaram a repressão aos direitos humanos no Egito. Mas, segundo a reportagem, diversos setores confundem a condenação da repressão no Egito com o apoio à Irmandade Muçulmana. Ou seja, isto reduz as possibilidades de enxergarem o porque de condenar tal atitude. Este pensamento faz codificar apenas 0 e 1 em relação a tal opinião, ignorando as demais possibilidades, conforme vejamos abaixo:

0 – Aliado do Egito
1 – Inimigo do Egito
2 – Autocrítico do governo do Egito
3 – Defensor dos direitos humanos, independente de posição política


polarização no egito atravessa direitos humanos

Segundo exemplo do pensamento binário:


O casal Leon e Nilce, do canal Cadê a Chave, fizeram um vídeo criticando a polarização política [5]. Eles ainda citaram a infame manifestação nazista em Charlottesville. Porém, este vídeo não impediu eles serem taxados de “esquerdistas” por pessoas ligadas a direitas, até ganhando os apelidos de “Leon Trotsky” e “Comunilce”. Em outras palavras, se você crítica e “atribui” o nazismo a direita, você automaticamente é uma pessoa de esquerda, e vice-versa. Em termos de pensamento binário diz, em que é apenas considerado o 0 e 1:

0 – Ele é de esquerda
1 – Ele é de direita
2 – Não consigo enxergar a posição política dele, de fato
3 – Acredito que ele esteja no centro, embora seja um pouco impossível de existir pessoas alinhadas ao meio

leon e nice do cade a chave sobre trotsky

O que isto tem a ver com a CNV


Como o pensamento binário acaba possibilitando apenas duas rotas, conforme o capítulo 2 da Comunicação Não Violenta (CNV), ela é uma forma de comunicação alienante. O texto diz que a maioria de nos cresceu aprendendo a julgar, e isto influencia no sentido de limitar o que a pessoa pensa de seus semelhantes. E isto tende a julgar a pessoa como seu inimigo ideológico. O que dificulta muitas vezes a mensagem que a pessoa quer trazer para os demais. E ate mesmo caso esta pessoa esteja alertando sobre um erro, justamente por ela concordar ou discordar de algo, ela estará sempre errada por se tratar de um inimigo. Neste caso, também pode se dizer que a pessoa tem a “cabeça dura” [6] [7].


como funciona os embates ideologicos
Nós retornamos as nossas justificativas simples


E por conta desta ideologia binaria, acaba influenciando no entendimento do capítulo 7, que ensina em como escutar as pessoas com empatia. Ate porque, neste capitulo, ensina a como complementar nossas respostas com a CNV, diferente do pensamento binário, que é baseado em simplificações.

capitalismo e comunismo, entre o 8 e o 80, uma infinidade de numeros


O texto “Internet é revolução, mas não de qualquer jeito!”, também explica essa questão. Cita por exemplo, a perda do habito da leitura. Ainda complementa que a perda de leitura é também em relação ao texto do seu inimigo ideológico. Pois se ele o autor é 0 e eu sou 1 (ou vice-versa), a pessoa não lê pelas razões já explicadas no texto [8]. Isto também fale para as bolhas sociais, pois a pessoa que é 0 ou 1 não visa a interação com a pessoa que é 1 ou 0.

os binários no imaginário das pessoas sem empatia

Solução


Descontruir um tipo de pensamento não é fácil. Porém, com a empatia e a CNV é possível dar um passo a frente em relação ao binarismo. A capacidade da empatia de ouvir e receber é essencial para uma maior compreensão entre os semelhantes. O pensamento binário é um subproduto do senso comum, que como todos os outros frutos, necessita de ser identificado e combatido. 


Bibliografia


[1] Polarização política, reflexo de uma sociedade murada - https://www.cartacapital.com.br/politica/polarizacao-politica-reflexo-de-uma-sociedade-murada
[2] Polarização política, reflexo de uma sociedade murada - https://canaltech.com.br/produtos/como-funciona-o-sistema-binario/
[5] Coisa de Nerd: nazismo e stalinismo não são simplesmente dois "totalitarismos" - http://www.esquerdadiario.com.br/Coisa-de-Nerd-nazismo-e-stalinismo-nao-sao-simplesmente-dois-totalitarismos


Sobre o Autor:
Rafael Henrique Engenheiro de Energia pela PUC-MG, e fazendo mestrado em Planejamento de Sistemas Energéticos pela UNICAMP. Já fez intercâmbio em Flagstaff (EUA) pelo CsF, além de trabalhar por um ano na ONG Engenheiros sem Fronteiras Núcleo BH. Crê que a Engenharia pode criar uma grande transformação no mundo em aspectos econômicos, ambientais, políticos e sociais, da mesma forma que as demais ciências.
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Comunicação não violenta, Capítulo 7: receber com empatia

2018/01/25 | Nenhum comentário | |







Comunicação não violenta capítulo 7 receber com empatia


CNV é sobre dar (expressar-se com honestidade) e receber (receber com empatia). Nos últimos quatro capítulos, investigamos os 4 componentes que nos ajudam a expressar o que mais desejamos para enriquecer nossa vida: observação, sentimento, necessidade e pedido.

Agora, deixaremos de lado o expressar-se para aplicar esses mesmos quatro componentes ao processo de prestar atenção no que os outros estão observando, sentindo, precisando e pedindo, mesmo que eles não saibam o que é CNV.  Chamamos essa parte do processo de comunicação de "receber com empatia".

Presença: não faça nada, apenas esteja lá.

“A empatia é a compreensão respeitosa do que os outros estão vivendo”

"Ouvir somente com os ouvidos é uma coisa. Ouvir com o intelecto é outra. Mas ouvir com a alma não se limita a um único sentido - o ouvido ou a mente, por exemplo. Portanto, ele exige o esvaziamento de todos os sentidos. E, quando os sentidos estão vazios, então todo o ser escuta. Então, ocorre uma compreensão direta do que está ali mesmo diante de você que não pode nunca ser ouvida com os ouvidos ou compreendida com a mente". Chuang-Tzu.

Para Marshall, a empatia na relação com o outro ocorre somente quando conseguimos nos livrar de todas as ideias preconcebidas e julgamentos a respeito deles. É preciso estar presente e essa presença é muito difícil de conseguir. “Quase um milagre”. Ele diz ao citar a escritora francesa Simone Weil.

Isso acontece porque temos uma forte tendência de dar conselhos, encorajar ou explicar nossa própria posição ou sentimento. Enquanto a empatia real está ali, demandando uma concentração plena da nossa parte na mensagem da outra pessoa. É preciso dar a ela tempo e espaço para que se sinta compreendida. Diz o provérbio budista:

"Não faça nada, só fique sentado".

É frustrante quando alguém precisa de empatia e a gente assume que a pessoa precisa que “consertemos a situação” através de conselhos ou encorajamento. Isso tira de nós a presença necessária para que ela esvazie seu coração e diminua seu sofrimento.

Alguns exemplos de obstáculos nos impedem de estar presentes para nos conectar com empatia:

  • Aconselhar: "Acho que você deveria ... ", "Por que é que você não fez assim?"
  • Competir pelo sofrimento: "Isso não é nada; espere até ouvir o que aconteceu comigo".
  • Educar: "Isso pode acabar sendo uma experiência muito positiva para você, se você apenas ..."
  • Consolar: "Não foi sua culpa, você fez o melhor que pôde".
  • Contar uma história: "Isso me lembra uma ocasião ..."
  • Encerrar o assunto: "Anime-se. Não se sinta tão mal".
  • Solidarizar-se: "Oh, coitadinho ... "
  • Interrogar: "Quando foi que isso começou?"
  • Explicar-se: "Eu teria telefonado, mas ... "
  • Corrigir: "Não foi assim que aconteceu".


“O rabino Harold Kushner descreve quanto foi doloroso para ele, quando seu filho estava morrendo, ouvir as palavras que as pessoas ofereciam no intuito de fazê-lo sentir-se melhor. Ainda mais dolorosa foi a constatação de que durante vinte anos ele estivera dizendo as mesmas coisas a outras pessoas em situação semelhante”!

Não tem jeito, o ingrediente chave da empatia é a presença: estar presente com aquilo que o outro está passando. Olhar de fora, observar e propor teoria não é presença. 

Compreensão mental e solidariedade também não. O que não nos impede de escolher conscientemente algumas dessas coisas.

Procurando escutar sentimento e necessidades.


Na CNV, não importa que palavras as pessoas usem para se expressar, não importa o que digam ou como digam, procuramos escutar suas observações, sentimentos e necessidades, e o que elas estão pedindo para enriquecer suas vidas.

O que tem por trás daquelas palavras?
O que tem por trás daquelas palavras?


Se uma companheira de classe diz: “você não sabe trabalhar em grupo e só pensa em si mesmo”. É provável que não saibamos da onde vem a observação, mas podemos imaginar algum comportamento nosso que a levou a dizer aquilo. Ao invés de receber aquilo como um ataque pessoal, podemos seguir o diálogo tentando esclarecer qual necessidade dela não estamos atendendo e o que ele gostaria de pedir para que saciemos essa necessidade.


Parafraseando


No capítulo 6, discutimos sobre a necessidade de ter uma confirmação do nosso pedido e como pedir esse retorno. Agora, analisaremos o como oferecer esse retorno utilizando um importante recurso. A paráfrase.

“Se recebemos com precisão a mensagem da outra pessoa, nossa paráfrase confirmará isso para ela. Por outro lado, se nossa paráfrase estiver incorreta, a pessoa terá a oportunidade de corrigi-la. Outra vantagem de escolhermos repetir a mensagem para a outra pessoa é que isso lhe dá tempo para refletir no que disse e uma oportunidade de mergulhar mais profundamente em si mesma”.

Ao invés de fazer perguntas frias, sem antes se conectar com a realidade da pessoa, como:
  1. "Você está se referindo a qual atitude minha?"
  2. "Como você está se sentindo?" "Por que você está se sentindo assim?"
  3. "O que você quer que eu faça?"

Elas podem dar a impressão de que somos um professor inquirindo-os ou um psicólogo em terapia.

Fazemos a paráfrase em formas de perguntas que mostram nossa compreensão, permitindo que o outro faça qualquer correção necessária de sua parte. As perguntas podem ser:

  1. O que os outros estão observando: "Você está reagindo à quantidade de noites em que estive fora na semana passada?"
  2. Como os outros estão se sentindo e quais as necessidades que estão gerando esses sentimentos: "Você está magoado porque gostaria de receber mais reconhecimento por seus esforços do que obteve?"
  3. O que os outros estão pedindo: "Você está querendo que eu exponha meus motivos para ter dito o que disse?"

Ao solicitar informações, também podemos primeiro expressar nossos próprios sentimentos e necessidades: "Estou me sentindo frustrado porque gostaria de ser mais claro a respeito daquilo a que você está se referindo. Você estaria disposto a me dizer o que eu fiz para me ver dessa maneira?"

Marshall ainda esclarece:

“Como determinar se uma ocasião requer que repitamos para as pessoas as mensagens que elas nos passam? Certamente, se não temos certeza de que compreendemos a mensagem com exatidão, podemos usar uma paráfrase para provocar uma correção do nosso palpite. Mas, mesmo que estejamos confiantes de que compreendemos nosso interlocutor, podemos sentir que este está esperando uma confirmação de que sua mensagem foi adequadamente recebida”.

Às vezes, sentimos que a pessoa está insegura quanto ao recebimento da mensagem que ela emitiu. Ela pode perguntar se entendemos ou se está claro. Quando isso acontece, a paráfrase é possivelmente a melhor maneira de tranquilizar o emissor da mensagem de que a mensagem foi recebida.

sobre parafrasear alguém


Entretanto, não há uma regra infalível na hora de escolher parafrasear ou não, aqui vale sempre o bom senso e a intuição de cada um. De modo geral, mensagens carregadas de sentimentos e emoções fazem da paráfrase bem-vinda e apreciada como forma de receber plenamente.

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É preciso estar atento a possibilidade de a paráfrase ser mal interpretada. Nossa intenção pode ser confundida como manipulativa, do tipo: “não me venha com essas técnicas”. Aqui, vale fazer uso da CNV mais uma vez para reconhecer que não se trata de um ataque pessoal, mas sim de uma expressão de necessidades. É uma oportunidade de ajustar o nosso discurso.

Contudo, somos alertados:

“Se acontecer com frequência desconfiarem de nossas motivações e de nossa sinceridade quando parafraseamos suas palavras, podemos precisar examinar nossas próprias intenções mais de perto. Talvez estejamos repetindo e acionando os recursos da CNV de maneira mecânica, sem manter uma clara consciência de nosso propósito. Podemos nos perguntar, por exemplo, se estamos mais empenhados em aplicar o processo ‘corretamente’ do que em nos ligarmos ao ser humano à nossa frente. Ou talvez, mesmo que estejamos usando a CNV em sua forma, nosso único interesse seja mudar o comportamento da outra pessoa”.

Algumas pessoas resistem a paráfrase, alegando que é uma perda de tempo. O que faz sentido dentro de um mundo que está cada vez mais ansioso, atolado e apressado. Porém, esse é um pensamento limitado, uma vez que não é capaz de enxergar os efeitos de médio-longo prazo de uma comunicação bem-feita.

Uma economia de palavras no curto prazo pode nos render alguns minutos em troca de uma infinidade de possíveis de mal-entendidos que criam problemas extras e dificuldades às vezes muito maiores que o problema original.

Mantendo a empatia


“Permanecendo em empatia, permitimos que nossos interlocutores atinjam níveis mais profundos de si mesmos”.

“Uma mensagem inicial é muitas vezes como a ponta de um iceberg: ela pode ser seguida de sentimentos ainda não expressos, mas relacionados - e, não raro, mais poderosos. Mantendo nossa atenção concentrada no que está acontecendo dentro dos outros, oferecemos a eles uma chance de explorar e expressar seu eu interior com profundidade. Nós interromperíamos esse fluxo se desviássemos nossa atenção muito rapidamente para seu pedido ou para nosso próprio desejo de nos expressarmos”.

Quando procedemos depressa demais para atender o pedido do outro, podemos não transmitir interesse genuíno para com seus sentimentos e necessidades. As pessoas podem pensar que estamos com pressa ou querendo nos livrar delas rapidamente.

E quando saberemos o timing ideal? Duas evidências são importantes para determinar que a pessoa que fala recebeu empatia realmente: (a) há um alívio de tensão ou (b) o fluxo de suas palavras chega ao fim.


Quando a dor bloqueia a nossa capacidade de oferecer empatia

A gente não pode oferecer aquilo que não tem.

“Se não temos a capacidade ou a disposição de oferecer empatia, apesar de nossos esforços, isso é geralmente um sinal de que estamos carentes demais de empatia para podermos oferecê-la aos outros”.

Precisamos de empatia para podermos oferecer empatia.
Às vezes, precisamos recorrer a alguma empatia emergencial de "primeiros socorros", prestando atenção no que está acontecendo conosco, com a mesma qualidade de presença e atenção que oferecemos aos outros.

"Quanto mais fielmente você escutar a voz dentro de você, melhor escutará o que está acontecendo do lado de fora". Dag Hammarskjóld

Ainda assim, se isso não for possível. Podemos nos retirar fisicamente do local e esperar até oferecer empatia seja possível novamente.

Exercícios.


Você concorda com Marshall Rosenberg?


Diferencie receber com empatia do receber sem empatia nos diálogos abaixo, em que a pessoa B está respondendo com empatia ao que está acontecendo com a pessoa A.

  1. Pessoa A: Como eu pude fazer algo tão estúpido? Pessoa B: Ninguém é perfeito; você está sendo muito duro consigo mesmo.
  2. Pessoa A: Se você me perguntar, acho que devíamos mandar todos esses imigrantes de volta ao lugar de onde vieram. Pessoa B: Você realmente acha que isso resolveria alguma coisa?
  3. Pessoa A: Você não é Deus! Pessoa B: Você está se sentindo frustrado porque gostaria que eu admitisse que há outras maneiras de interpretar esse assunto?
  4. Pessoa A: Você acha muito natural que eu faça tudo para você. Fico imaginando o que você faria sem mim. Pessoa B: Isso não é verdade! Eu valorizo o que você faz por mim.
  5. Pessoa A: Como você pôde me dizer uma coisa dessas? Pessoa B: Você está magoado porque eu disse aquilo?
  6. Pessoa A: Estou furiosa com meu marido. Ele nunca está por perto quando preciso dele. Pessoa B: Você acha que ele deveria estar mais próximo do que costuma estar?
  7. Pessoa A: Detesto quando engordo. Pessoa B: Talvez fazer umas corridas ajudasse.
  8. Pessoa A: Estou uma pilha de nervos com o planejamento do casamento de minha filha. A família do noivo não está ajudando. Quase todos os dias eles mudam de ideia sobre que tipo de casamento querem. Pessoa B: Então você está nervosa com os preparativos e gostaria que a família do futuro genro tivesse mais consciência das complicações que a indecisão deles causa para você?
  9. Pessoa A: Quando meus parentes aparecem sem avisar com antecedência, sinto-me invadida. Isso me lembra como meus pais costumavam não levar em conta minhas necessidades e planejavam coisas para mim. Pessoa B: Sei como você se sente. Eu costumava me sentir assim também.
  10. Pessoa A: Estou decepcionado com seu desempenho. Eu queria que seu departamento tivesse dobrado sua produção no mês passado. Pessoa B: Compreendo que você esteja decepcionado, mas tivemos muitas faltas por motivo de doença.

Respostas:

  1. Não circulei esse número, porque entendo a pessoa B oferecendo encorajamento, e não recebendo com empatia o que a pessoa A está expressando.
  2. Vejo a pessoa B tentando educar a pessoa A, em vez de receber com empatia o que esta está expressando.
  3. Se você circulou esse número, concordamos. Vejo a pessoa B recebendo com empatia o que a pessoa A está expressando.
  4. Vejo a pessoa B discordando e se defendendo, e não recebendo com empatia o que está acontecendo com a pessoa A.
  5. Vejo a pessoa B assumindo a responsabilidade pelos sentimentos da pessoa A, e não recebendo com empatia o que está acontecendo com esta. A pessoa B poderia ter dito: "Você está magoado porque queria que eu tivesse concordado em fazer o que você me pediu?"
  6. Se você circulou esse número, concordamos em parte. Vejo a pessoa B receptiva aos pensamentos da pessoa A. No entanto, acredito que nos conectamos mais profundamente quando recebemos os sentimentos e necessidades que estão sendo expressos em vez dos pensamentos. Assim, eu teria preferido que a pessoa B tivesse dito: "Então você está furiosa porque gostaria que ele estivesse por perto mais vezes do que costuma estar?"
  7. Vejo a pessoa B aconselhando a pessoa A, e não recebendo com empatia o que está acontecendo com ela.
  8. Se você circundou esse número, estamos de acordo. Vejo a pessoa B recebendo com empatia o que a pessoa A está expressando.
  9. Em minha opinião, a pessoa B presumiu que compreendeu o que a pessoa A disse e está falando sobre seus próprios sentimentos. Ela não está recebendo com empatia o que está acontecendo com a pessoa A.
  10. Vejo que a pessoa B começa a se concentrar nos sentimentos da pessoa A, mas em seguida passa a se explicar.

Até o próximo capítulo!

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