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Comunicação não-violenta, capíutlo 10: expressando a raiva plenamente

2018/11/10 | Nenhum comentário | |



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expressando a raiva livremente cap 10 comunicacao nao violenta


A raiva oferece uma oportunidade única de destrincharmos e mergulharmos mais profundamente na CNV, pois expõe muito aspectos do processo a um exame minucioso.


“A expressão da raiva claramente demonstra a diferença entre a CNV e outras formas de comunicação”.

Antes de tudo, Marshall nos sugere que matar pessoas é uma expressão superficial demais do que se passa dentro de nós quando sentimos raiva. Espancar, culpar, ferir os outros, fisicamente ou não, são todas expressões superficiais.

Quando estamos verdadeiramente com raiva, precisamos de uma maneira mais poderosa e profunda de se expressar. Nesse sentido, a CNV tem grande potencial de auxílio.

Compreender isso pode ser um alívio para muitos grupos que sofrem discriminação e opressão. Esses grupos ficam inquietos com o termo “comunicação não-violenta” ou quando falamos de empatia e compaixão, uma vez que eles são muitas vezes forçados a sufocar sua raiva, acalmar-se e, à margem, aceitar o status quo imposto.

Eles desconfiam de qualquer abordagem que vêem sua raiva como qualidade negativa e que precisa ser eliminada. O que faz muito sentido. Afinal, depois de tanto sofrer, ainda ter de receber mais um ataque de opressão velada de pacifismo não parece boa ideia.

Contudo, o processo que estudamos não nos encorajar a ignorar, sufocar ou engolir a raiva, mas sim a expressar a essência de nossa raiva completamente e de todo o coração.




Distinguindo estímulo de causa


Nunca ficamos com raiva por causa do que os outros dizem ou fazem.

O primeiro passo para expressarmos completamente a raiva na CNV é dissociar a outra pessoa de qualquer responsabilidade por nossa raiva. Pensamentos do tipo:

·         "Jorginho me deixou furioso quando fez isso”!

São pensamento nos leva a expressar nossa raiva superficialmente, culpando ou punindo a outra pessoa.

Vimos como o comportamento do outro pode ser um estímulo para o nosso sentimento, mas nunca a causa. É preciso que se estabeleça a clara diferenciação entre estímulo e causa.

Estimulo e causa, onde está a raiz dos sentimentos
O sentimento está ligado a necessidade.

Se a outra pessoa se atrasa para o nosso encontro e eu não quero ficar esperando, então eu fico furioso. Porém se ela atrasa e eu estou ocupado com vários outros afazeres, posso me sentir aliviado e produtivo.

O atraso em si nunca é a causa. Mas pode ser o estímulo tanto para raiva, quanto para alívio, chateação... Sentimentos que vão de acordo com a nossa necessidade naquele momento.

Ao igualar estimulo e causa, nos convencemos a pensar que o comportamento do outro é que nos faz sentir raiva e a partir disso utilizamos a culpa para fazer com que ele seja controlado por nós.

Nossa cultura faz ser importante enganar as pessoas para que pensem que elas podem realmente fazer com o que os outros sintam de determinada maneira. E a nossa linguagem facilita enormemente o processo.

“Quando a culpa é uma tática de manipulação e coerção, é útil confundir estímulo e causa”.

O primeiro passo para expressar a raiva plenamente, então, é reconhecer a nossa responsabilidade pelo que sentimentos. O que as pessoas fazem nunca é a causa.

Assim sendo, como a raiva é gerada?

No capítulo 5, discutimos as quatro opções que temos quando estamos diante de uma mensagem ou comportamento de que não gostamos:

Quatro maneiras de responder uma mensagem difícil

“A raiva é gerada quando escolhemos a segunda opção: sempre que estamos com raiva, estamos julgando alguém culpado – escolhemos brincar de Deus julgando ou culpando a outra pessoa por estar errada ou merecer uma punição. Eu gostaria de sugerir que essa é a causa da raiva. Mesmo que de início não tenhamos consciência disso, a causa da raiva está localizada em nosso próprio pensamento”.

Se alguém me ignora e eu preciso de silêncio, então me sentirei tranquilo e em paz. Porém, se alguém me ignora e preciso de carinho e consideração, posso ficar com raiva e julgá-la como uma pessoa mal-educada.

“São as nossas próprias necessidades que causam nossos sentimentos”.

Quando estamos conectados a nossas necessidades, sejam elas de encorajamento, de ter um propósito útil ou de solidão, estamos em contato com nossa energia vital. Podemos ter sentimentos fortes, mas nunca ficamos com raiva. A raiva é o resultado de pensamentos alienantes da vida que estão dissociados de nossas necessidades

Uma alternativa é concentrar em nossas necessidades e sentimentos e assim ganhar consciência da necessidade e do sentimento por detrás do comportamento da outra pessoa. Quando isso acontece, não sentimos raiva. Não estamos a reprimindo ou sufocando, ela simplesmente não acontece.

Toda raiva tem um âmago que serve a vida


“Quando julgamos os outros, contribuímos para a violência”.

·         Não há circunstâncias em que a raiva é justificável?
·         Não é necessário ter “justa indignação” ante a população descuidada e irrefletida no ambiente, por exemplo?

“Minha resposta é que acredito firmemente que sempre que apóio em qualquer grau a consciência de que há coisas tais como "ações descuidadas", "ações conscienciosas", "pessoas gananciosas" ou "pessoas éticas", estou contribuindo para com a violência neste planeta.

Em vez de concordamos ou discordarmos a respeito do que são as pessoas que matam, estupram ou poluem o ambiente, acredito que serviremos melhor à vida se concentrarmos nossa atenção nas nossas necessidades”.

A resposta que o livro apresenta é a resposta que me faz mais sentido também, ao pensar em caminhos e alternativas para um mundo cada vez menos violento.

Toda raiva é resultado de pensamentos alienantes da vida e causadores de violência. No âmago de toda raiva existe uma necessidade não atendida. Por isso, a raiva pode ser valiosa se utilizada como um despertar para aquela necessidade.

Para se expressar plenamente a raiva, é preciso se ter plena consciência de nossa necessidade.

Além disso, precisamos de energia para atender a necessidades. Quando nos deixamos levar pela raiva, ela rouba toda nessa energia para punir as pessoas, ao invés de trabalhar no que estamos precisando.

Estímulo versus causa: implicações práticas.


Toda violência resulta de as pessoas se iludirem, como aquele jovem prisioneiro, e acreditarem que sua dor se origina dos outros e que, portanto, eles merecem ser punidos.

Gostaria de sugerir que, quando nossa cabeça está cheia de julgamentos e análises de que os outros são maus, gananciosos, irresponsáveis, mentirosos, corruptos, poluidores, que valorizam os lucros mais do que a vida ou se comportam de maneira que não deveriam, poucos deles estarão interessados em nossas necessidades.

Imagine proteger o meio ambiente e procurarmos um executivo de grande empresa com uma atitude do tipo:

·         "Sabe, você é um verdadeiro assassino do planeta e não tem o direito de abusar da Terra dessa maneira".

Qual a chance de termos nossas necessidades atendidas? É raro o ser humano que consegue se concentrar em nossas necessidades quando as expressamos por meio rótulos que pintam o outro como errado.

Se elas se sentirem amedrontadas, culpadas ou envergonhadas a ponto de mudar suas atitudes, podemos vir a acreditar que é possível "ganhar" dizendo às pessoas o que há de errado com elas.

Numa perspectiva mais ampla, porém, percebemos que, cada vez que nossas necessidades são atendidas dessa maneira, não apenas perdemos, mas contribuímos de forma muito tangível para a violência no planeta

“Quanto mais as pessoas ouvirem culpa e julgamentos, mais defensivas e agressivas elas se tornarão e menos se importarão com nossas necessidades no futuro”.

Quatro passos para expressar a raiva


Passos para expressar a raiva:

  1. Parar. Respirar: Abster de qualquer movimento em direção a agressão e a punição. Não fazer nada.
  2. Identificar nossos pensamentos que estão julgando as pessoas: identificamos os pensamentos que estão gerando nossa raiva.
  3. Conectar-nos as nossas necessidades: nos conectamos com as necessidades por trás desses pensamentos. Se eu julgar que alguém é racista, a necessidade pode ser de inclusão, igualdade, respeito ou conexão.
  4. Expressar nossos sentimentos e necessidades não-atendidas: Para nos expressarmos plenamente, nós agora abrimos a boca e expressamos a raiva - mas esta já se transformou em necessidades e em sentimentos relacionados a elas. Articular esses sentimentos pode exigir um bocado de coragem. É fácil me irritar e dizer às pessoas: "Isso é coisa de racista!". Na verdade, posso até gostar de dizer algo assim, mas descer até o nível dos sentimentos e necessidades mais profundos por trás de uma frase como essa pode ser muito assustador. Para expressar plenamente nossa raiva, podemos dizer à pessoa:



"Quando você entrou nessa sala, começou a conversar com os outros, não falou nada comigo e então fez um comentário sobre brancos, fiquei realmente enojado e muito assustado. Isso despertou em mim todo tipo de necessidade de ser tratado com igualdade. Eu gostaria que você me dissesse como se sente quando digo isso".


Oferecendo empatia primeiro

“Quanto mais escutarmos os outros, mais eles nos escutarão”.

Na maioria dos casos, é preciso que haja mais uma etapa antes que possamos esperar que a outra parte entre em conexão com o que está acontecendo dentro de nós. Uma vez que é comum que os outros tenham dificuldades para receber nossos sentimentos e necessidades em tais situações, precisaremos primeiro oferecer nossa empatia a eles, se quisermos que nos escutem. Quanto mais empatia tivermos com relação ao que os leva a se comportarem de maneira que não atenda a nossas necessidades, mais provável será que eles consigam dar reciprocidade mais tarde.

E este, mais uma vez, não é o caminho mais fácil. A CNV é realmente para quem está disposto a realmente solucionar conflitos sem contribuir para a sistematização da violência no mundo.

Avançando em nosso próprio ritmo


Essa é provavelmente uma das partes mais importantes do livro. Internalizar uma nova forma de comunicação não é algo que se faça da noite para o dia. É precisamos esforço, estudo e prática. Um processo com dificuldades, desafios e oscilações.

Nesse sentido, precisamos respeitar o nosso processo que é único e particular e avançar em nosso próprio ritmo.

Conta Marshall que um amigo escreveu em um cartão com uma pequena cola para consultar sempre que precisava recorrer a CNV. Como um lembrete. Utilizava no trabalho e em casa, pois sua necessidade de se relacionar melhor era maior do que o embaraço ou o trabalho de consultar o cartão quando precisasse.

Passados um mês ele se sentiu confiante em abandonar o cartão e caminhar sozinho. Então, uma noite, ele e seu filho, de 4 anos, estavam tendo um conflito a respeito da televisão e as coisas não estavam indo bem. "Papai", disse Scottie com urgência, "pegue o cartão!"

Para aqueles de nós que desejemos aplicar CNV, principalmente em situações de raiva, o livro nos sugere o seguinte exercício:

Liste os julgamentos que flutuam com mais freqüência em sua cabeça, usando como ponto de partida a frase: ‘Não gosto de pessoas que são ___’. Reúna todos esses julgamentos negativos de sua cabeça e então pergunte a si mesmo:

‘Quando faço essa ideia a respeito de alguém, do que estou precisando e não estou obtendo?’ Dessa maneira, você estará treinando estruturar o pensamento em termos de necessidades não-atendidas, e não de julgamentos de outras pessoas.

Interessante, não é? Mantenha-se em frente sempre ao seu próprio ritmo! =)




Até o próximo capítulo!



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Pós-verdade: quando o fato já não importa mais...

2018/10/15 | Nenhum comentário | |








Você provavelmente já ouviu falar do termo pós-verdade. Foi eleita a palavra do ano de 2016 pela universidade de Oxford.

 É um termo que aparece com muita frequência na hora de definir nosso atual momento político-histórico. Pós-verdade quer dizer que os fatos objetivos, ou seja, a verdade, tem uma importância secundária na hora de moldar a opinião pública, diante das crenças e das emoções das pessoas.

Em outras palavras, diante de uma informação, seja uma notícia, um vídeo, uma entrevista, enfim.. O mais importante é se aquilo vai de encontro às minhas crenças ou não. A minha opinião é aquela e é imutável, não importando se há um fato que a descontrói.

1) Se vem pra corroborar o que sinto e acredito, então pra mim aquilo é verdade. As fontes são confiáveis e quem fala tem credibilidade. 

2) No entanto, se é contrário à minha visão, então não há o menor problema pra mim descartar aquilo, a fonte não presta e quem fala é mentiroso e mal caráter.

E como é fácil ver que assim que as coisas estão funcionando, não é?

Pós-verdade e viés de confirmação


Junta-se a isso:

> a velocidade e o volume da informação que nos esmaga, não nos dando tempo de processar, de racionalizar, de questionar, verificar... De talvez aproveitar parte, descartar parte; 

> as bolhas sociais cada vez mais intensificada pelas redes; 

> as próprias redes que são desenvolvidas para o entretenimento e não exatamente para a fertilização de ideias; 

> o paradoxo da proteção física que a internet nos oferece ao mesmo tempo que nos coloca em posição de extrema vulnerabilidade e exposição social diante de nossa família, amigos e contatos fundamentais a nós. E por aí vai...

Todas essas coisas se retroalimentam e acho que explicam parte do caos que estamos vivendo atualmente.

A internet como um marco histórico da humanidade


Eu sempre fui muito idealista com relação a internet. Acredito, de verdade, que não há progresso sem acesso. E que a revolução do universo online poderia, pela primeira vez, permitir o acesso universal às informações de maneira aberta e democrática.

Sempre acreditei nisso como um marco na trajetória da humanidade. Como a descoberta do fogo ou a revolução industrial.

No entanto, parece que estamos vivendo alguns efeitos colaterais fortíssimos e talvez até irreversíveis, não é? Vejo que estamos aprendendo ainda a se relacionar com tudo isso e que um novo campo de conhecimento vem surgindo ao mesmo tempo que às coisas continuam mudando de forma assustadoramente rápida.

Termos como pós-verdade nos ajudam a entender melhor como nós, enquanto sistema, nos comportamos e nos adaptamos ao novo mundo.

Contudo, e esse é o motivo do meu vídeo/texto, pra assimilarmos de verdade e conquistarmos mais autonomia a fim de construir uma relação saudável e fértil com a tecnologia, eu entendo que é muito necessário que a gente consiga olhar também para a dimensão do eu. Como eu, na condição de indivíduo, na minha subjetividade, interajo com todas essas possibilidades?

A minha experiência pessoal


Quero compartilhar com você uma experiência recente que me trouxe essa compreensão.

Na disputa do segundo turno do meu estado, me deparei no Twitter com o que seria o plano de governo do candidato o qual não gosto (crença: ele não vai fazer um bom trabalho, é um pilantra; sentimento: medo, repulsa, raiva).

Nesse papel, havia algumas propostas que considero absurdas e que acredito que a maioria das pessoas também achariam. Aquilo foi munição pra mim. É isso que vejo quando tento desvendar meu mundo interno naquele momento. Eu iria desmascará-lo. E tudo o que eu já intuía sobre ele finalmente seria provado verdade.

Compartilhei primeiro em um grupo de amigos e me perguntaram como poderíamos me confirmar que aquele era realmente o plano de governo dele e não algo forjado.

Instantaneamente eu argumentei: “não é possível que alguém formataria todo um plano de governo, do início ao fim, mais de 30 páginas subdivididas, com índice, rodapés, nº de CNPJ e usando toda a identidade visual do candidato pra poder incriminá-lo”.

Mas convenhamos, tudo tem sido possível ultimamente. Acontece que na hora, e eu consegui ter a clareza de perceber, eu estava incrivelmente resistente de procurar a veracidade daquilo. Era a pós-verdade agindo em mim. Mesmo que já soubesse do conceito, mesmo que já tendo o estudado, mesmo conseguindo identifica-lo todos os dias nas outras pessoas... Naquele momento, fortalecer e impor a minha crença era o mais importante. Eu não queria descobrir se tal era fake ou não.

Com isso percebido, fiz algo inusitado pra mim, pesquisar de onde vinha aquele material. No site do TSE, o plano era outro. No site do candidato aquele material não existia. Até que, uma hora de procura depois, descobri que aquele realmente foi um material lançado pelo candidato que o retirou de seu site por propor várias coisas impopulares. Descobri que apesar de retirar o link, o PDF ainda estava hospedado lá, e essa era a prova de que eu precisava.

Hoje, esse mesmo candidato, fala que atribuíram essas propostas a ele com a intenção de ataca-lo. Enquanto outros continuam a acusa-lo. E o que fica? A pós-verdade de cada um.

Um convite a você:


Viver isso foi um divisor de águas na minha relação com os debates online. Me sinto mais seguro, autônomo e confiante pra me informar, construir e aprender. Sei que muitos insights desse tipo virão e acho importante que a gente se mantenha falando sobre isso.

Por isso estou aqui, gostaria de te perguntar: como você se relaciona com a pós-verdade? Como você confronta os seus vieses? É assertivo, proativo? Tem se deixado levar pela avalanche de dados?

Você tem construído, provocado o seu intelecto? Ou se encontra perdido no mundo das crenças? Tem alguma história a respeito pra compartilhar comigo?

Perceba que, por mais grave que esteja a nossa situação atual, o que proponho aqui vai além. A gente vai precisar se refinar nisso, é uma urgência, independente dos resultados que vierem.

Ainda não existe outra maneira de se combater a indústria fake, os robôs e todos esses algoritmos se eu não for capaz de olhar pra mim mesmo e perceber como me relaciono com isso. O que são agências de checagem e outras ferramentas se projeto o meu viés de confirmação nelas também?

Não há solução que não passe por um exame profundo de nossos sentimentos e necessidades!

Essa é a ideia que queria compartilhar com você hoje, espero que tenha sido útil de alguma forma!

Grande abraço!

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Um processo direcional na vida, por Carl Rogers

2018/08/22 | Nenhum comentário | |


carl-rogers-e-a-abordagem-centrada-na-pessoa



do livro "Um Jeito de Ser"...



A prática, a teoria e a pesquisa deixam claro que a abordagem centrada no cliente baseia-se na confiança em todos os seres humanos e em todos os organismos. Há provas advindas de outras disciplinas que autorizam uma afirmação ainda mais ampla. Podemos dizer que em cada  organismo,  não  importa  em  que  nível,    um  fluxo  subjacente  de  movimento  em direção à realização construtiva das possibilidades que lhe são inerentes. Há também nos seres  humanos  uma  tendência  natural  a  um  desenvolvimento  mais  completo  e  mais complexo. A expressão mais usada para designar esse processo é “tendência realizadora”, presente em todos os organismos vivos.

Quer falemos de uma flor ou de um carvalho, de uma minhoca ou de um belo pássaro, de  uma maçã ou de uma pessoa, creio que estaremos certos ao reconhecermos que a vida é um processo ativo, e não passivo. Pouco importa que o estímulo venha de dentro ou de fora, pouco  importa  que o  ambiente  seja  favorável  ou  desfavorável.  Em  qualquer  uma  dessas condições, os comportamentos de um organismo estarão voltados para a sua manutenção, seu crescimento e sua reprodução. Essa é a própria natureza do processo a que chamamos vida. Esta tendência está em ação em todas as ocasiões. Na verdade, somente a presença ou ausência desse processo direcional total permite-nos dizer se um dado organismo está vivo ou morto. 

A tendência realizadora pode, evidentemente, ser frustrada ou desvirtuada, mas não pode ser  destruída  sem  que  se  destrua  também  o  organismo.  

Lembro-me  de  um  episódio  da minha  meninice,  que  ilustra  essa  tendência.  A  caixa  em  que  armazenávamos  nosso suprimento  de  batatas  para  o  inverno  era  guardada  no  porão,  vários  pés  abaixo  de uma pequena janela. As condições eram desfavoráveis, mas as batatas começavam a germinar — eram brotos pálidos e brancos, tão diferentes dos rebentos verdes e sadios que as batatas produziam  quando  plantadas  na  terra,  durante  a  primavera.  Mas  esses  brotos  tristes  e esguios cresceram dois ou três pés em busca da luz distante da janela. Em seu crescimento bizarro e vão, esses brotos eram uma expressão desesperada da tendência direcional de que estou  falando.  Nunca  seriam  plantas,  nunca  amadureceriam,  nunca  realizariam  seu verdadeiro potencial. Mas sob as mais adversas circunstâncias, estavam tentando ser uma planta. 

a tendência auto atualizante



A vida não entregaria os pontos, mesmo que não pudesse florescer. Ao lidar com clientes cujas  vidas  foram  terrivelmente  desvirtuadas,  ao  trabalhar  com  homens  e  mulheres  nas salas  de  fundo  dos  hospitais  do  Estado,  sempre  penso  nesses  brotos  de  batatas.  As condições  em  que  se  desenvolveram  essas  pessoas  têm  sido  tão  desfavoráveis  que  suas vidas quase sempre parecem anormais, distorcidas, pouco humanas. E, no entanto, pode-se confiar que a tendência realizadora está presente nessas pessoas. A chave para entender seu comportamento é a luta em que se empenham para crescer e ser, utilizando-se dos recursos que acreditam ser os disponíveis. Para as pessoas saudáveis, os resultados podem parecer bizarros e inúteis, mas são uma tentativa desesperada da vida para existir. Esta tendência construtiva e poderosa é o alicerce da abordagem centrada na pessoa.

As células do ouriço marinho


Não sou o único a ver na tendência à auto-realização a resposta fundamental à questão do que faz um organismo “pulsar”. Goldstein (1974), Maslow (1954), Angyal (1941, 1965), Szent-Gyoergyi  (1974),  entre  outros,  defenderam  concepções  semelhantes  e  exerceram influências sobre meu modo de pensar. Em 1963, ressaltei que esta tendência implica num desenvolvimento  em  direção  à diferenciação  dos  órgãos  e  das  funções;  implica  em crescimento através da reprodução. Szent-Gyoergyi afirma não poder explicar os mistérios do  desenvolvimento  biológico  “sem  supor  um impulso‟  natural,  na  matéria  viva,  em  direção  ao  aperfeiçoamento”  (p.  17).  O  organismo,  em  seu  estado  normal,  busca  a  sua  própria realização, a auto-regulação e a independência do controle externo.  Mas será que esta concepção é confirmada por outros tipos de dados? Dispomos de alguns trabalhos, na Biologia, que  fundamentam o conceito de tendência auto-realizadora. 

Hans Driesch  realizou,    muitos  anos  atrás,  um  experimento,  replicado  com  outras  espécies, tendo como sujeitos ouriços do mar. Driesch separou as duas células que se formam após a primeira divisão do ovo fertilizado. Se tivessem se desenvolvido normalmente, é claro que cada  uma  delas  teria  se  transformado  em  uma  parte  do ouriço,  sendo  que  ambas  seriam necessárias à formação da criatura inteira. Portanto, parece igualmente óbvio que quando as duas  células  são  cuidadosamente  separadas  e  conseguem  crescer,  cada  uma  delas responderá apenas pela parte do ouriço que  lhe cabe. Mas esta suposição desconsidera a tendência  direcional  e  autorealizadora,  característica  de  todo  crescimento  orgânico. 

Segundo o resultado encontrado, cada célula, conservada viva, se transforma em uma larva de ouriço do mar, inteira — um pouco menor do que o comum, mas normal e completa. 

Escolhi este exemplo porque se assemelha muito à minha experiência com indivíduos em relações  de  terapia  individual,  na  facilitação  de  grupos  intensivos,  na  promoção  da “liberdade  para  aprender”  junto  a  alunos,  nas  salas  de  aula.  Nessas  situações,  fico impressionado  com  a  tendência  que  todo  ser  humano  exibe  em  direção  à  totalidade, em direção à realização de suas potencialidades.  A  psicoterapia ou a experiência grupal não surtiram efeitos quando tentei criar no indivíduo algo que ainda não estava lá; no entanto, descobri que se criar as condições que permitem o crescimento, essa tendência direcional positiva leva a resultados positivos. Aquele cientista, diante do ouriço dividido, estava na mesma situação. Ele não podia determinar que a célula se desenvolvesse nessa ou naquela direção, mas quando se concentrou na tarefa de criar as condições para sua sobrevivência e seu crescimento, a tendência ao crescimento e a direção do crescimento, provenientes do interior  do  organismo,  tornaram-se  evidentes.  Não  consigo  imaginar  uma  analogia  mais adequada  para  as  situações  de  terapia  e  de  grupo.  Quando  consigo  criar  um  fluido amniótico psicológico surge movimento para a frente, de natureza construtiva. 


(...)

Sabe-se hoje que o “código  genético” não contém todas as informações  necessárias à especificação das características do organismo maduro. Ao invés disso, contém um conjunto de regras que determinam as interações  entre as células em divisão. A quantidade de informações necessárias à  codificação das regras é  muito menor do  que a que se faz necessária à orientação de cada aspecto do desenvolvimento maturacional. “Assim, a informação pode ser gerada dentro do sistema organísmico — a informação pode crescer.” (Pentony, p. 9, grifo meu.) Daí se conclui que as células de ouriço marinho trabalhadas por Driesch estão, sem dúvida, seguindo as regras codificadas e, consequentemente, estão aptas a se desenvolverem de modo original, sem uma especificação prévia ou rígida. 
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Comunicação não-violenta, capíutlo 9: conectando-se compassivamente com nós mesmos

2018/04/19 | Nenhum comentário | |








Como parar de se odiar

“Que nós nos tornemos a mudança que buscamos no mundo”. Mahtma Gandhi

A CNV, como vimos, contribui para os nossos relacionamentos com família, amigos, no trabalho e na política. Porém, sua utilidade mais importante seja na maneira que tratamos a nós mesmos, no desenvolvimento da autocompaixão.

“Quando internamente somos violentos para com nós mesmos, é difícil ter uma compaixão verdadeira pelos os outros”.

Lembrando como somos especiais


“Quando conceitos críticos a respeito de nós mesmos impedem que vejamos a beleza que temos dentro de nós, perdemos a conexão com a energia divina que é nossa origem. Condicionados a nos vermos como objetos - e como objetos cheios de falhas -, será surpreendente que muitos de nós acabemos tendo uma relação violenta com nós mesmos”?

Essa relação violenta com nós mesmos fica evidente na hora de nos autoavaliarmos e é importante que consigamos encontrar compaixão nesses momentos.

Autocompaixão como praticar
Autocompaixão

Gostaríamos que todas as nossas atitudes fossem atitudes enriquecedoras da vida, mas esse nem sempre é o caso, então aprendemos a nos avaliar com ódio, ao invés de buscar o aprendizado. A CNV pode nos ajudar a olhar para os eventos e condições de maneira que nos ajudem a aprender e a fazer escolhas duradouras que sirvam ao nosso propósito.

Avaliando a nós mesmos quando fomos menos que perfeitos


Algumas frases típicas de quando fazemos algumas coisas que não gostaríamos de ter feito:

  • "Isso foi burrice!";
  • "Como pude fazer uma coisa tão idiota?"; "O que há de errado comigo?";
  • "Estou sempre pisando na bola";
  • "Isso foi tão egoísta!"


Aprendemos a nos julgar como se a nossa atitude fosse errada ou ruim e como se, por isso, merecêssemos sofrer pelo que fizemos.

“É trágico que tantos de nós fiquemos enredados no ódio por nós mesmos, em vez de nos beneficiarmos dos erros, que mostram nossas limitações e nos guiam em direção ao crescimento. Mesmo quando às vezes”

Podemos sim “aprender uma lição” a partir do autojulgamento severo, mas qual a energia do aprendizado e da mudança? Como fica nossa autoestima?

“Eu gostaria que a mudança fosse estimulada por um claro desejo de melhorar nossa vida e a dos outros em vez de por energias destrutivas como a vergonha ou a culpa”.

“Se o modo como nos avaliamos nos faz sentir vergonha, e, em consequência disso, mudamos nosso comportamento, estaremos permitindo que nosso crescimento e aprendizado sejam guiados pelo ódio por nós mesmos. A vergonha é uma forma de ódio por si próprio, e as atitudes tomadas em reação à vergonha não são livres e cheias de alegria. Mesmo que nossa intenção seja a de nos comportarmos com mais gentileza e sensibilidade, se as pessoas sentirem a vergonha ou a culpa por trás de nossas ações, será menos provável que elas apreciem o que fazemos do que se formos motivados puramente pelo desejo humano de contribuir para a vida”.

Para Marshall, existe uma palavra em especial com enorme pode infligir medo ou culpa: o verbo dever.

  • “Eu deveria ter feito aquilo”.
  • “Eu deveria saber”.


É um verbo que nos faz resistir ao aprendizado, uma vez que ele implica que não temos escolha. Deveria ter feito isso e pronto. O ser humano tende a resistir a qualquer tipo de exigência, porque a exigência ameaça a nossa autonomia. Temos a forte ncessidade de termos escolhes.

tudo é questão de escolha
tenho que é um verdadeiro fardo!

Uma outra expressão semelhante é o “tenho de”:
  • Eu realmente tenho de parar de fumar.
  • Eu tenho que fazer alguma coisa a respeito.

Nós não nascemos para ceder a tirania, mesmo que seja tirania interna. E quando a gente cede, o movimento vem de uma energia que carece de alegria de viver.

Traduzindo Julgamentos sobre si mesmo e exigências internas.


“Julgamentos de si mesmo, assim como todos os julgamentos, são expressões trágicas de nossas necessidades insatisfeitas”.

“Quando continuamente nos comunicamos com nós mesmos por meio de julgamentos, culpa e exigências internas, não surpreende que a auto-imagem corresponda ao sentimento de que somos ‘mais parecidos com uma cadeira do que com um ser humano’”.

Uma das premissas da CNV é entender que julgar alguém como errado ou agindo mal, na verdade significa que essa pessoa não está agindo em harmonia com as nossas necessidades. O mesmo vale para os julgamentos internos que fazemos a nós mesmos.

O desafio nesses momentos em que estamos fazendo algo pouco enriquecedor a nós mesmos, é conseguirmos uma autoavaliação que busque uma mudança:

  1. na direção em que gostaríamos de ir, e
  2. por respeito e compaixão para com nós mesmos, em vez de por ódio, culpa ou vergonha.


O luto na CNV 


Na CNV, o processo de luto ajuda-nos a entrar em conexão plena com as necessidades insatisfeitas e com os sentimentos gerados quando fomos menos que perfeitos. É uma experiência de arrependimento que nos ajuda a aprender com o que fizemos, sem nos odiarmos.

É muito difícil pensar o tempo todo só em termos de necessidades. Mas, da mesma forma que aprendemos a traduzir julgamentos, podemos reconhecer quando o diálogo interno é negativo e mudar o foco da atenção para as necessidades subjacentes.

“Quando a consciência se concentra naquilo que de fato precisamos, somos naturalmente impelidos a agir em direção a possibilidades mais criativas para que aquela necessidade seja atendida. Ao contrário dos julgamentos moralizadores de quando nos culpamos, que tendem a obscurecer tais possibilidades e a perpetuar um estado de autopunição”.

 Perdoando a nós mesmos


“Perdão a nós mesmos na CNV: conectar-nos com a necessidade que estávamos tentando atender quando tomamos a atitude da qual agora nos arrependemos”.

Estamos sempre a serviço de necessidades e valores. Isso é verdadeiro tanto se a ação atender à necessidade quanto se não atender a ela, fazendo-nos comemorar ou arrepender.

No arrependimento, podemos nos perguntar:

  • "Quando me comportei da maneira da qual agora me arrependo, qual de minhas necessidades eu buscava atender?"


O perdão a nós mesmos ocorre no momento em que a conexão empática acontece. Somos então capazes de reconhecer que nossa escolha foi uma tentativa de servir à vida, mesmo que o processo de luto tenha nos mostrado como ela falhou em atender a nossas necessidades.

a compaixão começa dentro de você
Um processo que pode ser aliviador.

“Um aspecto importante da autocompaixão: sermos capazes de ter empatia por ambas as partes de nós mesmos: a parte que se arrepende de uma ação passada e a parte que executou aquela ação”.

Não faça nada que não seja por prazer


“Queremos agir motivados pelo desejo de contribuir para a vida, e não por medo, vergonha ou culpa”.

Essa parece ser uma ideia realmente radical. Mas é essencial a autocompaixão. Quando temos consciência do propósito enriquecedor para a vida que está por trás de uma ação que fazemos, então até o trabalho duro contém um elemento de prazer.
Toda atividade que poderia ser prazerosa deixa de sê-lo se for executada por obrigação, medo, dever, culpa ou vergonha, e acabará gerando resistência.

Substituindo o “tenho de fazer” por “escolho fazer”


Marshall nos oferece um pequeno e poderoso exercício que nos ajuda a substituir o “tenho de” pelo “escolho fazer”.

Primeiro passo:


O que você faz em sua vida que você não sente ser prazeroso? Relacione num pedaço de papel todas as coisas que você diz a si mesmo que tem de fazer, qualquer atividade que você deteste mas faz assim mesmo, porque percebe que não tem escolha.

Segundo passo:


Depois de completar a lista, reconheça claramente para si mesmo que você está fazendo essas coisas porque escolheu fazê-las, não porque você tem de fazê-las. Coloque a palavra escolho na frente de cada item que você listou.

Terceiro passo:


Depois de ter reconhecido que você escolheu fazer uma atividade específica, entre em contato com a intenção por trás da escolha completando a frase: "Escolho ____ porque quero _____”.

Esse pode ser um passo difícil de identificar inicialmente. Mas uma vez que identificamos, podemos mudar a natureza da nossa energia de ação.

“A cada escolha que você fizer, esteja consciente de que necessidade ela atende”.

Cultivando a consciência da energia por trás de nossas ações.


Ao explorar o terceiro passo do exercício, podemos descobrir que existem alguns valores importantes pra nós por trás das escolhas que fazemos. Ganhamos clareza a respeito da necessidade que está sendo atendida. E aquilo pode se tornar prazeroso, mesmo que envolva trabalho duro, desafios e frustrações.

Contudo, na sua lista, você pode descobrir algumas motivações como:

Por dinheiro:


Uma recompensa cultural extrínseca, o dinheiro não é uma necessidade, tal como definimos em CNV. Mas um dos inúmeros meios que se tem para atender uma necessidade humana.

As escolhas motivadas por um desejo de recompensa acabam custando caro: elas nos privam da alegria de viver que vem das ações que são baseadas na clara intenção de contribuir para uma necessidade humana.

Por aprovação:


Assim como o dinheiro, a aprovação também é uma espécie de recompensa extrínseca.

Nossa cultura nos treina a ter fome de recompensas. São atributos utilizados para nos motivar desde a escola.

Trabalhamos duro para comprar amor e saciar nosso ego. Ser o “bom aluno”, o “bom funcionário”, o “bom filho”, a “boa mãe”, a “boa chefe”... Conquistar as recompensas e troféus e evitar a punição que cabe aos maus. Sempre dependentes do feedback externo.

O reconhecimento de que escolhemos usar nossa capacidade para servir à vida e que fizemos isso com sucesso nos traz a verdadeira alegria de celebrar a nós mesmos de uma maneira que a aprovação dos outros nunca poderá nos oferecer.

Para evitar uma punição:


“Alguns de nós pagam imposto de renda para evitar a punição. Como consequência, é provável que nos aproximemos disso com certo grau de ressentimento. Eu me lembro, porém, de como em minha infância meu pai e meu avô pensavam de modo diferente. Eles haviam emigrado da Rússia para os Estados Unidos e tinham vontade de apoiar um governo que eles acreditavam. Imaginando as muitas pessoas cujo bem-estar estava sendo garantido pelo dinheiro de seus impostos, eles sentiam um sincero prazer ao mandarem seus cheques para o governo americano”.

Um exemplo de difícil aplicabilidade no Brasil atual, no entanto, suficientemente ilustrativo.

Para evitar a vergonha:


Existem tarefas que escolhemos fazer simplesmente para evitar a vergonha. Sabemos que, se não as fizermos, acabaremos sofrendo um severo julgamento sobre nós mesmos. Essa motivação, geralmente, faz com que detestemos aquilo.

 Para evitar culpa:


Às vezes agimos por medo de não satisfazer a expectativa do outro e isso é extremamente desgastante.
Há um mundo de diferença entre fazer alguma coisa pelos outros para evitar a culpa e fazê-la por causa de uma clara consciência de nossa própria necessidade de contribuir para a felicidade de outros seres humanos. A primeira alternativa representa um mundo cheio de infelicidade; a segunda, um mundo cheio de prazer.

Por dever:


Segundo Marshall, uma linguagem que nega a possibilidade de escolha, é uma linguagem perigosa. E isso faz todo o sentido. Foi esse tipo de linguagem burocrática que permitiu obediência cega e passividade por parte dos solados e agentes diante do cruel e desumano holocausto nazista, por exemplo.

Há sempre uma opção. E pode parecer radical, mas é possível fazer as coisas somente por prazer. Acredito que à medida que nos engajamos de momento a momento no prazer de enriquecer a vida - motivados somente pelo desejo de enriquecê-la - nos compadecemos de nós mesmos.

Esteja consciente das ações motivadas pelo desejo por dinheiro ou pela aprovação dos outros, ou pelo medo, vergonha ou culpa. Saiba o preço que você paga por elas.

Até o próximo capítulo!





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