Sobre a crise, nosso papel e a cidadania - O Espaço - Equilíbrio, empatia e prática Sobre a crise, nosso papel e a cidadania

Sobre a crise, nosso papel e a cidadania

2015/10/13 | 6 comentários | |


É tempo de crise, de incerteza, de medo.. O pessimismo já tomou conta. Com impeachment ou sem, o país está regredindo e a previsão em Brasília é de confusão  sem fim. Estamos perdendo o pouco que conquistamos? Não sabemos aonde vamos parar. Fala-se em crise econômica, fala-se em crise política. Sem estabilidade, não conseguiremos caminhar. E ficar estável não será possível nem tão cedo.


Apesar disso tudo, a nossa maior crise é, na verdade, de representatividade

O Brasil Desgastado - O Espaço

Ratos na políticaExiste um abismo enorme entre os governantes e as pessoas. Ninguém nos representa. Quem deveria, está preocupado demais com o próprio umbigo. Jogo dos ministérios. Pautas bomba. Regalias. A oposição que faz de tudo para afundar o governo, nem que tenha  que afundar o país junto. O governo querendo se manter no poder a todo custo, nem que pra isso tenha que vender a nossa saúde e a nossa educaçãoRatos! Ratos cheios de regalias. Seja você da esquerda ou da direita, liberal ou conservador, não importa. Você não é representado. 

Alguns falam em reforma política outros querem o impedimento da presidente, para depois impedir o vice, depois o próximo, até não sobrar mais ninguém. Existem aqueles que procuram por um herói da moral e dos bons costumes, algum salvador. Alguns falam até em anarquia. Sentimos a corrupção tão enraizada... Dizem que já é parte do processo. É difícil distinguir as coisas. É difícil enxergar uma perspectiva de melhora. Estamos confusos e desanimados. 

Essa é a nossa crise. Ela é grave e muito pior do que qualquer problema econômico.


Da oportunidade de reflexão


Mas crise também é momento pra reflexão, uma boa hora de parar de fazer tudo no automático, de reclamar no automático e considerar tudo o que tem acontecido até então e, porque não, tornar isso uma boa oportunidade de mudança.

Nós temos o hábito de colocar os políticos como seres muito distantes. Seres malignos que nascem sem caráter para nos ferrar. 
“Ô, raça!”. “Político não vale nada”. “ Bando de filho da p*#$#&”. E por aí vai..  Aumentamos esse grave abismo entre nós e eles, apenas para nos isentar de qualquer responsabilidade. A culpa é deles. Consciência tranquila.


Isolamos tanto a classe política que parece até ser uma classe malvada de outro mundo que tem o único objetivo de nos sugar mais e mais poder. E por mais que essa teoria faça sentido, na verdade o político é apenas mais um brasileiro, nascido e crescido aqui, como eu e você, acostumado a fazer tudo da maneira que nós fazemos. Então porque acreditar que eles fariam algo diferente quando chegassem lá?! 
Sim, somos nós os preocupados com o próprio umbigo. Somos nós com o individual acima de qualquer coisa. Somos nós nos poderes executivos e legislativos barganhando os direitos das pessoas. Somos nós no judiciário com salários astronômicos abusando de poder. Somos nós na imprensa manipulando massas. Somos nós os grandes empresários fazendo lobby. Somos nós no trânsito. Principalmente no trânsito, onde não se respeita nada nem ninguém. Baita ilustração. Somos nós corrompendo nos estados e municípios. Nas escolas e postos de saúde. Somos nós no serviço público preguiçoso. Somos nós batendo ponto e indo embora.... 

Também somos nós falsificando carteirinha de estudante. Somos nós furando filas. Somos nós os clubes endividados. Somos nós apontando a sujeira da CBF apenas quando convém. Somos nós torcendo nos elefantes brancos da copa. Somos nós os cambistas. Somos nós que compramos pirata, que compramos roubado. Somos nós pegando vagas de idosos, deficientes. Somos nós querendo dar um jeito... 

Jeitinho Brasileiro - O Espaço


Enquanto culpamos os políticos, justificamos nossos erros. “Opa, parei nessa vaga rapidinho, só precisava resolver uma coisa rápida”. Mas da mesma forma eles também encontram suas próprias justificativas. Eles também conseguem encostar a cabeça no travesseiro e dormir a noite. Isso se chama relativismo.

“Ah cara, mas você está comparando quem joga papel de bala na rua com quem roubou milhões?”

De jeito nenhum! É evidente que os grandes desvios têm consequências muito mais graves. Causam muito mais estrago. Aquela ultrapassagem irregular vai gerar nada mais que desconforto aos outros motoristas da via, enquanto o desvio do dinheiro da saúde vai causar centenas de mortes.


Não se trata de comparar os erros, eu estou apenas te mostrando a raiz do problema. E essa raiz está firme. Sabe a sensação de que a Lava-Jato não vai dar em nada? Ela trata apenas de um fruto do problema, mas a raiz ainda continua lá, dando troncos, galhos, folhas e muitos outros frutos. Mesmo que se acabe com o partido tal, mesmo que se prenda fulano, mesmo que se exploda Brasília... A raiz ainda somos nós! Outros chegarão lá e vão continuar fazendo tudo da mesma forma.

Do nosso papel como cidadão


Temos agora a oportunidade de transformar toda a insatisfação em combustível de mudança. É chegado o momento de cessar a reclamação pela reclamação para começarmos uma análise do nosso papel em relação a sociedade. Das nossas atitudes e suas consequências diretas e indiretas. Chegou a hora de entender que o mecanismo funciona como um todo e que somos peças importantes e influentes. Chegou a hora de ampliar nossa visão de comunidade e nossa ideia de cidadania.

Segundo a constituição, são deveres de um cidadão:

•          Votar para escolher os governantes;
•          Cumprir as leis;
•          Educar e proteger seus semelhantes;
•          Proteger a natureza;
•          Proteger o patrimônio público e social do País.

Porém, isso somente não nos basta mais. O nosso país é jovem e nossa democracia é recente, conquistamos muito, mas ainda temos muito o que aprender. Precisamos dar um novo passo. Precisamos avançar na empatia, na ética e no respeito. É hora de aprender a ter um olhar coletivo. Caso contrário estaremos condenados a viver em meio a toda essa lama.

Com aquela ultrapassagem irregular você vai causar desconforto aos outros motoristas da via apenas para chegar dois minutos adiantado, isso é colocar um pequeno prazer individual na frente de um bem estar geral. O mesmo para o pai que ensina o filho a mentir a idade e pagar meia entrada. O mesmo para o vizinho que inicia uma reforma às 6 da manhã. Todos fazemos isso, mesmo que seja um pouquinho. Multiplique esse pouquinho por 200 milhões de pessoas. Sim, essa é a nossa fórmula, destrutiva demais.
Cidadania Japonesa - O Espaço
Torcida japonesa catando o lixo depois do jogo, abrindo mão do pequeno prazer de 
chegar mais cedo em casa em troca do bem estar coletivo.

"Quer dizer então que você é o perfeitão e não faz nada de errado?"

Obviamente eu me incluo nisso. Não à toa que escrevo este texto em primeira pessoa. E sei como é difícil tentar fazer diferente. Também não estou falando para virarmos o exemplo que é o Japão da noite para o dia, estou chamando apenas para o primeiro passo, para começarmos a caminhar nesse sentido. Este é um exercício diário. É preciso se questionar todo dia.
  • Aquele desvio inofensivo é mesmo inofensivo?
  • Eu estou justificando ou relativizando meus delitos? 
  • Uso a injustiça dos outros para explicar a minha injustiça?
  • Acho certas coisas ok apenas porque todo mundo faz?
  • Eu considero meus problemas mais importantes que os dos outros? 
  • Eu considero o meu tempo mais precioso que o tempo do outro? 
  • Eu considero o meu trabalho, meu cargo mais importante que o dos outros? 
  • Isso me faz achar ter mais privilégios em relação à eles? 
  • Eu ando apressado, sem paciência e uso isso com desculpa para cometer delitos?

Essas são algumas das várias perguntas que podemos usar para melhorar nossa conduta frente ao mundo. Deixo-as com você junto com muita vontade de ver um futuro melhor acontecer.

Vamos em frente meus amigos.
Acreditemos nas pessoas!



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Grande abraço!

6 comentários:

  1. Respostas
    1. Muito obrigado, Javert
      Espero que volte sempre ao blog

      Um abraço!

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  2. Bela reflexão Lucas! Me identifiquei com o texto, e sei que não é fácil se policiar em meio ao caos que nos encontramos mas, como você disse, devemos dar o primeiro passo.

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    1. É isso ai, Valdir,
      Não é fácil mesmo não, mas vamos em frente!

      Um abraço, volte sempre

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  3. Excelente reflexão, penso na mesma linha, ninguém quer realmente assumir responsabilidades ou mudanças, só querem repassar a culpa, fechamos completamente os olhos pra raiz do problema, nós mesmos. O primeiro passo hoje se faz mais que necessário.

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    1. Valeu, Rafael.
      Vamos que vamos!

      Ainda tenho muita esperança

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