O Pai Perdoa - O Espaço - Equilíbrio, empatia e prática O Pai Perdoa

O Pai Perdoa

2016/01/19 | 11 comentários | |


Hoje gostaria de compartilhar com você uma história muito legal, que nos faz pensar muito sobre o nosso relacionamento com as pessoas que amamos.

Vi este conto a primeira vez no best-seller  Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas (1936) de Dale Carnegie (link).

Apesar do título meio marketeiro, este é um excelente livro com um poder real de transformação.

Esta história, de autoria de W. Livingston Larned, aparece para fechar e ilustrar o primeiro capítulo do livro após uma sequência de boas reflexões, dentre elas:

- Como a crítica muitas vezes nasce como fruto da falta de empatia. Isso é, não tentar entender as diferenças do outro em relação a nós mesmos. (Mais detalhes sobre isso em O Mapa não é o Território, aqui).

- Como as únicas respostas possíveis à uma crítica são ressentimento, mágoa e justificativa. Ou seja, criticar gera nada mais que desgaste.

- Como nos pegamos viciados em criticar sem perceber.

Ele encerra o capítulo com um príncipio:

“Não critique, não condene, não se queixe”.


De alguma forma isso faz muito sentido pra mim. Você já teve alguma experiência com relação à críticas? Sendo quem causa ou quem recebe a ação, é provável que essa experiência não tenha sido das mais positivas.


Mas vamos, sem mais delongas, ao que interessa: o conto!

O Pai Perdoa


Escute, filho: enquanto falo isso, você está deitado, dormindo, uma mãozinha enfiada debaixo do seu rosto, os cachinhos louros molhados de suor grudados na fronte. Entrei sozinho e sorrateiramente no seu quarto. Há poucos minutos atrás, enquanto eu estava sentado lendo meu jornal na biblioteca, fui assaltado por uma onda sufocante de remorso. E, sentindo-me culpado, vim para ficar ao lado de sua cama. Andei pensando em algumas coisas, filho: tenho sido intransigente com você. Na hora em que se trocava para ir à escola, ralhei com você por não enxugar direito o rosto com a toalha. Chamei-lhe a atenção por não ter limpado os sapatos. Gritei furioso com você por ter atirado alguns de seus pertences no chão. Durante o café da manhã, também impliquei com algumas coisas. Você derramou o café fora da xícara. Não mastigou a comida. Pôs o cotovelo sobre a mesa. Passou manteiga demais no pão. E quando começou a brincar e eu estava saindo para pegar o trem, você se virou, abanou a mão e disse: "Tchau, papai!" e, franzindo o cenho, em resposta lhe disse: "Endireite esses ombros!" De tardezinha, tudo recomeçou. Voltei e quando cheguei perto de casa vi-o ajoelhado, jogando bolinha de gude. Suas meias estavam rasgadas. Humilhei-o diante de seus amiguinhos fazendo-o entrar na minha frente. As meias são caras - se você as comprasse tomaria mais cuidado com elas! Imagine isso, filho, dito por um pai! Mais tarde, quando eu lia na biblioteca, lembra-se de como me procurou, timidamente, uma espécie de mágoa impressa nos seus olhos? Quando afastei meu olhar do jornal, irritado com a interrupção, você parou à porta: "O que é que você quer?", perguntei implacável. Você não disse nada, mas saiu correndo num ímpeto na minha direção, passou seus braços em torno do meu pescoço e me beijou; seus braços foram se apertando com uma afeição pura que Deus fazia crescer em seu coração e que nenhuma indiferença conseguiria extirpar. A seguir retirou-se, subindo correndo os degraus da escada. Bom, meu filho, não passou muito tempo e meus dedos se afrouxaram, o jornal escorregou por entre eles, e um medo terrível e nauseante tomou conta de mim. Que estava o hábito fazendo de mim? O hábito de ficar achando erros, de fazer reprimendas - era dessa maneira que eu o vinha recompensando por ser uma criança. Não que não o amasse; o fato é que eu esperava demais da juventude. Eu o avaliava pelos padrões da minha própria vida. E havia tanto de bom, de belo e de verdadeiro no seu caráter. Seu coraçãozinho era tão grande quanto o sol que subia por detrás das colinas. E isto eu percebi pelo seu gesto espontâneo de correr e de dar-me um beijo de boa noite. Nada mais me importa nesta noite, filho. Entrei na penumbra do seu quarto e ajoelhei-me ao lado de sua cama, envergonhado! É uma expiação inútil; sei que, se você estivesse acordado, não compreenderia essas coisas. Mas amanhã eu serei um papai de verdade! Serei seu amigo, sofrerei quando você sofrer, rirei quando você rir. Morderei minha língua quando palavras impacientes quiserem sair pela minha boca. Eu irei dizer e repetir, como se fosse um ritual: "Ele é apenas um menino - um menininho!" Receio que o tenha visto até aqui como um homem feito. Mas, olhando-o agora, filho, encolhido e amedrontado no seu ninho, certifico-me de que é um bebê. Ainda ontem esteve nos braços de sua mãe, a cabeça deitada no ombro dela. Exigi muito de você, exigi muito. Em lugar de condenar os outros, procuremos compreendê-los. Procuremos descobrir por que fazem o que fazem. Essa atitude é muito mais benéfica e intrigante do que criticar; e gera simpatia, tolerância e bondade. "Conhecer tudo é perdoar tudo". Como disse o dr. Johnson: "O próprio Deus, senhor, não se propõe julgar o homem até o final de seus dias". Por que o faríamos, você e eu?



O pai perdoa. Críticas. Criação. Pai e filho.






Legal mesmo, não é? O que achou?  Faz sentido para você também? 
Espero que sim!

Talvez isso tenha despertado algo em você. Talvez você queira espalhar essa mensagem. Clique
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Grande abraço!




11 comentários:

  1. Adorei o conto e fico no aguardo da resenha do livro todo :)

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  2. Muito interessante e motivador o conto! Quantas vezes nos pegamos agindo como "o Pai", não é?
    Quero muito a resenha do livro!

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    1. Valeu, Rafael!

      Estou pensando na resenha, acho que pode ser uma boa ideia

      Um abraço!

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  3. Tô esperando a resenha do livro .. e ele de presente para ler também! haha =)

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    1. Podemos fazer um sorteio, que tal? hahaha
      Abraço

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  4. Ai ai, muito top! Quero muito a resenha do livro! =)))

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  5. Muito muito muito toop ! As vezes eu fico igual a esse Pai ai, criticando tudo e todos que não agem de acordo com o que EU penso ! No valeu demais a relfexão =))

    Aguardo ansiosamente a resenha do livro =))

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    1. Que bom que gostou! É preciso vigiar sempre!!
      Volte sempre =))

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