Porque você não consegue atingir os seus objetivos - Homeostase - O Espaço - Equilíbrio, empatia e prática Porque você não consegue atingir os seus objetivos - Homeostase

Porque você não consegue atingir os seus objetivos - Homeostase

2016/01/06 | 2 comentários | |


promessas de final de ano


[Texto atualizado em: 09/01/2017]


Acompanhe também a versão em áudio:





Chega mais um ano. Você está empolgado e cheio de planos. Faz uma lista de resoluções para os próximos 12 meses com várias coisas boas que deixarão sua vida mais feliz. E o primeiro item está lá: praticar uma atividade física.

Ótimo! Você não quer perder tempo. Já são 10 anos de sedentarismo, está na hora de acabar com isso. Janeiro traz muita esperança, renovação! Logo então, você decide pela corrida. São incontáveis benefícios. Você vai ao shopping e compra um tênis bonito, roupas combinando, uma garrafinha de água, fones de ouvido e até mesmo uma revista com dicas sobre a prática. 

Você está realmente animado e decidido. Você aprende sobre alongamentos, respiração e encontra um lugar bacana para a sua corridinha. Até que tem sido tudo divertido, começar algo novo é mesmo bacana!

Eis que chega o primeiro dia, você acorda mais cedo e toma um café reforçado. Seu despertador é Rocky Balboa. Veste sua roupa nova, se alonga e vai! Começa bem, ventinho na cara e está tudo dando certo.

A ideia inicial era uma horinha de corrida tranquila e você estaria pronto para seguir o dia, porém, lá pelo sétimo minuto, coisas estranhas começam a acontecer.

Uma sensação ruim. As pernas estão pesadas. Tonteira? Um aperto no peito. Queimação. O ar não entra direito nos pulmões. Alguma coisa está errada. As vistas escurecendo. Será que vou desmaiar? Será que vou morrer? Você se pergunta.

Metas não alcançadas


Não... Você – provavelmente – não está experimentando a morte, você está experimentando um fenômeno chamado homeostase


Homeostase? O que é e como funciona?


Muitas vezes, quando decidimos por alguma mudança realmente significativa em nossa vida, sofremos algum tipo de recaída. Mesmo conscientemente sabendo que aquilo é para o nosso bem, mesmo sabendo que a transformação vai ser positiva para nós, recaímos. Recaímos e voltamos à estaca zero. Ou talvez estaca menos um, porque a frustração de um fracasso nos deixa pior do que antes.

Faz com que nos sintamos fracos, sem força de reação, sem capacidade para transformar a própria vida. E assim, nos acomodamos. Acostumamos à vivências ruins, vícios e hábitos prejudiciais, apenas pela sensação de impotência. Essa é a homeostase cumprindo o seu papel com sucesso.

Metas não alcançadas
É o meu jeito mesmo, não posso mudar...

Acontece que uma mudança brusca não é vista como um bom sinal para os organismos vivos.

Imagine que a temperatura do seu corpo de repente caia 5 graus: você está de férias em algum lugar do hemisfério norte sobre águas de um lago congelado, como naqueles filmes bonitos que a gente vê na TV. Quando você pisa em um lugar mais sensível, o gelo se rompe e você se afunda.

Emergência total, não é? Nesse momento, o seu corpo estaria trabalhando forte para que a sua temperatura se restabeleça aos níveis iniciais e seguros.

Por uma questão fundamental de sobrevivência, nós possuímos sistemas auto-reguladores que tentam sempre manter as coisas estáveis, da forma que estão. Bilhões de sinais eletroquímicos estão trabalhando  no nosso cérebro o tempo todo para manter o sistema equilibrado. Não só para temperatura, como também pressão ou qualquer outra função do corpo.

Essa resistência a mudanças significativas é chamada de homeostase. Uma tendência ao equilibro. O ambiente se transforma e você, para garantir a sobrevivência, se auto-regula, mantendo um equilíbrio dinâmico.

É como numa balança: quando o dia está muito quente, o corpo inicia um processo de regulação através do suor e outros mecanismos para manter-se na temperatura ideal.


Porém, há dois pequenos detalhes interessantes nessa história

                            
Entendemos a importância do processo homeostático como ferramenta biológica fundamental na sobrevivência das espécies, contudo há ainda dois detalhes que precisamos conhecer para colocá-los a trabalhar ao nosso favor:

- a homeostase não diferencia mudanças negativas de positivas.


Toda e qualquer mudança significativa é um ataque a estabilidade e precisa ser combatida. As coisas devem permanecer como estão, mesmo que não estejam lá muito boas.

Assim, por exemplo, uma pessoa inserida em nossa cultura ocidental tem o corpo habituado a retirar energia de carboidratos de rápida absorção como açúcar refinado e trigo. Ao optar por uma dieta mais saudável, rica em proteínas e que tem como principal fonte de energia a gordura animal, essa pessoa certamente terá seus alarmes homeostáticos gritando um alerta de perigo.

Alerta! Alerta!! Mudança acontecendo, volte imediatamente para o padrão anterior!

Do mesmo modo, em nossa história da corrida, quando a situação estável é a do sedentarismo, o corpo não está habituado a uma descarga tão grande de energia em um intervalo de tempo tão curto e isso é interpretado como um enorme fator de risco.

- a homeostase vai além de seu princípio biológico.


A questão homeostática está presente em tudo: de um micro-organismo a uma cultura inteira, passando por animais, indivíduos, famílias, organizações, sociedades... Além de um fator biológico, o conceito também se aplica tanto no psicológico quanto no social.

Muito antes de iniciar a primeira corrida e encontrar a resistência física, você iria esbarrar em questões mentais e auto-sabotagens e, provavelmente, encontraria resistência de familiares, amigos e pessoas próximas, mesmo que de maneira inconsciente. A transformação de alguém dentro de um ambiente ameaça todo o seu equilibro e faz com que ajustes sejam necessários por todas as partes.

Assim, suponhamos que você, leitor assíduo do O Espaço, decide por colocar em prática os nossos princípios. Agindo mais positiva e autenticamente frente à vida, você passa a exercitar a empatia, observa com atenção as influências do seu ego e coloca como prioridade a troca genuína em suas relações e interações.

Nesse contexto, as pessoas ao seu redor vão estranhar, questionar e até mesmo duvidar das suas intenções. Ao mesmo tempo, você também se sentirá confuso internamente e pensará, em diferentes momentos, que tais mudanças não te servem, não fazem o seu tipo.

Por isso, a boa prática é o nosso último e primordial princípio, para que alcancemos transformações sólidas, com raízes profundas e duradouras e, para tais, observar a homeostase é imprescindível.

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Assim sendo, como posso vencer a homeostase e colocá-la a meu favor?


Aqui, reforço: homeostase é mecanismo fundamental de sobrevivência. Estabilidade é importante. Equilíbrio é importante. Entretanto, saber identificar as forças dessa estabilidade é de extremo valor quando se quer assumir o controle da própria vida. Nadar contra o equílibrio é inerente a evolução. Precisamos sentir aquele friozinho no estômago de vez em quando. As coisas mudam. Elas precisam mudar. Porque a vida é fluxo.

Na excelente obra Maestria, de George Leonard, o autor coloca a seguinte situação:

Veja um caso que envolve uma família de cinco pessoas. O pai, alcoólatra, toma um porre a cada seis ou oito semanas. Durante o tempo que está bebendo, e por vários dias depois, a família vive um alvoroço permanente. Não é nada de novo. Esses alvoroços periódicos tornaram-se, de fato, o estado normal das coisas. Depois, por um motivo qualquer, o pai pára de beber. Você imagina que toda a família ficaria feliz, e fica – por algum tempo. Mas a homeostase tem maneiras estranhas e furtivas de responder a um ataque. Existe uma boa chance de que, dentro de poucos meses, outro membro da família (digamos, um filho adolescente) faça alguma coisa (digamos que seja apanhado traficando drogas) para criar exatamente o tipo de alvoroço que as bebedeiras do pai provocavam antes. Sem uma orientação profissional esclarecedora, os membros dessa família não compreenderão que o filho, sem querer, tomou simplesmente o lugar do pai, para manter o sistema familiar no estado que se tornara estável e ‘normal’.

Esse é o exemplo mais ilustrativo que podemos encontrar. Aqui, verificamos que a homeostase:

- é um fenômeno, não só fisiológico, mas também social;
- é muitas vezes difícil de ser identificada;
- não sabe diferenciar mudanças boas de ruins;

Tendo isso claro, quero compartilhar com você cinco dicas para lidarmos com a resistência homeostática nos processos de transformação:

1) Consciência.


Tentar entender como a homeostase reage em você é, provavelmente, o mais importante. Não é fácil. Você não é o pior ser humano do mundo por sentir as forças homeostáticas atuando. Espere por uma resistência forte. Espere por um desejo louco de comer chocolate. Isso não quer dizer que você é fraco  e nasceu pra ingerir doces. Ter uma dieta ruim não é a sua condição de vida. 

Pelo contrário, o alarme homeostático te mostra que há uma mudança ocorrendo. Não se deixe levar pelo primeiro sinal de fraqueza.

Seus amigos ou familiares vão tentar te sabotar, tanto de maneira sutil quanto de maneira aberta. Poxa, mas eles deveriam estar felizes com a minha mudança. Não necessariamente. Às vezes pode incomodar. Porém isso também não quer dizer que eles são pessoas ruins, mesmo que tentem te enfiar coca-cola naquele churrasco ou que te reprimam de forma veemente e séria. Isso é apenas a homeostase fazendo efeito no seu convívio, seja lá da forma como vier. Citando G. Leonard mais uma vez: “todo sistema precisa mudar, quando parte dele muda”. Esteja ciente de que isso também é válido para os seus grupos sociais. E se prepare para ser forte.

2) Negociação.


Negociar é um ato de extrema sabedoria. Você está seguindo feliz uma vida sem carboidrato e de repente esbarra em  uma vontade incontrolável de comer um arroz ou um macarrão pesado. Sente fome extrema, fraqueza, dores de cabeça, às vezes até ansiedade e estresse. Sua mãe diz que você anda esquisito, que devia parar com essas bobagens. Você começa a questionar a motivação disso tudo, parece que foi tudo uma tolice, uma decisão estúpida.

Ok, pode ser sim que você tenha embarcado em uma grande tolice. Entretanto em 99% das vezes, isso são forças homeostáticas que querem dizer:

AVISO! Estabilidade abalada! Mudança perigosa! Volte imediatamente ao ponto de equílibro!

Nesse momento, o que fazer? Seria melhor recuar ou tentar forçar um avanço mais radical? Nem um, nem outro. A resposta se encontra na negociação. O sinal homeostático pode e deve ser utilizado como uma informação. Utilize-o para modelar a sua mudança. Conheça seus limites para poder ultrapassá-los. Observe. Talvez um passo pra trás possa ser necessário para dar vários à frente. Transforme o inimigo em seu guia. Nunca sabemos de onde virão as reações homeostáticas, por isso esteja sempre atento.

Mas tome cuidado com as falsas negociações. Rotas de fuga e recaídas disfarçadas podem ser racionalizadas - a mente cria uma justificativa aceitável para a recaída - de negociações. Esteja pronto para negociar com seriedade. Tenha sempre em mente o progresso gradual e duradouro.

3) Consistência.


Essa às vezes me parece um pouco óbvia, mas mais do que importante ressaltar: o que aconteceria se conseguíssemos manter um processo de mudança firme e com boa consistência?

Depois de um tempo o padrão da homeostase iria se deslocar, não é mesmo? O seu equilíbrio corporal, mental e social agora é de um indivíduo que tem aquela transformação enraizada em si. Se eventualmente acontecer uma oscilação naquele propósito, a homeostase, então, trabalhará ao seu favor. Voltando-te para o ponto de equilíbrio que você antes desejou. Não é incrível?  Assim nascem os bons hábitos!

O segredo é sempre tentar manter um processo consistente. Se recair, tudo bem. Volte imediatamente à luta, de modo a garantir que essa recaída cause o mínimo de estrago possível. Se a recaída abalar demais e você não retomar a tempo, pode ser que atrapalhe toda a consistência seja perdida. Reiniciar o processo vai causar um sofrimento igual ou pior do que a primeira tentativa.

4) Encontre-se com quem também está na luta.


Eu já fui muito cabeça dura em relação à isso. Na minha cabecinha egocêntrica ninguém me entenderia e eu deveria resolver tudo sozinho. Ledo engano!

A força de um grupo é catalisadora! Essencial para nossa jornada rumo à transformação. Na motivação, na inspiração, na referência, no exemplo, no estudo, nas dicas e nas práticas. Tudo isso é de um valor imenso. A troca com as pessoas que estão na mesma busca que a gente é de um valor incomparável.

Existem inúmeros grupos que se apóiam online. Você pode encontrá-los e se conectar. Dividir e somar. Através desses grupos, não será difícil encontrar pessoas da sua cidade para estudar e praticar presencialmente. Deixe o ego de lado e partilhe!

5) Busque um profissional.


Essa é também uma força que o ego nos faz ignorar.

Um profissional é alguém que, dentre inúmeras outras coisas, nos ajuda a despertar consciência para homeostase, auxilia-nos numa negociação honesta e nos mantém em no caminho consistente da realização.

Seja um professor, psicólogo, educador físico, nutricionista, terapeuta, treinador... Enfim, sem eles nossa jornada será mais dura, mais errante e difícil e dependendo do quão enraizado e distante esteja o nosso ponto de homeostase, a mudança só se faz possível através deles.

Faz sentido pra você? Conhecendo a homeostase e as cinco estratégias, você tem as ferramentas necessárias para aplicar qualquer resolução em sua vida. =)

Se isso faz sentido realmente, 
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Espero que tenha sido útil e que você tenha muito sucesso.

Um abraço!

2 comentários:

  1. Muito bom. Pode ajudar muita gente nessa época do ano! Parabéns pelo texto!

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    Respostas
    1. Muito obrigado!
      Começo do ano é complicado mesmo.

      Um abraço.

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