Empatia: antes da benevolência, a inteligência. - O Espaço - Equilíbrio, empatia e prática Empatia: antes da benevolência, a inteligência.

Empatia: antes da benevolência, a inteligência.

2016/05/20 | Nenhum comentário | |


A empatia - O Espaço


É provável que esse não seja o seu primeiro click em um título relacionado a Empatia. O assunto está em alta nos dias de hoje, não é mesmo? Contudo essa moda não consegue se libertar dos textos, imagens e afins.

Falamos de empatia todos os dias mas não conseguimos colocá-la em prática realmente.

Porque isso acontece? Claro que todo processo de transformação se inicia primeiro no mundo das ideias e leva um tempo para que se internalize tudo em nossas práticas, até que aquilo verdadeiramente faça parte de quem somos. Tempo esse recheado de oscilações, recaídas e incoerências.

Por isso tenho forte convicção de que caminhamos para um ambiente mais tolerante, mais receptivo e acolhedor e mais aberto ao diálogo e à compreensão.

Porém, hoje, eu gostaria de oferecer uma abordagem diferente das que vemos por aí de vez em quando: 


A empatia como uma capacidade das pessoas dotadas de bom intelecto.

Da definição:


Do grego,  -in – para dentro-pathos – sentimento.  Empatia é a capacidade psicológica de tentar compreender sentimentos e emoções das outras pessoas.

Ou em outras palavras, é o se colocar no lugar do outro.

A questão é que muitas vezes isso é visto como uma forma de amor e altruísmo. Um sentimento de benevolência que nos faz ter compaixão com as pessoas.

Às vezes pena, caridade, afeto, simpatia e bondade são confundidos com sentir empatia. Como um sentimento característico de pessoas puras e legais.

Assim, podemos usar isso como uma justificativa para fugirmos do comportamento empático.

“Ora essa, eu não sou o Dalai Lama... Não tenho sangue de barata”!

No entanto, empatia não se trata de uma emoção, portanto não é possível senti-la. Trata-se, de fato, de uma habilidade. Uma capacidade psicológica associada a inteligência emocional.

Consiste em tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente outro indivíduo.

Percebe onde quero chegar? Não estamos falando de um sentimento de benevolência, estamos falando de habilidade que requer inteligência.

E como toda habilidade, podemos aprender, praticar e evoluir.



A doença do mundo.

Mundo doente - O espaço

Há quem diga que a doença do mundo é a falta de Empatia. Que as pessoas vivem em uma bolha de egoísmo, procurando somente aquilo que as traz vantagens individuais. Como se as necessidades dos outros fossem menores que as próprias.

Eu gostaria de ir um pouco adiante, além de egoístas, somos também estúpidos.

Incapazes de se posicionar no lugar do outro, os nossos desejos e necessidades se tornam os mais importantes e a nossa forma de entender as coisas se torna a única. 
Falta-nos maturidade emocional para aceitarmos que não somos o centro do mundo.

Para aceitarmos que para cada pergunta, existe um horizonte sem fim de respostas. E que cada resposta guarda consigo as experiências, vivências, sentidos, valores e percepções diferentes dos nossos.


Falta-nos entender que o nosso modo de ver, sentir, pensar e concluir não é o modo correto. É apenas o nosso modo de ver, sentir, pensar e concluir.

Quando eu não consigo enxergar que há uma perspectiva diferente da minha, então eu estou sendo ignorante. Meu julgamento será invariavelmente falho.

Sou um ignorante que se sente sábio.


Da comunidade:


Incapaz de exercer empatia, meu julgamento será falho e minha ações prejudiciais à comunidade que me cerca.

Assim somos corruptos, ladrões, mentirosos, impacientes, exploradores, intolerantes, enrolados e indiferentes, querendo sempre retirar nossa parcela de vantagem pessoal.
Malandragem - O espaço


Quando você não consegue se colocar no lugar do outro, lhe falta capacidade psicológica. E, uma vez que vivemos em comunidade, o efeito social é inevitável.

Cada vez que alguém desvia a sua conduta, um pequeno desequilíbrio nasce dali e se espalha.

Uma cortada no motorista mais lento, uma fila furada, um acordo não cumprido, um trabalho feito de qualquer jeito... Todos os dias milhões de pequenas situações caóticas são criadas.

No fim, estamos todos derrotados. De 7x1.

É preciso que nos esforcemos para criar um entendimento coletivo. É preciso entender que isto não é uma qualidade de mocinhas e mocinhos.

Quando eu paro na faixa e deixo o pedestre passar, não estou sendo o cara legal, gente boa. Isso não é mera questão de compaixão.

Estou sendo, em primeiro lugar, inteligente. Estou respondendo com a minha capacidade de entender que essa atitude faz fluir melhor a comunidade a qual eu estou inserido.


O fortalecer do músculo.


Como toda habilidade, podemos exercitar empatia em busca da maestria. Para isso, é preciso se questionar diariamente qual o caminho estamos tomando.


Aqui vão três dicas baseadas em outros textos aqui do Espaço mesmo (links no título):


1) O mapa não é o território.

O mapa não é o território - O espaçoImagine que toda a realidade em que um indivíduo está inserido tivesse a forma de um território. Agora imagine este indivíduo descrevendo todo o seu território, tentando fazer, da forma mais detalhada possível, uma reprodução exata do que é essa realidade. Isso seria o seu mapa.

Todas as pessoas têm percepções diferentes de mundo, baseadas em valores, experiências passadas, emoções. Baseadas em uma vida de infinitas percepções.

Isso significa que todos desenhamos mapas diferentes da realidade e adivinhe...

O mapa não é o território. Nenhum mapa. Em outras palavras,  a realidade é subjetivaninguém é detentor de nenhuma verdade.

Percebe a relação direta? Se o meu mapa não é o território, porque não tentar parar e compreender o mapa do outro? Tentar entender como ele se coloca no mundo?
Tentar enxergar o mundo através dos seus mapas mentais. Consegue perceber o enorme leque de possibilidades que é aberto?

O mapa não é o território. Reconhecer essa limitação é o grande primeiro passo.

Um sábio reconhece a sua ignorância infinita.
 


2) A escutatória.



Cada palavra carrega a história de vida de quem fala, uma história que é diferente da história de quem escuta.

Cada ser é um universo incalculável. Por trás das palavras, do jeito, do tom, da velocidade da fala e do sotaque existe infinitude.

Quando alguém precisa se abrir conosco é razoável tentar entender o que esta pessoa está passando, o que está sentindo. É respeitoso tentar assimilar as palavras e o que elas carregam. Os sentimentos, as emoções.

É possível ouvir sem julgar, sem comparar e sem puxar a conversa para nós mesmos. Mergulhando assim, num universo completamente diferente do meu.

É possível ouvir ao invés de apenas esperar a vez de falar. Quem fala repete o que já sabe, quem escuta tem a oportunidade de aprender algo novo. De trocar vida.


3) A empatia cidadã.

Colocar um pequeno prazer individual na frente de um bem estar geral é um grande erro. Está na hora de reconhecermos. Está na hora de sentirmos vergonha. Precisamos entender que isso é destrutivo demais. É tempo de nos colocar no lugar do outro como cidadão. De nos colocar no lugar da cidade. É preciso se questionar todos os dias.

Torcida do Japão - O espaço
      ·     Aquele desvio inofensivo é mesmo inofensivo?
  • Eu estou justificando ou relativizando meus delitos?
  • Uso a injustiça dos outros para explicar a minha injustiça?
  • Acho certas coisas ok apenas porque todo mundo faz?
  • Eu considero meus problemas mais importantes que os dos outros? 
  • Eu considero o meu tempo mais precioso que o tempo do outro? 
  • Eu considero o meu trabalho, meu cargo mais importante que o dos outros? 
  • Isso me faz achar ter mais privilégios em relação à eles? 
  • Eu ando apressado, sem paciência e uso isso com desculpa para cometer delitos?
Essas são algumas das várias perguntas que podem ser usadas para melhorar nossa conduta frente ao mundo.


A caminhada é dura e não existem atalhos. Mas é dando um passo todo dia que chegamos lá. Que tenhamos sorte, tranqüilidade e sabedoria.

Grande abraço!





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