O Amor dentro da cerquinha. - O Espaço - Equilíbrio, empatia e prática O Amor dentro da cerquinha.

O Amor dentro da cerquinha.

2016/10/19 | Nenhum comentário | |

Amor ciumento, amor romantico, ego, amor genuíno, o espaço


A pior maneira de estabelecer uma relação é pelo controle. De achar que o outro, em função do nosso encontro, nos pertence. Pegar e desenhar um territoriozinho, com uns palanquezinhos, um arame farpado, uma cerca elétrica e dizer: ‘oh, agora você só se move aí viu?! Você se movendo aqui dentro, eu tô bem. Se você pular a cerca, eu morro. Então você veja, esse é o nosso próprio sofrimento. Controlar o outro ou achar que o outro pode ter um comportamento que nos dê segurança é o nosso próprio sofrimento. Porque é impossível, impossível. (...) Se nem a gente mesmo consegue ter um comportamento linear. (...) Como posso querer que a outra pessoa seja alguma coisa o tempo todo, que ela se comporte conforme as minhas expectativas e que ela seja feliz dentro disso que eu tô querendo, porque além do mais, ela tem que fazer o que eu quero e ela tem que ser feliz, tem que sorrir pra mim, dizer que me ama e que tá achando a relação maravilhosa.

Essa é a transcrição de uma parte do vídeo abaixo, entrevista de Márcia Baja para O Lugar. Não transcrevo todo o vídeo, porque gostaria que você visse por você mesmo. São três minutos de muita lucidez e sabedoria:



O que achou?

Para Márcia, controlar o outro é sofrimento certo. Isso por uma premissa óbvia, o outro é incontrolável. Não controlamos nem a nós mesmos. Que dirá o outro.

Se eu atinjo certo nível de controle e consigo sentir uma pontinha de segurança, através do drama, dos ciúmes, dos joguinhos e punições, se imponho condições para amar, então a minha relação não é de amor. É de barganha.

Além disso, também estou me enganando. Porque é impossível dominar tudo. Se o outro tiver que fazer qualquer coisa, ele o fará. Independente das regras que impus para me sentir bem.

Precisamos aprender a diminuir nossa dependência, nossas expectativas, para nos libertar e diminuir o sofrimento. E isso não precisa ser libertinagem.

Algumas pessoas enxergam a relação inversa entre condicionamento e libertinagem. Quando um cresce o outro diminui e vice-versa. Mas não tem que ser assim. Aliás, não deve ser assim. Se isso acontece, então o amor está em segundo plano.

O amor faz bem a quem é amado e também faz bem a quem ama. Quando existe amor, existe crescimento. As essências se misturam e a troca eleva o espírito. A maturidade e o entendimento crescem acompanhando.

Quando existe amor, a libertinagem não é necessária. E o condicionamento muito menos.



Se barganho para mudar aquele que amo, então ele deixará de ser a pessoa que um dia me apaixonei.


É nesse sentido que também ofereço um trecho do livro Coragem, do capítulo Coragem para Amar, do sábio Osho:


“Se puser condições não será capaz de amar, condições são obstáculos. Posto que o amor seja benéfico, do que lhe servem as condições? É muito benéfico. É um grande bem-estar; ame incondicionalmente, não peça nada em troca.

Pode-se chegar a compreender que amando as pessoas terá menos medo, começará a amar pela alegria de fazê-lo!

Normalmente, a gente só ama quando se cumprem todas as condições. Dizem: Se fosse assim, amar-te-ia. Uma mãe lhe dirá ao menino: Querer-te-ei se te leva bem.  Uma esposa dirá a seu marido: Tem que ser assim, só então te poderei querer. Todo mundo põe condições; o amor desaparece.

sufocante amor - o espaço
"Eu te amo, mas depende..."

O amor é um céu infinito! Não pode obrigá-lo a estar encolhido, condicionado, limitado. Se deixar que entre ar fresco em uma habitação e depois a fecha a cal e canto — fecha todas as janelas e as portas —, logo o ar estará viciado. Sempre que surge o amor é um ato de liberdade; depois leva esse ar fresco a sua casa, mas se acaba viciando, sujando.

Este é um problema para toda a humanidade. Quando te apaixona, tudo te parece belo porque, nesse momento, não está pondo condições. Duas pessoas se aproximam incondicionalmente. Quando se consolida a relação, quando dão por sentado que o outro está aí, começam a pôr condições: Deveria ser deste modo, deveria te comportar de outro modo, só então te quererei, como se o amor fosse um negócio.

Se não amar partindo de um coração repleto de amor, está negociando. Quer obrigar à outra pessoa a fazer algo por ti. Está usando o amor como um castigo ou uma imposição, mas não está amando. Está tentando recusar seu amor ou está tentando dá-lo, mas em ambos os casos o amor em si mesmo não é o fim, o fim é alguma outra questão.

Se for um marido e lhe traz presentes a sua esposa, ela estará contente, estará junto a ti, beijar-te-á; mas se não lhe traz nada há uma distância; não está junto a ti, não se aproxima. Quando faz isso esquece que o amor beneficia a ti, e não só a outros”.
  

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Gostou?
Para praticar o amor todo dia:

>> Livro Coragem, por Osho
>> "O que aprendi com o silêncio", entrevista completa de Márcia Baja para o Lugar.

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Grande abraço!!

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