Escutatória, práticas para quem quer aprender a ouvir e entender o outro - O Espaço - Equilíbrio, empatia e prática Escutatória, práticas para quem quer aprender a ouvir e entender o outro

Escutatória, práticas para quem quer aprender a ouvir e entender o outro

2016/11/09 | Nenhum comentário | |


Rubem Alves, Escutatória, O Espaço



"Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer curso de escutatória. Mas acho que ninguém ia se matricular".


Lembra quando falamos desse trechinho aqui? Ele é a mais pura verdade, não é? Quem se matricularia em um curso de escutatória, se a gente tá querendo mesmo é falar o que tá pensando, o que tá sentindo?

A gente quer é ser entendido! Articular bonito e convencer todo mundo. Botar pra fora por inteiro aquilo que está lá no fundinho da alma.

Se as pessoas entendessem mesmo o que quero dizer, com certeza concordariam comigo! Eu não sei por que os cientistas ainda não inventaram um jeito de transferir meus pensamentos pra dentro delas.

Temos uma visão de mundo que é só nossa. É o que somos. A nossa experiência, nossas crenças e valores e o nosso modo único de sentir e interagir com o todo.

Conseguir expressar tudo que a gente carrega e se fazer entendido é uma tarefa difícil e que muitas pessoas trabalham duro pra aprender.

Mas... e o contrário? Se todo mundo está falando, quem está ouvindo? O outro tem a sua história. Uma história incrivelmente singular. Como posso entendê-lo plenamente? O que ele traz em suas palavras?

Por detrás delas existe imensidão.

Quando alguém se expressa, é como se estivesse nos mostrando a pontinha de um iceberg. E se eu pudesse me conectar, mergulhar fundo para além daquela pontinha e me encontrar com toda a massa de gelo, o quão rica se tornaria a minha experiência?

aprender a escutar - o espaço


Ao praticar oratória, aprendo a expressar tudo aquilo que já sei. Porém, ao praticar escutatória, abro-me para novos horizontes. Cresço, evoluo e adiciono à vida, mais sabor.

É por isso que aquele trechinho é tão bonito e cheio de sabedoria! Ele é o comecinho da crônica Escutatória, e está na coletânea O amor que acende a lua de 1999, do nosso saudoso Rubem Alves.

De uma maneira leve e gostosa, Rubinho, com sua sem igual sensibilidade, chama atenção para a desvalorização da escuta, mostrando que, em uma conversa, o foco está inteiramente no eu, fazendo da boa troca, uma disputa egocêntrica.

Nesse sentido, ele observa: “nunca vi anunciando um curso de escutatória”. E conclui: “Pensei em oferecer um. Mas acho que ninguém ia se matricular”.

Triste realidade.

Desde então os cursos de oratória não pararam de pipocar. Imagem pessoal, apresentação, Power point, persuasão... Alta demanda de quem quer enviar uma mensagem. E alta oferta também.

Até que o pessoal da Escola de Empatia resolveu nadar contra essa correnteza para lançar o primeiro curso de Escutatória, para aqueles que querem aprimorar o receber da mensagem. Realizando, quem sabe, um antigo desejo de Rubem Alves.

Escola de Empatia - Escutatória


E sabe o que é o mais legal? Muita gente se matriculou!

Surpreendente, não é? A primeira turma, a qual tive a honra de fazer parte, se encontrou nas noites de quinta-feira durante o mês de outubro para aprender e exercitar a escuta, através de boas partilhas e inúmeras práticas, sendo algumas delas, desafiadoras.

O Escutatória, além de ser uma iniciativa notável da Escola de Empatia, se mostrou também necessária. Escutar não é tarefa fácil e, ao longo do curso e das práticas, nos deparamos com diversas dúvidas e barreiras. Foi preciso nos abrir e nos colocar, em alguns momentos, para além da nossa zona de conforto.

As quintas de outubro foram especiais e muito enriquecedoras. Descobri e me aprofundei em novos caminhos da Empatia, da Prática e da Troca, três dos princípios do Espaço e tenho certeza de que isso irá render valiosos frutos para o nosso blog e nosso projeto.

Quero dividir com você um pouquinho da tônica desses quatro encontros. Brevemente, para não entregar toda a dinâmica do curso e estragar suas vivências nele:



Primeiro encontro: O Olhar Generoso


É possível olhar sem julgar? Sem misturar o fato com as interpretações? Até que ponto consigo esvaziar-me de mim mesmo para receber o que vem até a mim? Sem embaralhar as coisas que recebo com a minha própria experiência?

Alguns conceitos:

Ouvir x Escutar – Para escutar é preciso todos os sentidos.
Observação x Julgamento – Julgar é interpretar, avaliar e criticar o que é observado.
Generalização – Julgar um fato do presente tendo como base experiências do passado.



Segundo encontro: O Silêncio


Escutar é silenciar, silenciar é estar presente. “É no vazio da jarra que se coloca as flores”. Saber silenciar os próprios pensamentos e ruídos é fundamental para escuta. O Silêncio é o marco zero da conversa.

Debate: Angústia do silêncio, um sintoma social?



Terceiro encontro: A Escuta Empática


Segundo Carl Rogers: “uma compreensão aguda e empática do mundo do outro, como se fosse visto do interior. Captar o mundo particular do outro como se fosse o seu próprio mundo, mas nunca esquecer esse caráter de como se – é isso a empatia”.

O Ciclo da Empatia:
  • Escolher a empatia
  • Olhar e perceber o outro
  • Estar disponível
  • Silenciar
  • Escutar plenamente
  • Não julgar
  • Comunicar a empatia
  • Escolher a empatia



Quarto encontro: Comunicação Autêntica


É impossível não se comunicar. Palavras ou a ausência delas, a postura, o tom e as expressões faciais. Tudo é comunicação, até o mesmo o ato de ignorar comunica algo. O corpo fala e quando não está em sintonia com as palavras ditas, a inautenticidade fica explícita.

Escuta ativa implica em, entre outros objetivos, comunicar ao interlocutor que a sua mensagem foi escutada.
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Gostou?


Exercitar o ato de entender o outro significa expandir os horizontes para um mar sem fim de possibilidades. Iniciativas como o Escutatória nos ajudam a sair do nosso próprio centro, a pensar fora da caixa e a investir em relações mais saudáveis e menos conflituosas, dando-nos um verdadeiro diferencial, tanto no âmbito pessoal, quanto no profissional.

O que você achou? Caso tenha se interessado, você pode acompanhar os locais e as datas das próximas turmas por aqui.

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Grande abraço!


Conheça a Escola de Empatia:


A Escola de empatia é uma organização dedicada a construir um futuro no qual cada indivíduo desenvolve atitudes de cuidado e sustentabilidade.
​Apesar da informação estar cada vez mais acessível, somente uma pequena parte das pessoas estão consistentemente em contato com ambientes de aprendizagem favoráveis para desenvolver-se emocionalmente. Devemos compreender que cada pessoa tem um lugar essencial na vida em sociedade e ajudá-las a desenvolver condutas de empatia, ética e cuidado. Precisamos colaborar positivamente para que as pessoas, comunidades, escolas e empresas possam transformar o mundo em um espaço mais sustentável e humano.



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