Coloque um tubarão no seu aquário! – ou como a insegurança impede o crescimento - O Espaço - Equilíbrio, empatia e prática Coloque um tubarão no seu aquário! – ou como a insegurança impede o crescimento

Coloque um tubarão no seu aquário! – ou como a insegurança impede o crescimento

2016/11/17 | 2 comentários | |

Shark tank, coloque um tubarão no seu tanque, insegurança e desafios




Para ouvir o texto, experimente o AudioPost:




Os japoneses adoram peixe fresco.

Porém, as águas perto do Japão não produzem muitos peixes há décadas. Assim, para alimentar sua população, eles aumentaram o tamanho dos navios pesqueiros e começaram a pescar mais longe.

Quanto mais longe iam, mais tempo levava para o peixe chegar. Se a viagem de volta levasse mais do que alguns dias, o peixe já não era mais fresco: o mercado japonês, obviamente, o rejeitava.

Para resolver o problema, as empresas de pesca instalaram congeladores em seus barcos. Pescavam e congelavam os peixes em alto-mar. Os congeladores permitiram que os pesqueiros fossem mais longe e ficassem em alto-mar por muito mais tempo. Mesmo assim, os japoneses continuaram a notar a diferença entre o peixe fresco e o congelado e, por isso, não gostaram.

Então, as empresas de pesca resolveram instalar tanques de peixe nos navios pesqueiros. Eles pescavam e colocavam os peixes nos tanques, como um aquário. Depois de certo tempo, pela falta de espaço, os peixes paravam de se debater e não se moviam mais. Daí, chegavam vivos, porém, cansados e abatidos. E, novamente, os japoneses podiam notar a diferença do gosto.

Por não se mexerem durante dias, os peixes perdiam o gosto de frescor. Os japoneses preferiam o gosto de peixe fresco e não o gosto de peixe apático.

Como eles resolveriam o problema? Como trazer peixes com gosto fresco?

Para conservar o gosto de peixe fresco, os pesqueiros ainda colocam os peixes dentro de tanques. Além disso, também adicionam um pequeno tubarão em cada tanque.

O tubarão come alguns peixes, mas a maioria deles chega muito vivo no mercado. Os peixes permanecem em estado de alerta a todo momento. Em outras palavras, permanecem frescos porque são desafiados.


O que você acha dessa história? É um conto que ficou famoso na internet. De caráter motivador, ele circula principalmente nas páginas de empreendedorismo, vendas, marketing e afins.

Em um modo geral, a ideia é: não se acomode. Almeje grandes objetivos e se mantenha nadando forte. Não fuja dos desafios, ao contrário, pule para dentro deles. Aproveite o que o jogo oferece e nunca seja o jogador relaxado.

Essa é uma mensagem interessante e muito válida. Contudo, eu gostaria de te oferecer uma interpretação diferente.

Para isso, gostaria que aproximássemos um pouco mais dos princípios do O Espaço, mais precisamente o princípio de cuidado e controle do ego. Aqui, então, poderemos perceber uma lição também valiosa e um pouco mais profunda.

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A gente lembra que... O ego é um tanque cheio de peixinhos


O ego é um senso de identidade refletido e baseado na opinião que os outros têm de nós. É um centro que tem como parâmetros a comparação e a resposta que causamos às pessoas ao redor.

Quando você está baseando a sua identidade em pilares externos como esses, você se sente sempre incompleto, inadequado e inseguro. A resposta do outro é imprevisível e uma relação de comparação é uma relação em que todos saem perdendo.

Assim, a partir do sentimento de inadequação, trabalhamos duro para se encaixar, aperfeiçoar a imagem e arrancar, cada vez mais, reações que nos agradam e nos preenchem temporariamente.

Dessa maneira, o ego vai sendo engordado. E à medida que ele cresce, cresce também a necessidade de aumentá-lo mais. Passamos, assim, a nos isolar. Não mais somos capazes de escutar, o ego ouve por nós, mas somente aquilo que ele gosta de ouvir. Não mais somos capazes de falar, o ego fala por nós, mas somente aquilo que diz respeito a ele mesmo.

Então, sem perceber, estamos sozinhos.

o ego vai te levar longe e vai te deixar lá


Dentro de uma bolha. Sozinhos. Com a imagem perfeitinha que desenhamos de nós mesmos. O ego é um tanque cheio de peixinhos tranqüilos e confortáveis. Protegidos. Mas sem o frescor da vida.


 -- Também sente uma sociedade vomitando ego? Leia o nosso texto sobre Into the Wild e saiba por que somos tão idiotas --



A confiança para encarar os tubarões!


Quando alguém ameaça a perturbar aqueles peixinhos... Nossa! A reação é instantânea. Como pôde? Nosso ego é tão perfeito e ao mesmo tempo tão frágil. Ameaçá-lo é risco de vida! 

Qual foi a última vez que você deixou os seus peixinhos se moverem assustados? Qual foi a última vez que você teve coragem de se abrir e expor o seu ego?

A sensação, sem dúvidas, é mais do que desconfortável. Mas é justamente o incômodo que mantém o movimento do corpo e da mente, permitindo o frescor da vida.

Se lhe tecem uma crítica, um comentário ou se agem de alguma maneira que gera incômodo e se aquilo arranca de você uma reação imediata de raiva, autodefesa, fuga... Então essa pode ser a zona de conforto do seu ego.

A reação agressiva é um mecanismo para situações de risco. Porém as críticas só oferecem risco ao próprio ego. Rejeitando-as instantaneamente, você isola e protege seus peixinhos. Eles ficam tranquilos e você não sai do lugar.

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Portanto, deixe que coloquem tubarões no seu tanque. Absorva a crítica. Deixe-a entrar e te mover. Deixe que ela passe por seus filtros, valores e critérios e se, após isso, você sentir que elas devem ser descartadas, então as descarte. Mas tendo a consciência de que essa não foi uma reação de defesa de peixinhos.

Quando estamos conscientes de que não é o ego que nos define, então perdemos o medo de abrir a nossa caixa preta. Comentários sempre vão existir. As pessoas inseguras ou são afetadas por todos eles, ficando pra baixo, desorientadas e perdendo-se ou os descartam através de atitudes duronas, tentando, frente ao falso perigo, se autopreservar.

Mas as pessoas verdadeiramente confiantes sabem receber qualquer tipo de ponderação. Sabem que o que incomoda pode estar tocando a zona de conforto egocêntrica. Sabem que podem aproveitar aquilo e extrair tudo o que há de positivo, sem se diminuir.

Encarar um tubarão não é matá-lo antes que ele possa cair no tanque, ao contrário, é deixar que ele caia, que mostre novos caminhos e, no fim do processo, sair ileso e com novas perspectivas.

Dito isso, chegamos a nossa lição. Coloque tubarões no seu tanque. Deixe que eles entrem. Questione-se e mova-se. Mude. Volte atrás se necessário. Isso também faz parte do processo. Aprender, desaprender e reaprender. Assim é a vida daqueles que se desenvolvem. Reconheça o seu potencial e esteja firme para aprender com as críticas. Você não precisa rejeitá-las. Você é incrível por si só. Os comentários são parâmetros apenas para o ego. Encontre o lugar que mais machuca o seu, o que mais dói. É lá que você precisa trabalhar. Ouse trabalhá-lo!


Auto-questões para identificar um ego forte e sensível.


Cego pelo perigo e incapaz de raciocinar qualquer coisa, espantando os tubarões e protegendo os peixinhos, eu:

> rejeito imediatamente quando alguém tenta me tecer uma crítica?

> sinto-me frustrado ou com raiva, recebendo aquilo de uma maneira muito pessoal.

> acuso o outro de usar o critério pessoal. Você está falando isso só porque não gosta de mim. Ou só porque fiz isso ou aquilo.

> estou pronto para procurar características no outro que desqualifique o seu posicionamento?
De autoridade: quem é ele pra falar isso?
De devolução: você também faz a mesma coisa.

> nego até a última instância qualquer tipo de apontamento que não me agrade? Ou relativizo o que está sendo dito: mas não é bem assim.


Se a resposta for sim para algumas dessas perguntas, então pode ser que você não está crescendo o tanto quanto poderia. Acredite em você! Eu acredito!


Nunca se esqueça de questionar-se. O questionamento é a base do autoconhecimento.

Grande abraço!


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O que achou? Espero que isso faça sentido pra você também!

O cuidado com o ego é um dos 7 princípios do O Espaço. Para saber mais, assine a lista e e-mail e baixe o nosso e-book gratuitamente aqui.

2 comentários:

  1. Muito show ! Adorei ! Encaixou certinho no momento que estou vivendo agora no meu trabalho novo ! Estou trabalhando em uma área da farmácia muito restrita, onde o assunto não é muito abordado na faculdade, e ao mesmo tempo não me permite falhas pois estou lidando com vidas e pacientes que já se encontram em estado debilitado ou seja é um processo muito crítico. E como não falhar em um emprego que estou a pouco tempo e onde não tenho domínio do assunto ?! Isso aflorou muito a minha insegurança, mas ao mesmo tempo como sou supervisora e tenho pessoas ligadas a mim não posso ser insegura rs ! Colocaram tubarões no meu aquário ! E agora estou me movimentando, debatendo para ganhar a confiança e poder sempre fazer o meu melhor com agilidade e qualidade ! Valeu amigo ! Esse texto foi de grande ajuda =)

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    1. Valeu minha amiga!

      Que incrível associação com uma situação da sua vida! Fico muito feliz que o texto tenha ajudado de alguma forma =)

      Posso imaginar o quanto você está se movimentando agora frente essas dificuldades. Não tenho certeza quanto ao seu curso, mas a faculdade costuma oferecer uma abordagem mais ampla e a insegurança é certa quando caímos no mercado de trabalho em uma área muito específica. No seu caso, ainda tem o agravante de estar exercendo uma função de supervisão!

      Mas enquanto o desejo de fazer o melhor for maior que o receio da falha, a gente cresce! =)) Estou convicto que essa experiência te transformará e você vai se desenvolver muito, pessoal e profissionalmente!

      Grande abraço!!

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