O Mapa não é o Território [Novo] - O Espaço - Equilíbrio, empatia e prática O Mapa não é o Território [Novo]

O Mapa não é o Território [Novo]

2016/12/15 | Nenhum comentário | |



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Você já ouviu a expressão: o mapa não é o território? Provável que sim. Trata-se de um pressuposto básico da PNL. Mas o que ela quer dizer exatamente? Como podemos aplicá-la ao nosso dia a dia e a nossa vida?
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Imagine que você e um antigo grupo de amigos decidiram se reencontrar em uma balada noturna. Dessas que atravessam a madrugada com música alta e muita dança.

No seu grupo, havia duas pessoas que nunca tinham experimentado esse tipo de festa. Uma delas estava passando mal. Também havia uma pessoa que, apesar de conhecer o ambiente, era mais caseira e tinha o hábito de se deitar cedo. Por fim, havia as duas últimas, freqüentadoras assíduas. Uma dessas já trabalhara no local e conhecia os bastidores.

E, claro, havia você, que não era nada disso.

Vocês se encontram na fila e esperam por um tempo razoável para entrar. Até que entram e começam a se divertir. Alguns decidem por beber, outros não. Alguns preferiram dançar, enquanto outros escolheram sentar e conversar numa parte mais reservada. Alguns ficaram até o fim e ainda continuaram acordados para o café da manhã. Outros foram embora rapidinho...

Então, imagine que, depois de um tempo, vocês tivessem que descrever a balada, o local e as pessoas lá presentes para um amigo que não tinha conseguido ir. Com o máximo de detalhes possível. Como você acha que seriam as descrições de cada um? Com toda certeza, elas seriam diferentes umas das outras, não é?

Tantas pessoas com tantas diferentes histórias...

Nessa pequeno conto, o território é a balada e tudo o que ela carrega, enquanto as descrições que fazemos desse território são os nossos mapas.

Olhando de um lugar mais amplo, todas as percepções que um indivíduo tem do seu ambiente são mapas construídos da realidade em que ele está inserido, o território.




Todos temos noções diferentes de mundo, baseadas em nossos valores, experiências passadas, emoções... Ou seja, todos desenhamos mapas diferentes da realidade e adivinhe... O mapa não é o território. Nenhum mapa. O que significa que ninguém é possuidor de nenhuma verdade.

-- Confira aqui nosso antigo texto sobre o assunto. 

Pois a verdade pode ser algo bastante subjetivo. Quando alguém diz, por exemplo, que não é otimista e nem pessimista, mas sim realista, essa pessoa, então, está presa na sua própria percepção de realidade e no que ela considera ser real. Vejamos:

Mapa não é o território, O Espaço, Ninguém é dono da verdade


Percepções e projeções


Percebemos a vida em diferentes níveis de consciência. E em cada um deles, temos particularidades, somos únicos e singulares. E, a partir dessas percepções, vamos construindo os nossos mapas mentais.

No campo da PNL, L. Michael Hall, faz desses níveis, a seguinte distinção:

1) Percepção Neurológica:


É o nível mais básico da percepção. Fundamentado no funcionamento dos receptores fins: ouvido, ouvido interno, olhos, nariz, boca, pele, língua e etc.

Nesse nível, encontramos uma vasta variação entre os indivíduos na forma em que cada um capta neurologicamente as informações. Sejam elas visuais, auditivas, cinestésicas, táteis, proprioceptivas, gustativas ou olfativas. Há um sem-fim número de tonalidades diferentes na maneira em que alguém pode se relacionar com o ambiente.

2) Percepção Representacional:


O próximo nível é o da representação. É aqui que os nossos mapas começam a ser desenhados. Interpretamos os sinais neurológicos recebidos e criamos um “teatro mental”, lugar em que representamos internamente uma cópia do mundo externo.

Na mente, não existe imagem, sons, sensações, cheiros, sabores... Tudo é representado.

Aqui, em relação à percepção neurológica, a diferença entre indivíduos se dá de um modo muito mais elevado. O que se lembra para representar, o que se presta mais atenção, qual sistema sensorial predomina na captação, a qualidade das imagens internas, a riqueza de detalhes...

Tudo isso tem grande potencial de variação baseado, entre outras coisas, nas experiências anteriores, valores, crenças, estado físico e estado mental.

3) Percepção Conceitual:


É quando passamos a construir os nossos conceitos. Nesse nível, o nosso mapeamento mental passa ganhar mais e mais tonalidade.

Construímos todos os tipos de contextos como nós os trazemos. Usamos palavras e linguagens para classificações e categorizações. Inventamos esquemas e significados de nível mais complexo. Concebemos ideias abstratas como esperanças, sonhos, expectativas, intenções, decisões e inúmeras outras que somos capazes de criar e dar sentido.

Nesse ponto, as percepções são altamente idiossincráticas e individuais. Aqui nós inventamos nossos céus e infernos e também nos afloramos para novos conhecimentos.

4) Projeção


Por fim, a projeção. Até então, entendemos o quão vasto e singular podem ser os mapas mentais que desenhamos da realidade. Mas... E quando vamos externalizá-los? Através das palavras, tom de voz, gestos, posturas, linguagens e ações, tentamos colocar para o mundo o que se passa internamente. E, claro, nessa passagem há perdas e distorções. Não se é possível – e nem desejável – projetar por inteiro todas as nossas percepções, significâncias e simbolismos únicos.

Dependendo da nossa capacidade e do nosso estado - repertório, vocabulário, clareza, velocidade, entonação e etc -, essa projeção pode encontrar diferentes graus de distorção.

Então, uma vez projetada ao outro, a informação que você entrega é captada e passa por todos os níveis de percepção dessa pessoa, que absorve e desenha os seus mapas baseando-se na experiência dela.

No nosso exemplo, a descrição da balada e da noite anterior seria única para cada um que esteve presente e, ainda assim, o amigo que não foi e que estaria recebendo o estímulo visual-auditivo dessa descrição iria desenhar seus próprios e diferentes mapas.

Entende, assim, como é complexo o exercício da comunicação genuína?

A partir desse contexto, nós poderíamos trabalhar algumas práticas para uma vida de crescimento mais consciente e ecológica. Nesse texto, eu separei para você, três delas:



Ressignificação: mude a moldura que você muda o significado.


Todos nós temos valores e crenças que nos sugerem o lugar e a posição que merecemos ocupar no mundo. Estar muito longe desse lugar causa estranheza e, então, para nos mantermos fiéis a essa posição, criamos racionalizações e justificativas que nos mantém confortáveis na falta de mobilidade, mesmo que façamos parecer o contrário.

Fazemos da reclamação uma rotina, mas enterramos qualquer centelha de mudança com as crenças já prontas para nos segurar. São as crenças limitantes.

Nós, de fato, somos aquilo que nos permitimos ser. Isso pode parecer uma conversa motivacional boba, distante da vida real e das nossas batalhas diárias. Mas não é.

Parte das nossas projeções é sim detecção, ou seja, há também território em nossos mapas. O nosso sofrimento é real e genuíno e viver não é nada fácil. Contudo, grande parte das projeções, como já vimos, é percepção. São crenças que construímos para nos imobilizar e nos auto-sabotar. Crenças úteis para descartamos qualquer possibilidade de mudança.

-- Conheça aqui a Homeostase e saiba por que é tão difícil quebrar crenças e atingir objetivos.
-- Os três tipos mais comuns de Auto-sabotadores: o diletante, o obsessivo e o picareta. Qual deles é você? Saiba aqui.

Veja bem, se o mapa não é o território, nós podemos reinterpretar a realidade para uma postura mais ativa, confiante e positiva. Isso é ressignificação. E faz toda a diferença. Para tal, é importante que estejamos em constante questionamento:

> Eu realmente não posso fazer nada pra mudar essa situação tão incômoda?

> Não há nenhuma forma de caminhar em direção a esse sonho? Ele é realmente tão distante assim? Como fizeram as pessoas que já estão lá?

> É certo que o governo/status quo/condição social me coloca uma série de barreiras. Mas isso realmente me impede de caminhar? Impede-me de assumir uma postura ativa e solucionadora?

Se construa, se desconstrua, se reconstrua e repita. Se conheça, se questione, ressignifique e repita. Pois nada é absoluto.



Os feedbacks da vida: coloque um tubarão no seu aquário.


Às vezes se questionar não é suficiente para enxergamos uma crença ou uma dificuldade. Às vezes, o estímulo precisa ser externo. É como aquele problema de matemática que refazemos incontáveis vezes sem encontrar a resposta: vem um amigo alheio àquilo e mostra um sinalzinho que estava no lugar errado.

Às vezes, por mais que nos esforcemos muito para encontrarmos a falha, aquele sinalzinho vai parecer invisível. E o pior, às vezes mesmo com aquele sinalzinho fora do lugar, achamos que o resultado da equação está correto.

Por isso, é importante que se coloque um tubarão no aquário.

O aquário é a nossa zona de conforto cheia de peixinhos tranqüilos e acomodados. Um pequeno tubarão incomoda, come alguns peixinho vaidosos, mas coloca em movimento todo o sistema. E movimento traz frescor à vida.

O tubarão é um feedback externo. Parte dos mapas é percepção, mas outra parte também é detecção. E se a detecção que vem de fora também for útil a nós? Como poderíamos utilizá-la?

Críticas machucam e tem hora que, numa reação de defesa, nós as rejeitamos. Ficamos irratidiços e nervosos. Matamos o tubarão devolvendo a crítica.

Saber receber feedbacks é fundamental para o nosso desenvolvimento. Contudo, receber não é o mesmo que acatar. Parte dos mapas é detecção e parte é também projeção. Receber é ter a autoconfiança necessária para filtrar o que chega, aproveitar o que pode ser bom e descartar o que não é aproveitável. Cabe a nós uma auto-análise honesta e não vaidosa para identificar o que pode ser a projeção do outro.

É mais uma vez questionar-se, porém agora com uma base externa de uma perspectiva diferente. Podendo assim, enriquecer e adicionar detalhes aos mapas mentais.




A empatia, o ego e a troca.


Quando falamos de projeção lá em cima, percebemos como a conexão entre indivíduos pode ser complexa. A verdade é que cada ser humano é um universo único e imensurável. E justamente por ser tão complexa é que ela nos abre um oceano de possibilidades.

Do ego

Se o mapa não é o território, porque, então, deveria eu ficar engessado em meus mapas mentais? Como poderia descobrir dentro dos meus desenhos internos o que é percepção e o que é detecção? Como poderia enriquecer o meu pensamento e a minha visão? De que maneira eu posso substituir atitudes auto-sabotadoras por atitudes positivas e ecológicas?

É só através da conexão verdadeira e honesta. Que vem de uma comunicação autêntica, onde o ego é colocado em segundo plano em favor da entrega e da descoberta.

Quando eu estou em uma interação para reafirmar o ego, a experiência, então, se torna vazia. O meu único objetivo é falar, me fazer ouvido e admirado e impor a minha visão. Tenho conceitos enrijecidos do que é certo e errado, normal e anormal, bom e mau, baseados unicamente nas minhas próprias vivências pessoais. E tudo que não está dentro do alcance da minha ideia de razoável é adjetivado.

-- Entenda aqui porque somos tão idiotas: as amarras do ego.

Assim, se alguém precisa de mais afeto do que estou disposto a oferecer, então essa pessoa é carente e pegajosa. Porém, se alguém me dá menos atenção do que quero, então ela é fria e insensível.

O modo de pensar rígido é característico dos mapas mentais frágeis e inseguros. Ele gera violência e mais insegurança, uma vez que nossos mapas são, a todo momento, confrontados por outros. Além de não permitir acrescentar nada de novo, saio da interação frustrado e chateado.

Da troca


Todavia, sabendo que o meu pensamento não é absoluto e estando ok com isso, posso interagir em busca de partilha. Aprendo, ensino e descubro. Conhecendo o outro, conheço a mim mesmo. Descubro sobre os meus mapas mentais, todos os meus níveis de percepção e as minhas maneiras de projeção.

Conhecendo o outro, também estou mais próximo do que é detecção. Entendo que existem necessidades diferentes e jeitos diversos. Novas perspectivas e infinitas possibilidades nascem.

Conhecendo o outro, eu deixo um poquinho e recebo um tanto. O contato entre diferentes mapas adiciona muitos detalhes cartográficos, desde que o ego esteja desarmado e a vaidade em segundo plano.


Da empatia


O problema é que esse contato não é nada simples e apenas o não querer se reafirmar não é o suficiente. É preciso buscar e tentar mergulhar fundo no outro. É preciso exercitar o comportamento empático.

-- Entenda aqui: Empatia antes da benevolência, a inteligência.


Ser empático significa penetrar no mundo perceptual do outro e sentir-se totalmente à vontade dentro dele. Requer sensibilidade constante para com as mudanças que se verificam nesta pessoa em relação aos significados que ela percebe, ao medo, à raiva, à ternura, à confusão ou ao que quer que ele esteja vivenciando. (...) Mostrando os possíveis significados presentes no fluxo de suas vivências. Estar com o outro desta maneira significa deixar de lado, neste momento, nossos próprios pontos de vista e valores, para entrar no mundo do outro sem preconceitos; num certo sentido, significa pôr de lado nosso próprio eu”.

Exercitar o comportamento empático é sempre uma relação ganha-ganha verdadeira. O outro se sente acolhido, entendido e respeitado. Você cresce, desvenda, é desvendado, ganha influência, uma boa amizade e excelentes histórias para contar. =)



Bibliografia:



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