Descontrole emocional: quando o sentimento sequestra a mente. - O Espaço - Equilíbrio, empatia e prática Descontrole emocional: quando o sentimento sequestra a mente.

Descontrole emocional: quando o sentimento sequestra a mente.

2017/01/31 | Nenhum comentário | |

Descontrole e sequestro emocional - O Espaço

Foi uma tragédia de erros. Matilda Crabtree, 14 anos, apenas queria dar um susto no pai: saltou de dentro do armário e gritou “Buu!”, no momento em que os pais voltavam, à uma da manhã, de uma visita a amigos. Mas Bobby Crabtree e sua mulher achavam que Matilda estava em casa de amigas naquela noite. Quando, ao entrar em casa, ouviu ruídos, Crabtree pegou sua pistola calibre .357 e foi ao quarto da filha verificar o que estava acontecendo. Quando ela pulou do armário, ele atirou, atingido-a no pescoço. Matilda Crabtree morreu 12 horas depois.

Do livro Inteligência Emocional, de Daniel Goleman, o qual este texto é baseado.


Acompanhe também a versão em áudio:




Bobby Crabtree, pai de Matilda, tomado pelo medo e a sensação de perigo, não conseguiu reconhecer sua filha a tempo. Foi-se como que por instinto em uma reação rápida de defesa. Não pôde nem mesmo reconhecer a voz da garota antes de agir em direção a catástrofe. Bobby sofreu um sequestro emocional.

Sequestro emocional é quando uma emoção muito forte toma conta do nosso cérebro e determina as nossas ações, bloqueando a nossa capacidade de raciocínio e ponderação. Isso não é apenas característico de eventos isolados e tragédias como a da família Crabtree, ao contrário, ocorre conosco com mais freqüência do que podemos imaginar.

Você, com certeza, se lembra de situações em que perdeu a linha em momentos de alta tensão, como no calor de uma discussão, e se arrependeu depois de ter agido daquela forma.

A anatomia da amêndoa sequestradora.


Na nossa complexa estrutura cerebral, temos as amígdalas: feixes, em forma de amêndoa, que se situam acima do tronco cerebral, uma de cada lado do cérebro.

Essas amígdalas junto com o hipocampo são responsáveis pelo aprendizado e memória do cérebro, sendo elas as especialistas nas questões emocionais. Sem elas, perdemos a capacidade de significar emocionalmente os fatos, a chamada cegueira afetiva.

Sem amígdala, perderíamos os interesses nas pessoas, toda e qualquer paixão e a identificação de qualquer sentimento, fosse ele medo, dor, raiva... Sem amígdala não teríamos lágrimas. Não saberíamos cooperar, competir ou viver em sociedade e não sentiríamos afeto por ninguém, nem mesmo aquela pessoa mais próxima.

E é exatamente essa pequena amêndoa a responsável pelo sequestro emocional: a amígdala pode assumir o controle das nossas funções, enquanto o cérebro pensante, o neocórtex, responsável pela ponderação mais elaborada, ainda toma uma decisão.

Veja esse exemplo também de Inteligência Emocional:

Bia dirigiu duas horas até Boston, para tomar um café da manhã-almoço e passar o dia com o namorado. Durante o desjejum, ele Ihe deu um presente que ela vinha querendo há meses, uma gravura difícil de achar, trazida da Espanha. Mas seu prazer se dissolveu assim que sugeriu irem à matinê de um filme que queria muito ver, após o desjejum, e o namorado a chocou dizendo-lhe que não podia passar o dia com ela, pois tinha um treino de softball. Magoada e incrédula, ela se levantou em prantos, deixou a lanchonete e, num impulso, jogou a gravura na lata de lixo. Meses depois, contando o incidente, não é de ter saído que Bia se arrepende, mas da perda da gravura.

Essa cena te recorda alguma situação semelhante? Aqueles momentos de reações cheias de paixão que, quando a poeira abaixa, sobe aquela fagulha de remorso... É aqui que o papel da amígdala é chave para nos tornamos irracionais tão facilmente:

Imagine o sistema de segurança de um prédio conectado diretamente ao corpo de bombeiros, samu, polícia e até mesmo à associação do bairro. Quando soa o alarme, a qualquer sinal de perigo, uma mensagem de emergência é enviado a todos pedindo mobilização urgente. É mais ou menos assim que a amígdala trabalha.

Atuando como uma sentinela, ela está sempre atenta aos sinais que vêm dos nossos sentidos, traçando um paralelo com toda a nossa experiência em busca de eventuais problemas e fazendo, a cada situação, perguntas do tipo:

Isso é algo que me fere?
É algo perigoso? Algo que temo?
É algo que odeio?

Se, em algum momento, a resposta se aproxima de um sim, a amígdala reage imediatamente, disparando o alarme de emergência. Nessa hora, o cérebro envia sinais para todo o corpo que entra no modo “lutar-ou-fugir”. A pressão sanguínea se eleva, os batimentos disparam e os músculos ficam prontos para ação. Além disso, ela assume o controle de parte do cérebro para gerenciar a crise. Assim se dá o sequestro emocional.

O funcionamento da amígdala e sua interação com o neocórtex – cérebro pensante – estão no centro da inteligência emocional.


A importância da emoção
hehehe!!

Acontece que, os sinais sensoriais, vindos, por exemplo, dos olhos ou ouvidos - ao contrário do que pensava o velho consenso - podem se ramificar. Parte deles vão diretamente para amígdala, sem passar pelo cérebro pensante, permitindo uma análise rápida e uma resposta quase instantânea, antes que o neocórtex possa processar toda a informação cuidadosamente.

A antiga teoria da neuroiciência não enxergava um caminho paralelo ao neocórtex. Esse caminho é como uma pequenina viela, um atalhozinho que permite a chegada de algumas informações pontuais ao cérebro emocional, ao mesmo tempo em que a parte pensante recebe o “relatório completo”.

A amígdala pode fazer-nos lançar à ação, enquanto o neocórtex - ligeiramente mais lento, porém mais plenamente informado - traça um plano de reação mais refinado. Esse circuito muito faz para ajudar a explicar o poder da emoção de esmagar a racionalidade


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A verdade é que nossas emoções têm uma mente própria com memórias e opiniões independentes: as informações são enviadas dos sentidos para a mente racional, porém parte delas é desviada no atalho caindo no sistema emocional e lá, a amígdala pode armazenar lembranças e repertórios que nunca sequer passaram por nosso radar pensante.

Assim, criamos a chamada memória emocional. E é daí que amamos ou odiamos coisas sem nem saber exatamente do que se trata. Quanto mais intensa for a situação que disparou os alarmes de perigo e gerou o sequestro emocional, mais forte será a lembrança registrada pela amígdala.

O problema é que essas são lembranças assíncronas. A amígdala compara situações passadas com as atuais e se encontra o mesmo gatilho, deflagra a emergência e realiza o sequestro do cérebro, sem antes ter a devida confirmação.

Assim, uma ex-enfermeira do exército, traumatizada pelo incessante fluxo de ferimentos horríveis de que cuidou na guerra, é acometida de repente por uma mistura de pavor, repugnância e pânico, uma repetição de sua reação no campo de batalha, provocada mais uma vez, anos depois, pelo mau cheiro quando abre a porta de um armário e descobre que seu filho pequeno enfiou ali uma fralda suja.

O jeito, então, é nos livrar das emoções na tomada de decisão?


Como já vimos no texto sobre a raiva, o sequestro emocional foi um mecanismo crucial para a sobrevivência da espécie, em uma época em que os perigos eram inúmeros e a mobilização precisava ser imediata. No tempo das cavernas, uma pequena titubeada poderia significar fome ou morte.

Contudo, dentro do nosso sistema social, o perigo já não é mais grandes predadores ou a escassez de alimentos, mas ainda assim, a memória emocional é essencial em qualquer tomada de decisão.

Seja nos perigos físicos, que ainda acontecem. Como quando o rapaz que ouviu gritos de uma criança vindos de um lago e pulou sem conseguir saber direito o porquê e, de repente, se viu na água salvando uma menina que se afogava.

Seja em momentos os quais podemos e demandamos um planejamento mais elaborado. Através da capacidade de atribuir um significado emocional às coisas com as quais nos relacionamos é que conseguimos elencar prioridades e tomar decisões. É com o significado emocional que fazemos nossas escolhas, das mais simples as mais complexas, e determinamos a direção a ser seguida na vida.

Portanto, abandonar e suprimir a voz das emoções nunca é o melhor caminho – e só seria um caminho possível se houvesse algum tipo de patologia no seu hipocampo cerebral, ou seja, não adianta tentar ser aquela pessoa durona, 100% razão e que está o tempo todo no controle, se você escolheu o que iria comer no almoço, você o fez através do peso emocional que atribuiu a cada opção de alimento.

É através do cérebro racional que você reconhece aquele vizinho na calçada, mas só através da amígdala que você consegue entendê-lo como uma pessoa agradável e simpática.


razão e emoção


O segredo está na harmonia e equilíbrio entre a razão e a emoção. Um cérebro forte, maduro e saudável é capaz de executar uma boa interação das partes entre si. Uma mente inteligente é aquela que se conhece e se reconhece. Sabe identificar os motivos que disparam os alarmes das amígdalas, entende os sinais enviados pelo corpo e procura trabalhar a si mesmo em cada situação.

Não sendo refém das emoções, podemos moldá-las e torná-las as principais aliadas na busca das transformações que mais almejamos.

Para tal, conquiste o seu autoconhecimento e trabalhe a si mesmo. Estamos aqui para auxiliá-lo. E, para uma primeira direção, te ofereço três boas dicas:


1) Lista de e-mail do Espaço para estudarmos juntos

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2) O livro Inteligência Emocional para aprofundarmos no assunto:



3) Uma pequena reflexão, para concluirmos o texto, sobre o sequestro emocional hoje:


Se já não há tanto perigo físico dentro do sistema social, o que mais provoca sequestros emocionais?


Sabemos que as amígdalas registram os acontecimentos em uma memória emocional e atuam como sentinelas de rápida reposta atentas a qualquer indício de perigo. Mas, se o perigo físico deixou de ser o principal causador dos sequestros emocionais, o que representa, hoje, uma ameaça dentro do nosso convívio?

O medo de estar só.

Como seres sociais, estamos, a todo o momento, tentando fazer parte e ser aceito nos grupos ao nosso redor. Esforçamos-nos para parecermos adequados e procuramos sempre algum tipo de identificação nesses meios.

Assim, desenhamos uma aparência que foge de nós mesmos e da nossa essência, o chamado ego. Uma aparência dura e, ao mesmo, tempo muito frágil.

Hoje o que nos ameaça é aquilo que revela e expõe as contradições dessa aparência, aquilo que fere o ego. Aquilo que coloca em risco a frágil imagem que tentamos externalizar aos outros.

Quanto maior é o ego, maior, mais complexa e mais perfeita é a imagem que tentamos criar para representar aquilo que somos. Quanto maior e mais complexa é essa imagem, mais frágil, mais incoerente e mais distante de nós mesmos ela é. Assim estamos mais preocupados e expostos. Assim estamos mais ameaçados e cuidadosos. E quando apontam alguma rachadura nessa imagem ideal, então estamos furiosos, frustrados e amedrontados. Estamos, nesse momento, sequestrados e descontrolados emocionalmente, prontos para fugir ou lutar.

E fugir ou lutar – mesmo que verbalmente – em uma interação dificilmente será a melhor resposta.

Por isso, quando sofrer um sequestro emocional, não fique preso a angústia do remorso. Aproveite a oportunidade de se descobrir. Entenda o que te ameaça, o que você odeia e por que. 

É uma reação do ego? 
Isso me expõe? 
Como posso me equilibrar nesse tipo de situação

São algumas das inúmeras perguntas que podemos nos fazer.



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