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Comunicação não-violenta, Capítulo 1: O cerne da CNV

2017/10/17 | Nenhum comentário | |




Do fundo do coração


Do fundo do coração, o cerne da CNV


“O que eu quero em minha vida é compaixão, um fluxo entre mim mesmo e os outros com base numa entrega mútua, do fundo do coração”.

Introdução


Nessa primeira parte do capítulo, somos introduzidos ao conceito de CNV. O termo “não-violência” vem de Ghandi e se refere à um estado compassivo natural, quando a violência se afasta do nosso coração.

Aqui, a linguagem e o uso das palavras afetam diretamente a capacidade de nos mantermos compassivos e exercem, assim, um papel crucial na construção de um ambiente favorável à troca humana e positiva.

“Embora possamos não considerar ‘violenta’ a maneira de falarmos, nossas palavras não raro induzem à mágoa e à dor, seja para os outros, seja para nós mesmos”

Uma maneira de concentrar a atenção


A CNV vem para fazer das respostas automáticas e repetitivas, respostas conscientes, firmemente baseadas no que estamos pensando, sentindo e necessitando.

Aprendemos a articular o que de fato desejamos e somos levados a nos expressar com honestidade e clareza, ao mesmo tempo que damos aos outros atenção respeitosa e empática.

“Embora eu me refira à CNV como processo da comunicação, ela é mais do que isso. Num nível mais profundo, ela é um lembrete permanente para mantermos nossa atenção concentrada lá onde é mais provável acharmos o que procuramos”.

E aqui vale ressaltar o seu pragmatismo: é na expressão autêntica e na escuta empática que conseguimos verdadeiramente atender às nossas necessidades.

“À medida que a CNV substitui os velhos padrões de defesa, recuo ou ataque diante de julgamentos e críticas, vamos percebendo a nós e aos outros, assim como nossas intenções e relacionamentos, com um enfoque novo. A resistência, a postura defensiva e as reações violentas são minimizadas”.

Temos nessa parte do livro, exemplos práticos em que a CNV se fez útil na resolução de conflitos delicados, como entre povos no oriente médio, por exemplo.

O processo da CNV


Os quatros componentes da CNV são:

1. Observação:

·         O que de fato está acontecendo?
·         O que estamos vendo os outros fazendo ou dizendo é enriquecedor ou não para nossa vida?
·         É importante afastar os julgamentos e avaliações da observação.

2. Sentimento:

·         Como me sinto ao observar aquela ação? Magoado, triste, alegre, divertido, irritado, etc.

3. Necessidades:

·         Reconhecemos quais necessidades estão de fato ligadas ao sentimento já identificado.

4. Pedido:

·         Consciente dos três componentes anteriores, expressamos clara e honestamente como estamos, fazendo um pedido específico.


Os 4 componentes da Comunicação compassiva.
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Uma mãe poderia expressar da seguinte forma:

“Roberto, quando vejo suas bolas de meias sujas debaixo da mesinha(O), fico irritada(S), porque preciso de mais ordem no espaço que usamos em comum(N)”. Completando com o pedido claro: “você poderia colocar suas meias na lavadora”?

Ao invés de exigir com ameaças, violência, impondo medo, culpa e atacando a auto-estima do filho. Do tipo: 

violência x não-violência
Compare...

Pode parecer estranho ou difícil agora, mas ao longo do livro entenderemos melhor cada componente e como aplicá-la, não deixe de acompanhar cada capítulo para que tudo se internalize plenamente.

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Dito tudo isso, vale lembrar, a CNV, contudo, não é meramente uma linguagem e nem um conjunto de técnicas para usar palavras; a consciência e a intenção que a CNV abrange pode muito bem se expressar pelo silêncio, pela expressão facial e linguagem corporal. Os diálogos e exemplos do livro perdem algumas nuances como empatia silenciosa, narrativa, gestos, tom de voz, velocidade da fala, humor e etc.

“Na verdade, é possível realizar todas as quatro partes do processo sem pronunciar uma única palavra. A essência da CNV está em nossa consciência daqueles quatro componentes, não nas palavras que efetivamente são trocadas”.

Os exemplos que veremos ao longo do livro são essenciais para entendermos e absorvemoso processo. Mas, uma vez que isso está feito, precisamos adaptar todo o aprendizado à nossa realidade e ao nosso jeito único e particular de ser e agir.

Até o próximo capítulo!


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