Se conselho fosse bom... - O Espaço - Equilíbrio, empatia e prática Se conselho fosse bom...

Se conselho fosse bom...

2017/10/25 | Nenhum comentário | |

Texto originalmente publicado na Escola de Empatia.

só preciso de alguém que espere comigo...

Você já se sentiu atropelado quando tentou se abrir com alguém?


Acontece quando alguém tenta nos ajudar sem entender essencialmente o que estamos passando e o que estamos sentindo. As pessoas trazem rapidamente uma associação qualquer e uma resposta solucionadora, entregando alguma espécie de aspirina emocional.

E é natural que seja assim. É comum, por exemplo, que crianças, ao verem um coleguinha chorando, peçam ajuda as próprias mamães para que se aproximem e aliviem a dor do amigo.

Ou seja, esse incômodo em relação à dor do outro vem antes mesmo de entendermos exatamente que a relação com nossos papais e mamães é única e que o coleguinha não faz parte daquele universo.

Nós não gostamos de ver quem a gente gosta em posição de sofrimento. E, por isso, a reação primeira de alguém que se abre conosco é a tentativa de alívio rápido. Reduzindo a experiência do outro, forçando comparações e oferecendo conselhos... 

Veja só, às vezes parece que estamos querendo ajudar, mas acabamos por ser um tanto egoístas, não é? Queremos aliviar para o outro para que o alívio venha até a nós.

  • “Isso é bobagem, a sua vida é ótima”.
  • “Pelo menos não aconteceu aquilo outro, poderia ser bem pior”.
  • “Mas sua vida é ótima, não venha com esses dramas”.
  • “Já passei por coisas muito piores, daqui a pouco você nem se lembra disso”.

obrigado pelo conselho incrível
Obrigado pelo conselho incrível!

São algumas das frases prontas às quais recorremos na hora de acudir aquela pessoa em dificuldade.

Quando isso acontece, a outra pessoa se sente incompreendida. Julgada e encurralada, ela perde em autoestima e encontra uma menor motivação para buscar soluções.

Então, sendo assim, como poderíamos agir realmente em favor daquele que busca o nosso apoio? A melhor maneira se dá através de uma comunicação empática genuína, mas isso não é nada fácil. É preciso que respeitemos o outro, e a sua relação com a experiência partilhada, e que confiemos na sua capacidade de encontrar o melhor caminho dentro dessa experiência, que é única e particular.

Nesse sentido, separei três atitudes que facilitam esse processo:

1) Aceitar a experiência do outro.


Por mais que tenhamos passado por alguma coisa parecida, o que o outro vive é só dele. E se ele reclama de dor é porque dói. Mesmo que não faça sentido para nós, mesmo que pareça pequeno. Aceitá-lo verdadeiramente é fundamental. Ele se sentirá compreendido, adequado e motivado a buscar respostas para si.

2) Confiança e respeito.


No momento em que alguém se abre conosco, dividindo vivências e revelando sentimentos, essa pessoa está se expondo e ela só faz isso porque confia em nós. Temos que fazer dessa confiança, uma recíproca. É importante acreditar que ela é capaz de escolher os melhores caminhos para si e que para isso, talvez ela precise passar por esse processo dolorido. É importante que respeitemos também o seu processo, sendo um lugar de apoio e carinho.

3) A comunicação empática.


É aqui que tudo se materializa. Aceitar, respeitar e confiar começam com a escuta honesta. Interessar-se pelo outro, procurar por sua perspectiva e tentar se colocar no lugar dele, como se fosse ele próprio, comunicando todo o processo. Comunicando a busca pelo outro, com paráfrases, com confirmações e afirmações da percepção, para finalmente comunicar a compreensão.


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Grande abraço!



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