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Comunicação não-violenta, capítulo 12: libertando-nos e aconselhando os outros

2019/10/13 | Nenhum comentário | |



Comunicação não violenta capitulo 12 libertando-nos e aconselhando os outros

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A CNV pode nos ajudar a nos libertar do condicionamento cultural

Libertando-nos de velhos condicionamentos


“Todos nós aprendemos coisas que nos limitam como seres humanos - seja de pais bem-intencionados, de professores, de religiosos ou de outras pessoas. Passado adiante através de gerações, até de séculos, muito desse aprendizado cultural destrutivo está tão enraizado em nossa vida que nem temos mais consciência dele”.

Precisamos de muita energia e consciência para reconhecer o aprendizado destrutivo e transformá-lo em pensamentos e atitudes que valorizam e servem a nossos propósitos de vida. De empatia e conexão com nós mesmos. Uma competência diferenciada para lidar com as nossas necessidades e estar em contato com nós mesmos. O que são coisas muito difíceis em nossa cultura: além de não sermos educados para compreender nossas necessidades, somos frequentemente expostos a uma formação que bloqueia ativamente a nossa consciência.

Como vimos não só no Capítulo 2, mas ao longo de todo o livro, a comunicação alienante da vida é grande ferramenta a serviço das elites poderosas em sociedades baseadas na dominação.

“As massas foram desencorajadas de desenvolver a consciência de suas próprias necessidades; ao contrário, foram educadas para serem dóceis e subservientes à autoridade”.



Não pense, trabalhe, se aliene
Não pense, se aliene.

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“Nossa cultura implica que as necessidades são negativas e destrutivas; a palavra necessitada, quando aplicada a uma pessoa, sugere que ela é inadequada ou imatura. Quando as pessoas expressam suas necessidades, frequentemente são rotuladas de "egoístas", e o uso do pronome pessoal "eu" muitas vezes é considerado um sinal de egoísmo ou de carência”.

Trabalhar a CNV, entender o que é observação e o que é avaliação, reconhecer nossos pensamentos, necessidades e sentimentos, expressar de forma clara e ativa, ajuda-nos a ficar mais conscientes e presentes para o condicionamento cultural que nos influencia o tempo todo.

Resolvendo conflitos interiores


A CNV pode contribuir na resolução de conflitos interiores que resultam frenquentemente em depressão. Marshall acredita que a depressão pode ser indicativa de um estado de alienação de nossas necessidades:

“Um diálogo impregnado de julgamentos, nos tornamos alienados daquilo que precisamos, por isso, impedidos de agir para atender a essas necessidades”.

Aqui, nos deparamos com o exemplo de uma mulher que estava sofrendo um surto profundo de depressão. Ela fora solicitada a identificar as vozes dentro de si quando se sentia mais deprimida e a escrevê-las como se essas vozes estivessem falando uma com a outra:


comunicação alienante da vida


Repare como ela está presa em mensagens carregadas de termos que detonam julgamento. “Deveria”, “desperdiçando minha educação”, “não consigo dar conta”...
Tomando “a pílula da CNV”, pediu-se que ela reformulasse a voz da profissional em “Quando acontece (a), sinto-me (b), porque preciso de (c). Portanto, agora eu gostaria de (d)”.

Então ela encontrou o seguinte:

  • Quando passo tanto tempo em casa com meus filhos sem exercer minha profissão, sinto-me deprimida e desestimulada, porque preciso da realização que outrora tive em meu trabalho. Portanto, agora gostaria de encontrar um emprego de meio expediente em minha profissão”.
Depois foi a vez da mãe responsável:
  • Quando me imagino indo trabalhar, sinto-me amedrontada, porque preciso ter certeza de que as crianças estarão sendo bem cuidadas. Portanto, agora eu gostaria de planejar um meio de proporcionar cuidados de qualidade para meus filhos enquanto trabalho e de encontrar tempo suficiente para ficar com as crianças quando eu não estiver cansada”.

Ao fazer isso, a mulher conseguiu entender as necessidades por detrás das mensagens alienantes e repetitivas, oferecendo, assim, empatia a si mesma. O que a trouxe sentimento de grande alívio.

Se formos capazes de escutar nossos próprios sentimentos e necessidades e de entrar em empatia com eles, poderemos nos libertar da depressão.

Cuidando de nosso meio interno

“Quando estamos enredados em pensamentos de crítica, culpa ou raiva, é difícil estabelecer um meio interno saudável para nós mesmos. A CNV nos ajuda a criar um estado mental mais pacífico, ao nos encorajar a nos concentrarmos naquilo que verdadeiramente desejamos, em vez de naquilo que está errado com os outros ou com nós mesmos”.




Remover
“Concentrar-se no que se deseja, não no que deu errado”.

Um estado interno mais pacífico que pode realmente deixar a nossa vida mais maravilhosa. Aliviar não só a depressão, como falamos, como também a ansiedade e o estresse.

Podemos desarmar pensamentos e julgamentos cíclicos escutando nossas necessidades e/ou estabelecendo empatia com as outras pessoas, o que faz com o que o estresse proveniente do julgamento perca o seu sentido e a sua força.

Substituindo diagnósticos com a CNV


No encerramento deste capítulo, Marshall relata sua própria experiência como psicólogo e precursor da CNV dentro da psicologia e do ambiente clínico.

Questionado, ele tinha, muitas vezes, receio de mostrar como quebrava os paradigmas da profissão para se conectar com seus clientes, evitando diagnósticos prontos (que muitas divergiam de escola para escola).

No entanto, após os excelentes resultados que obteve, ele sentiu-se confiante para apresentar uma terapia em que se envolva um vínculo empático entre psicólogo e cliente:

“Ao adotarmos as habilidades e a consciência da CNV, podemos aconselhar os outros em encontros que são genuínos, aberto e mútuos, em vez de recorrermos a relações profissionais caracterizadas pelo distanciamento emocional, diagnósticos e hierarquia”.

Até o próximo e último capítulo!

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